

O AI Brasil Experience reuniu mais de 10 mil pessoas na quarta-feira (28) e na quinta-feira (29), no Distrito Anhembi, em São Paulo, para discutir o avanço da inteligência artificial e as mudanças que a tecnologia provoca nas empresas, no trabalho e na sociedade. Organizado pela comunidade AI Brasil, o evento teve mais de 150 apresentações de especialistas, empresários e pesquisadores, distribuídas em cinco arenas.
A programação tratou de temas como produtividade, retorno sobre investimentos em tecnologia, agentes de inteligência artificial, governança, segurança, desenvolvimento de software, educação, saúde, varejo, comércio eletrônico e novas profissões.
Na palestra de abertura, o fundador do AI Brasil, Pedro Chiamulera, afirmou que o trabalho de instituições, pesquisadores e empreendedores brasileiros pode gerar resultados de alcance internacional. “Temos competência para desenvolver tecnologia de ponta e participar das transformações que estão definindo o futuro da inteligência artificial”, disse.
O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) teve arena própria no evento e lançou o CEIA Lumi, modelo de IA desenvolvido para a língua portuguesa e adaptado ao contexto brasileiro. A ferramenta é gratuita, tem código aberto e permite que empresas criem soluções próprias a partir dela.
Segundo o diretor de Internacionalização e Inovação Aberta do CEIA, Arlindo Galvão, infraestrutura, integração e acesso a recursos ainda dificultam a transformação da tecnologia em resultados nas empresas. “Precisamos superar essa barreira e colocar o Brasil na posição de produtor de tecnologia, e não apenas de consumidor de soluções estrangeiras”, afirmou. A proposta do modelo é funcionar em infraestrutura própria, sem exigir grandes estruturas ou dependência de recursos de nuvem.
O público participou de laboratórios sobre criação audiovisual, desenvolvimento de aplicativos, agentes, integração de ferramentas e segurança de sistemas. Na Arena de Robôs, robôs humanoides disputaram partidas de futebol usando visão computacional e tomada de decisão em tempo real. Outro espaço, a Vila Confi, reuniu debates sobre comércio eletrônico, varejo, logística reversa, venture capital e Black Friday.
Entre os palestrantes estiveram o professor e escritor Clóvis de Barros Filho, a empresária Cris Arcangeli, Alex Szapiro, do SoftBank, e Guilherme Horn, do WhatsApp. Na palestra que encerrou o primeiro dia, Clóvis defendeu que a tecnologia deve ser avaliada também pelo que permite às pessoas realizarem e experimentarem.
A competição de negócios AI Shark Race, apresentada por João Appolinário, premiou a Kalidash com uma mentoria estratégica com o professor Anderson Soares, oferecida pelo AI Brasil, e uma jornada completa do método Pole Position, da LIAHUB.ai, no valor de R$ 150 mil.