
Você está diante de um iceberg. Imenso. Gelado. Aparentemente intransponível.
Talvez ele tenha o nome de uma dívida, de uma perda, de um relacionamento difícil ou do medo do amanhã. Em meio às incertezas econômicas do nosso país, talvez quantas famílias temam não conseguir pagar suas contas?
Mas, antes mesmo de encontrar uma saída, sua mente anuncia: “Não vou conseguir.”
Começa então uma sucessão frenética de pensamentos. Cenários catastróficos. Tragédias que sequer aconteceram. E você começa a se afogar nas próprias previsões.
A batalha começou. Mas você conhece seu adversário? Conhece o campo onde está lutando?
Uma antiga sabedoria ensina: “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.” E se examinássemos não apenas o que vemos, mas como aprendemos a enxergar?
Desde a infância, aquilo que vimos, ouvimos e experimentamos participa da construção de nossas crenças e comportamentos. Muitos se tornam automáticos.
E aqui entram os pequenos aceites que damos à nossa mente.
“Não sou capaz.” “Sempre foi assim.” “Não existe saída.”
Um pensamento surge. Uma experiência parece confirmá-lo. Depois outra. Até que uma interpretação passa a ocupar o lugar de verdade.
Sua boca a proclama. Suas escolhas a refletem. E caminhos deixam de ser considerados, não porque sejam impossíveis, mas porque você aprendeu a acreditar que não conseguiria percorrê-los.
A neuroplasticidade nos mostra que o cérebro pode reorganizar conexões por meio da aprendizagem. E a interação entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico revela que nossas experiências emocionais também participam das respostas do organismo. Até o efeito placebo demonstra que expectativas podem influenciar determinados sintomas.
Mas atenção: pensamentos não curam doenças, nem pensar positivo elimina problemas reais.
O iceberg existe. A dor também.
A questão é: seus pensamentos representam todas as possibilidades?
Experimente uma estratégia. Acrescente uma palavra às suas certezas:
SERÁ?
“Não vou conseguir.” Será?
“Minha vida sempre será assim.” Será?
“Não existe outro caminho.” Será?
Conhecer seu adversário não significa declarar guerra contra si mesmo. Significa reconhecer os padrões que o aprisionam.
Talvez sua armadura tenha sido necessária para sobreviver a tantas batalhas. Mas será que ela ainda protege ou também limita seus movimentos?
Você pode reconhecer um pensamento e dizer:
“Eu sei que você está aí, mas escolho viver apesar de você.”
Um passinho de cada vez.
Afinal, será que você esgotou todas as possibilidades ou contínua mergulhado em pensamentos que aprendeu a chamar de verdades?