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Política Eleições 2020

Que tundão!

O que explica essa votação histórica de Marcio Rauber para prefeito de Marechal Cândido Rondon

16/11/2020 09h36 Atualizada há 2 semanas
Por: Jadir Zimmermann
Resultado final da eleição para prefeito de Marechal Cândido Rondon
Resultado final da eleição para prefeito de Marechal Cândido Rondon

Lembro como se fosse ontem, em 2008, quando Moacir Froehlich (MDB) foi eleito prefeito de Marechal Cândido Rondon com uma votação considerada histórica. Somou 19.366 votos (68,69%) contra apenas 7.787 (27,66%) de Dieter Seyboth e 1.030 (3,65%) de Maicon Palagano. Na época, carros desfilaram pela cidade com um adesivo: “Que tundão!”.

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Neste domingo (15), Marcio Rauber (DEM) devolveu a “tunda de laço”, expressão gauchesca que significa que o outro apanhou bastante. E a surra de votos foi com laço dobrado. Foram 22.316 votos (79,71%) contra 3.763 (13,44%) de Josoé Pedralli, 1.161 (4,15%) de Lair Bersch, e 757 (2,70%) de Luciano Palagano. A diferença de Marcio para o segundo colocado, Pedralli, deu 18.553 votos, quase a votação total de Moacir em 2008. 

Ou seja, não foi só a maior votação da história do município, com quase 80% dos votos, mas também a maior diferença entre o primeiro e o segundo colocados. Dificilmente alguém conseguirá bater estes números. 

CLIQUE AQUI e veja as votações de prefeito e vereador em Marechal Cândido Rondon.

Por quê?

Muitas pessoas, especialmente entre aqueles que gostam de política, procuram argumentos para explicar ou até tentar justificar essa votação histórica. Mas, a explicação é bem simples e se resume a apenas dois aspectos:

1) Aprovação incontestável do governo Marcio e Ila.

2) O colapso da oposição.

Marcio procurou atender as primeiras necessidades da população. Fez uma gestão voltada a resolver as questões pontualmente. Priorizou saúde e infraestrutura. Foi cirúrgico nisso.

Apesar de fama de carrancudo, de ser de poucos sorrisos, sempre deu respostas claras e objetivas aos pleitos das pessoas. Se dava para dizer “sim”, falava “sim”. Quando a questão era inviável ou não era prioridade, não fazia rodeios para negar. Isso é positivo, se avaliarmos que a população está cansada de ser “enrolada”. Defendeu um governo pautado pela legalidade, mesmo que antipático em algumas situações. Parece que deu certo. 

Se administrativamente foi eficiente, no campo político também mostrou muita habilidade. Quando, no meio do mandato, perdeu a maioria na Câmara, inclusive a mesa diretiva, foi hábil na articulação. Soube recompor a estrutura política, mesmo tendo que romper com a promessa de campanha de não chamar nenhum vereador para ser secretário. 

Aliás, o único vereador que chamou acabou sendo o mais votado neste domingo: Adriano Backes, com 1.620 votos. 

Além de ser reeleito prefeito, Marcio também garantiu a maioria na Câmara. Serão 8 vereadores contra 5 da oposição. O Democratas elegeu a maior bancada. Além de Backes, estão reeleitos o vereador Sauer (1.432 votos), Pedro Rauber (1.413) e Gordinho do Suco (1.293). São novos o Sargento Dionir (946) e Suko (807). Já o PL, reelegeu Portinho (605 votos) e o novato Rafael Heinrich (716). 

Oposição

Por outro lado, a oposição tradicional, leia-se o MDB, PSD, PP, PDT e Cidadania, vive momentos de angústia. Não incluo neste grupo o PSOL, de Luciano Palagano (757 votos), que historicamente se movimenta sozinho nas eleições municipais. 

A desarticulação da oposição começou já há mais tempo, quando o ex-deputado Ademir Bier resolveu deixar o MDB para tentar uma reeleição mais tranquila no PSD. Não que a culpa seja de Ademir, mas da estratégia, que não deu certo. Além de não conseguir se reeleger deputado, a ação acabou esvaziando e enfraquecendo o MDB de outras lideranças. 

Assim como Ademir, Luiz Carlos Cardoso também acabou migrando para o PSD e teve gente indo para outros partidos, como Arion Nasihgil que foi para o PP, Lair Bersch que foi para o PDT. Aliás, para quem começou a montar o PDT em fevereiro, a votação de Lair (1.161 votos) não foi tão ruim assim. 

O que era a promessa de uma nova força partidária no município, o PSD fracassa nos dois primeiros pleitos. Não reelege Ademir Bier em 2018 e fica apático na eleição de 2020, levantando bandeira branca e somando apenas 1.654 votos para vereador. Não foram suficientes para garantir a legenda e reeleger Ronaldo Pohl (693 votos).

O PP, apesar da bandeira branca que tremulou feito um fantasma durante a apuração, teve nas boas votações de Arion Nasihgil (1.378 votos) e Claudinho (852 votos), bem como nos candidatos medianos, como Carlinhos Silva (588 votos), Meri Souza (319), Elias Glassmann (314) e Nice (222) a garantia de duas vagas no Legislativo. 

Já o MDB elegeu uma bancada totalmente renovada para a Câmara, o que abre a perspectiva de que talvez o partido possa se reorganizar politicamente como fez o Democratas após 2012, quando elegeu apenas Marcio Rauber para vereador. 

Com a eleição do ex-prefeito Moacir Froehlich (1.007 votos) e dos novatos Juca (811) e Padeiro (705), é hora do MDB fazer uma reflexão do que vem acontecendo nos últimos anos para tentar retomar o seu protagonismo na política rondonense. 

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Sobre o município
Marechal Cândido Rondon é um município do Oeste do estado do Paraná. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, é de 52.944 habitantes. Possui uma forte influência da cultura germânica, demonstrada na arquitetura e pelo idioma (alemão) ainda muito falado entre os mais velhos. Estima-se que 80% da população seja desta descendência. A economia é baseada na agropecuária e também tem grande destaque na agroindústria.
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