
Segundo a Covitel 2023 (levantamento nacional sobre a saúde da população brasileira), 26,8% dos adultos entrevistados relataram diagnóstico médico de ansiedade. Entre as mulheres, esse percentual chegou a 34,2%.
Mas o que esses números revelam sobre a maneira como estamos vivendo?
Vivemos em uma sociedade que valoriza rapidez, produtividade e antecipação. Planejamos, prevemos problemas e buscamos garantias na tentativa de evitar resultados indesejados. Talvez, nessa busca por segurança, estejamos transformando o controle em uma necessidade emocional.
Afinal, quando tentar controlar tudo deixa de ser proteção e passa a alimentar a própria ansiedade?
Imagine uma situação de muita pressão. Você tenta encontrar uma solução, mas já não consegue acompanhar os próprios pensamentos. O coração acelera, as mãos suam e surge a sensação de que você precisa sair dali.
Nosso organismo possui mecanismos preparados para reagir diante de ameaças. Nesses momentos, diferentes respostas físicas e emocionais são acionadas para nos preparar para agir. O problema é quando esse estado de alerta passa a ser acionado repetidamente, inclusive diante de situações que ainda nem aconteceram. É como uma orquestra em que vários instrumentos começam a tocar ao mesmo tempo, mas falta um maestro para organizar o ritmo. Pensamentos, sensações e reações se misturam, e tudo parece urgente ao mesmo tempo.
Na tentativa de evitar o desconforto da incerteza, algumas pessoas passam a conferir, antecipar e controlar tudo. Isso pode trazer alívio imediato, mas também reforçar justamente o comportamento que mantém a preocupação.
Mas como interromper esse ciclo?
O primeiro passo é perceber quando a preocupação deixou de ser uma tentativa de resolução e se tornou uma busca incessante por garantias.
Diante de um pensamento ansioso, experimente perguntar:
“Estou diante de algo que posso resolver agora, com os recursos que tenho, ou estou tentando controlar uma situação que ainda nem aconteceu?”
Essa pergunta traz a mente de volta ao que é real e possível no presente. E isso é treinável. Pequenas mudanças na maneira como respondemos aos nossos pensamentos podem construir novos padrões de comportamento.
Talvez o maior desafio não seja impedir que o futuro nos preocupe, mas aprender a não viver antecipadamente aquilo que ainda não aconteceu.
Afinal, quanto do seu presente você tem sacrificado tentando controlar um futuro que ainda não chegou?
Andressa Rigon
Especialista em Desenvolvimento Emocional | Analista Comportamental