Terça, 28 de Setembro de 2021
32°

Pancada de chuva

Cascavel - PR

Geral História do Oeste

A princesa da paz e o ministro da Guerra

Os últimos dias do Império foram muito favoráveis ao Paraná, sob o comando da princesa Isabel e do ministro João Alfredo

01/08/2021 às 11h28
Por: Da redação
Compartilhe:
 A princesa Isabel e o ministro João Alfredo deram início ao Paraná moderno. Os dois também assinaram a Lei Áurea
A princesa Isabel e o ministro João Alfredo deram início ao Paraná moderno. Os dois também assinaram a Lei Áurea

 

Retomada a atração de colonos europeus, o braço imigrante e o pinheiro nativo darão o dinamismo necessário ao Paraná para construir no final do século XIX a base da estrutura produtiva araucariana.

RECEBA AS PRINCIPAIS NOTÍCIAS PELO WHATS. ENTRE NO GRUPO

Alfredo D’Escragnolle Taunay encerrou seu governo em maio de 1886 devolvendo a administração a Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, o segundo paranaense a assumir as funções de governante provincial.

Nessa época, a preocupação com o trabalho e o trabalhador deflagra no Paraná uma campanha contra a monocultura do mate: com a crise no setor, quem havia enriquecido com a cultura continuaria bem, mas os empregados ficariam à míngua.

A campanha pregava a diversificação agrícola e a produção fabril. A indústria já se desenvolvia francamente em São Paulo e mostrava o caminho a trilhar.

Sob as ordens da princesa

No cenário nacional, em 1887 se agrava a doença do imperador Pedro II e a princesa Isabel de Bragança assume o trono imperial, em 30 de junho de 1887. Era a sua terceira Regência, substituindo o pai, em tratamento na Europa.

Depois, caberia a ela assinar a Lei Áurea, atrair o rancor das elites escravagistas e se condenar a jamais assumir o trono do pai. As elites políticas nacionais jamais permitiriam que ela reinasse após a morte de Pedro II.

O Brasil começava nesse momento a temer pelo futuro: o que viria depois de Pedro II? Mas o Paraná não tinha queixas e logo seria beneficiado pela regência de Isabel. Viria com ela tudo o que a Província precisava e o Império ainda impedia.

Foi sob a regência da princesa Isabel que prevaleceu a decisão governamental de finalmente iniciar a ocupação brasileira do remoto interior paranaense, região entregue pelo próprio Império ao controle estrangeiro.

Vai se organizar então a Comissão Estratégica, de penetração e desbravamento territorial, que irá romper a mata e ter como principal objetivo cumprir uma tarefa bastante árdua: chegar às barrancas do Rio Paraná e afirmar a soberania brasileira sobre a região.

Isabel favoreceu o Paraná

Com o fim do governo provincial de Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, em 26 de dezembro de 1887, assume por alguns meses o morretense Antônio Ricardo dos Santos (1819–1888), pai do futuro governador Santos Andrade.

Por essa época, um grupo de cidadãos argentinos, depois de entrar em conflito com o governo de Misiones, começa um povoamento platino “alternativo” na foz do Rio Iguaçu. É o começo da futura cidade das três fronteiras.

Em 8 de março de 1888, o pernambucano João Alfredo Correia de Oliveira (1835–1915), às vésperas de receber a chefia do governo brasileiro das mãos de João Maurício Wanderley, o barão de Cotegipe, assumia o Ministério da Guerra.

João Alfredo estava decidido a abrir uma estrada de Guarapuava ao Rio Piquiri e deste até a foz do Iguaçu, onde seria fundada uma Colônia Militar. Será a chamada Estrada Estratégica.

Republicanos mostram as garras

Em junho, o ministro formaliza a Comissão Estratégica do Paraná, que já em novembro iniciará a abertura de uma picada histórica.

É a origem da atual BR-277, aproveitando os antigos caminhos que já demandavam do litoral e Curitiba aos Campos Gerais e Guarapuava. Ainda não se fala em rodovias, que são estradas pavimentadas: será a construção de uma “estrada carroçável”.

Criada pelo Império, a Comissão Estratégica, autoridade militar acampada em Guarapuava sob a chefia do capitão Belarmino Augusto de Mendonça Lobo (1850–1913), estava completamente dominada pelos republicanos, especialmente os jovens militares.

Foi a um deles – o tenente José Joaquim Firmino, o mais jovem dos oficiais e seu genro – que Mendonça confiou a missão de abrir a picada até o Rio Paraná.

Os trabalhos de abertura do caminho entre Guarapuava e o Rio Paraná começaram no dia 25 de novembro de 1888. A missão, formada por militares, mateiros e “índios mansos”, do ramo Kaingangue, passava a descampar uma largura de três metros.

Um tiro no imperador

A picada tem início em Chagu (ou Xagu), a cerca de l20 quilômetros a Oeste de Guarapuava, localidade conhecida então por Boca do Sertão e a partir daí assinalada pela expedição por Boca da Picada.

Chagu no futuro será Laranjeiras do Sul, capital do Território Federal do Iguaçu. Dali parte a missão que abre a facão a “estradinha” de três metros de largura.

A expedição militar pioneira segue rumo às barrancas do Rio Paraná por todo o primeiro semestre de 1889, sob o comando do tenente republicano José Joaquim Firmino.

Por onde passava, os acidentes geográficos ainda sem nome (na verdade, com nomes indígenas desprezados) eram batizados por Firmino com referências revolucionárias republicanas.

Enquanto Firmino e sua equipe marchavam rumo ao Rio Paraná, em 15 de julho de 1889, Pedro II sofre um atentado ao sair de uma apresentação teatral no Rio de Janeiro.

Ouve-se um grito de “Viva a República!” seguido por um tiro. Naquele momento, após sete meses e vinte dias de marcha, o tenente Firmino montava acampamento na futura Foz do Iguaçu.

Republicanos tomam o poder

Em setembro, nos últimos suspiros do Império, partia de Guarapuava a segunda expedição rumo à fronteira, agora com a missão de fundar a Colônia Militar do Iguaçu.

Enquanto esta segunda expedição marchava pelas matas do remoto interior paranaense, em 15 de novembro de 1889 um golpe militar vem alterar o regime político do País. É o fim do Brasil Império e o começo do Brasil República.

Ao chegar às barrancas do Rio Paraná, a missão enviada pela Comissão Estratégica já não era mais imperial: os jovens militares já podiam dar a marca republicana à conquista sem o risco de subversão política.

Alheia aos acontecimentos no Rio de Janeiro, a Colônia Militar do Iguaçu, hoje Foz do Iguaçu, instalou-se ainda em novembro de 1889.

A primeira anotação sobre o contingente populacional da região foi o censo promovido pelos militares logo ao iniciar os procedimentos para a formação da Colônia Militar.

 9 brasileiros e um inglês

A população apurada era predominantemente paraguaia, com 212 indivíduos. Seguiam-se 95 argentinos, 5 franceses, 2 espanhóis e um inglês, num total de 324 habitantes, dos quais apenas 9 eram brasileiros.

A regra para se estabelecer na região da Colônia Militar era prestar serviços aos militares em troca da propriedade.

Com a República, as terras devolutas passaram a ser domínio do Estado em que estavam situadas. Para a União ficava apenas a parcela do território indispensável à defesa das fronteiras, às fortificações, às construções militares e às vias ferroviárias federais.

Cresce, dessa maneira, o interesse das lideranças estaduais paranaenses em estabelecer sua influência sobre todo o amplo território da ex-Província, o que intensifica os atritos com Santa Catarina, paralelos a outra pendenga importante, ligada ao litígio com a Argentina – a Questão de Palmas ou, para os argentinos, Misiones.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Alceu Sperança
Alceu Sperança
Sobre Jornalista e escritor.
Cascavel - PR Atualizado às 13h52 - Fonte: ClimaTempo
32°
Pancada de chuva

Mín. 18° Máx. 32°

Qua 28°C 20°C
Qui 34°C 20°C
Sex 24°C 19°C
Sáb 21°C 17°C
Dom 23°C 15°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes
Ele1 - Criar site de notícias