
O Sistema FAEP alertou para o risco de falta de diesel para o agronegócio do Paraná diante das tensões no Oriente Médio e da possibilidade de impactos no fornecimento internacional de petróleo e derivados. Segundo a entidade, sindicatos rurais já relatam dificuldade de abastecimento em entrepostos no interior do Estado, combustível considerado essencial para a produção mecanizada no campo.
A preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na região já provoca reflexos no mercado internacional de energia, com impactos nos preços dos combustíveis utilizados em diversos setores da economia.
“O diesel é um insumo estratégico para o agronegócio. Ele está presente em praticamente todas as etapas da produção e também no transporte daquilo que é produzido no campo”, afirmou Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP. “Já temos relatos dos nossos sindicatos rurais de que o combustível está faltando nos entrepostos no interior do Paraná”, acrescentou.
Levantamento do Departamento Técnico, Econômico e Legal (DTEL) do Sistema FAEP aponta que 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira é proveniente de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. O combustível abastece máquinas agrícolas e sustenta parte da logística de transporte da produção.
Segundo Meneguette, a instabilidade no mercado internacional pressiona os custos e pode gerar dificuldades operacionais no campo, já que o agronegócio depende diretamente de energia para manter as atividades.
No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos utilizados na produção agropecuária. Para abastecer a frota de caminhões, o país depende do mercado externo, já que 29% do diesel consumido é importado.
A escassez ou o aumento do preço do diesel pode provocar efeitos diretos no agronegócio, como elevação dos custos de produção e aumento do valor do frete rodoviário. Também existe o risco de atrasos em etapas do calendário agrícola, como plantio e colheita.
No Paraná, esses impactos podem ser mais intensos devido ao alto nível de mecanização no campo. Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a colheita.
Cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produção de leite também dependem de fluxos logísticos contínuos, que exigem abastecimento regular de combustível.
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