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Flávio Bolsonaro divulga carta nos EUA e promete liderar oposição a Lula

Em documento divulgado nesta quarta-feira (28), o senador agradece a Donald Trump e Javier Milei, questiona o resultado das urnas e anuncia que pretende organizar a oposição ao governo Lula do exterior.

Tissiane Merlak
Por: Tissiane Merlak
28/10/2026 às 19h03
Flávio Bolsonaro divulga carta nos EUA e promete liderar oposição a Lula
Senador agradeceu a Donald Trump e Javier Milei e anunciou que pretende liderar a oposição a Lula do exterior.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que contesta o resultado das eleições presidenciais e afirma que pretende liderar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos. No documento, ele se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, embora tenha sido derrotado nas urnas. 

A publicação ocorreu após a chegada do senador aos Estados Unidos. Na carta, ele agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, e justifica sua saída do Brasil com alegações de perseguição política contra ele e sua família. 

Flávio também faz críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Justiça Eleitoral. Ele afirma que houve fraude na votação, mas não apresenta provas que sustentem a acusação.

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Flávio questiona resultado das urnas

Um dos argumentos apresentados pelo senador envolve a decisão de ampliar o horário de votação em parte das seções eleitorais no segundo turno, realizado no domingo (25). Flávio questiona a medida e atribui a ela a vitória de Lula.

O resultado oficial, porém, confirmou a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O petista recebeu 64.256.232 votos, enquanto o senador teve 59.826.041. 

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A ampliação do horário ocorreu em meio a dificuldades de deslocamento enfrentadas por eleitores. A medida, por si só, não comprova a existência de fraude eleitoral.

Carta menciona perseguição política

No documento, Flávio afirma que deixou o país por considerar que ele e sua família são alvos de perseguição política. O senador menciona possíveis medidas judiciais, como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.

Ele também cita o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e acusa integrantes do Judiciário de agir politicamente contra seus adversários. As afirmações fazem parte da versão apresentada pelo senador na carta.

Flávio compara sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio ou atuaram politicamente fora de seus países, entre elas Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó e María Corina Machado.

Senador promete mobilizar oposição no exterior

Na parte final do documento, Flávio afirma que pretende manter a mobilização política mesmo fora do Brasil. Ele anuncia que apresentará uma estratégia para reunir apoiadores e organizar a oposição ao governo Lula por meios que classifica como pacíficos e legítimos.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu o senador, ao defender a continuidade de sua atuação política.

O texto também traz um apelo a parlamentares, governadores e à comunidade internacional para que se posicionem diante do cenário político e institucional descrito por ele.

Versões da carta apresentam diferenças

A primeira versão do documento divulgada nesta quarta-feira trazia a declaração de que Flávio era o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto também incluía um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação histórica adotada após a Proclamação da República, em 1889.

Posteriormente, uma nova versão foi encaminhada à imprensa com o brasão atualizado, identificado como “República Federativa do Brasil”. A carta circulou por meio de aliados do senador, entre eles o influenciador Paulo Figueiredo. 

A publicação marca uma nova manifestação política de Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral e indica que ele pretende continuar a disputa com o governo Lula a partir dos Estados Unidos.

 

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