Representantes do poder público, da sociedade civil organizada e da iniciativa privada reuniram-se, na tarde desta quinta-feira (28), no Centro Municipal de Controle e Endemias, para avaliar o cenário epidemiológico da dengue e da febre chikungunya em Toledo. O encontro marcou a quarta reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus em 2025.
Números e situação
Após trazer um breve detalhamento da situação epidemiológica em nível estadual e do canal endêmico em nível local, o diretor de Vigilância em Saúde, Junior Palma, trouxe um panorama da dengue e da febre chikungunya. Entre 29 de dezembro de 2024 e 22 de agosto deste ano, o município registrou 1.171 casos confirmados de dengue. No mesmo período, 4.612 notificações foram descartadas e 50 ainda aguardam resultado de exames, totalizando 5.833 notificações. Duas mortes causadas pela doença foram confirmadas.
A chikungunya também exige atenção: foram 16 casos positivos até agora, em um total de 36 notificações, das quais 20 deram negativo.
Reconhecimento
Além do diagnóstico da situação, foram destacados os esforços de mobilização social. Desde a última reunião do comitê, em junho, a Secretaria de Saúde realizou 17 atividades educativas em escolas, empresas, órgãos públicos e eventos. Nesse período, Toledo também conquistou reconhecimento regional na campanha “Aqui o mosquito não entra”, promovida pelo Serviço Social do Comércio (Sesc/PR).
O agente de combate a endemias (ACE) Jandir Zorzin ficou com o terceiro lugar em nível estadual e garantiu o primeiro lugar individual na fase regional. Como prêmio, ele recebeu um fim de semana no Hotel Sesc Caiobá com direito a três acompanhantes. “Percebi que o prêmio conquistado pelo Jandir animou a equipe de agentes e tenho certeza que, ano que vem, teremos mais representantes de Toledo entre os principais premiados da promoção”, comenta a técnica de atividades da unidade de Toledo do Sesc, Georgett Zancanaro.
Imunização e armadilhas
No campo da imunização, Junior Palma relatou que, desde maio de 2024, foram aplicadas 6.365 doses da vacina contra a dengue em adolescentes de 10 a 14 anos, sendo 4.019 primeiras aplicações e 2.346 segundas doses. “As unidades de saúde fazem frequentemente uma busca ativa para aumentar a cobertura vacinal da dengue, tanto para a primeira quanto para a segunda dose. Contudo, ainda há muitas pessoas desta faixa etária que podem ser imunizadas. Por isso, temos que, enquanto comitê, divulgar e mobilizar para que esses números aumentem”, comenta Junior.
Outra frente de prevenção em andamento é a instalação de ovitrampas, isto é, armadilhas que atraem fêmeas do Aedes aegypti para depositar seus ovos em lâminas de material eucatex, que são afixadas pequenos vasos, que, em vez de planta, apenas contém um pequeno depósito de água. Com esse dispositivo, é possível monitorar a circulação do mosquito em várias regiões da cidade. A iniciativa começou em 11 de agosto e já alcançou 11 bairros. A previsão é ampliar gradualmente a cobertura para todo o município.
Mapeamento e análises
A supervisora do setor de Endemias, Alcione Andrade Ferreira, explica que as ovitrampas têm sido fundamentais para mapear as regiões com maior presença do Aedes aegypti e, assim, antecipar medidas de contenção. “Uma armadilha foi instalada a cada 9 quarteirões e a coleta das lâminas está sendo feita semanalmente. Este material chega e, após secagem de três dias, é analisado em um espaço específico que foi estruturado, com microscópio dedicado exclusivamente para este fim”, detalha. “Nosso objetivo é agir antes de alguém ficar doente, realizando o bloqueio nas áreas de maior retenção de ovos do Aedes”, salienta.
O chefe da Divisão em Vigilância em Saúde da 20ª Regional de Saúde, Felipe Hofstaetter Zanini, destaca que as ovitrampas foram incorporadas às recomendações do Ministério da Saúde em 2024 por garantirem maior precisão que o LIRAa. “A metodologia gera representações visuais da densidade de ovos do mosquito. A partir dessa análise, é possível criar um mapa de calor que indica o potencial de transmissão da doença e permite agir de forma preventiva e assertiva”, pontua.
Segundo Zanini, os municípios que adotam a técnica contam ainda com recursos adicionais do Governo do Estado para fortalecer as ações de combate. Ele, contudo, faz um alerta para a necessidade de recolher semanalmente as lâminas utilizadas nas armadilhas. “Se a ovitrampa não for recolhida e substituída em até 7 dias, o vaso pode se transformar em um criadouro, por isso esse procedimento não pode deixar de ser feito”, reforça.
A reunião foi encerrada com o agendamento do próximo encontro do comitê, marcado para 23 de outubro (quinta-feira), às 14h, novamente no Centro Municipal de Controle e Endemias.