

A preservação dos organismos que vivem no solo pode ajudar a reduzir os gastos com fertilizantes e defensivos, além de aumentar a produtividade das lavouras. É o que aponta um estudo da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), que acompanha áreas agrícolas em seis regiões do Paraná desde 2018.
A pesquisa mostra que minhocas, insetos, fungos e bactérias desempenham funções importantes para o equilíbrio do solo. Esses organismos decompõem restos de culturas, reciclam nutrientes e ajudam as plantas a absorver os elementos necessários para o desenvolvimento.
O trabalho integra o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (Napi-Prosolo), com apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária.
Segundo o pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, doutor em Agronomia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a diversidade de organismos influencia diretamente a eficiência da produção agrícola.
A atividade biológica também pode contribuir para diminuir a necessidade de insumos externos, como adubos químicos, herbicidas e fungicidas, reduzindo os custos de produção.
Desde 2018, os pesquisadores monitoram áreas com e sem terraços agrícolas em seis regiões do Paraná. O objetivo é avaliar como as práticas de conservação influenciam a vida existente no solo.
Os terraços são estruturas que reduzem o escoamento da água da chuva e favorecem a infiltração no terreno. Com isso, ajudam a evitar que a enxurrada carregue terra, nutrientes e defensivos para rios e outras áreas.
De acordo com Colozzi Filho, a ausência dessas estruturas pode provocar três tipos de perdas: de nutrientes, por erosão química; de solo, por erosão física; e de organismos, por erosão biológica.
Nas áreas com terraceamento, a pesquisa identificou maior atividade biológica e aumento na quantidade de fungos benéficos associados às raízes das plantas.
Em Toledo, o número de esporos de espécies de Fungos Micorrízicos Arbusculares foi 117% maior nas áreas com terraços. Em Dois Vizinhos, o aumento chegou a 39%, enquanto em Cambé foi de 14%.
Esses fungos estabelecem uma relação de simbiose com as plantas, colonizando as raízes e ampliando a capacidade de absorção de nutrientes.
Plantio direto também favorece a vida no solo
Além do terraceamento, o plantio direto é apontado pelo estudo como uma prática importante para preservar os organismos.
A manutenção da palhada sobre a terra ajuda a controlar a temperatura e conservar a umidade. O menor revolvimento também preserva as raízes que permanecem no solo após a colheita, criando condições favoráveis para a atividade de minhocas, fungos e bactérias.
O sistema de plantio direto envolve ainda a rotação de culturas e o cultivo em nível. Quando combinado com o terraceamento, forma um conjunto de práticas voltadas à conservação do solo.
A pesquisa também identificou diferenças entre as regiões. Em áreas com solos mais arenosos, como no Noroeste do Paraná, a atividade biológica tende a ser menor em razão das características do solo e do clima.
O estudo é coordenado por Arnaldo Colozzi Filho e conta com a participação de pesquisadores do IDR-Paraná, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Unicesumar, Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Dois Vizinhos.