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Cursos de arte da Academia Alfredo Andersen reúnem amadores e especialistas

Com mais de 350 alunos matriculados, a instituição reúne diferentes pessoas com um objetivo em comum: tornar a arte parte da vivência diária. De u...

11/03/2026 às 12h17
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Anderson Tozato/SEEC
Foto: Anderson Tozato/SEEC

A Academia Alfredo Andersen inicia suas atividades em março com uma nova proposta educacional. A partir deste ano, foram abertas vagas apenas nas turmas iniciantes, com o objetivo de proporcionar aos alunos se aperfeiçoarem dentro da instituição em quatro etapas: iniciante, avançado, processos e poéticas, um ensino único e alinhado com o propósito de desenvolver a linha artística de cada um..

Em resposta ao novo sistema educacional, neste ano houve um aumento de 25% da entrada de novos alunos e abertura de mais turmas para comportar a grande procura pelas aulas, que leva o ensino das artes gratuito e de qualidade para os moradores da Grande Curitiba.

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Com mais de 350 alunos matriculados, a instituição reúne diferentes pessoas com um objetivo em comum: tornar a arte parte da vivência diária. De universitários a aposentados, alunos e alunas da Academia encontram na argila, tinta óleo, máquinas fotográficas, livros de arte, lápis e outros materiais, um lugar de pertencimento.

É o que afirma Ana Luiza Burger, aluna da turma intermediária de Pintura. Estudante de Design, aos 23 anos descobriu uma nova paixão durante as aulas. “Eu sempre quis pintar roupas, porque era apaixonada por moda. Mas quando cheguei na Academia descobri técnicas e conceitos que não apenas aprimoraram minha pintura, mas abriram meus olhos para uma sensibilidade artística muito maior do que eu imaginava”, afirma.

A Academia também é espaço para retomar o interesse pela arte. Mariana Artem Miranda, também da turma intermediária de Pintura, explica que após os 40 anos, com filhos e uma carreira, sua inclinação artística havia ficado na sala de espera. “Sempre quis pintar, mas a correria da vida me deixava longe dessa paixão”, diz. No entanto, após conhecer a instituição pelas redes sociais, inscreveu-se no curso e agora, em seu segundo ano como aluna, sente que a afeição pela arte se aflorou novamente.

“Aqui é um espaço diferente. Eu poderia estar em casa pintando, mas aqui, com o cheiro da tinta que eu adoro, compartilhando com colegas e ouvindo de outros artistas, fica maravilhoso. Porque faz a gente olhar pra fora e enriquece nosso repertório”, completa. E agora ela passa essa paixão para frente, levando sua filha para conhecer o atelier e visitar o Museu Casa Alfredo Andersen.

Para aqueles que enxergam a arte como campo de atuação, a Academia também é lugar para começar essa jornada. Renan Gabriel Ribeiro, de 30 anos, é calouro da turma de Fotografia. Neste ano de 2026 decidiu se dedicar ao aprendizado desta arte, e se inscreveu na instituição por reconhecer que terá o auxílio necessário para amadurecer suas técnicas e linha artística, além de ser um espaço acessível.

“Meu interesse por fotografia não é de agora, mas nunca tive a oportunidade de estudar pela barreira financeira. Essa oportunidade que a Academia abre, justamente por criar esse espaço com cursos gratuitos, é essencial. São iniciativas como esta que tornam a arte parte da vida de qualquer um”, diz.

Para aqueles que já atuam no meio artístico, a Academia é espaço de aprimoramento e novas perspectivas. Mariana Lima, de 25 anos, é ceramista há oito anos e dá aulas de Cerâmica, porém é na turma de Linguagens Poéticas que consegue expandir sua pesquisa artística própria e dialogar com outros artistas. “É como se fosse uma terapia, a aula faz a gente enxergar nós mesmos e como refletir isso no nosso trabalho na cerâmica. Então, é muito mais intenso o processo, é muito mais profundo”.

Mariana busca trabalhar com sentimentos ligados à infância, traduzidos na argila. Por isso, as trocas em sala, as rodas de conversa com outros artistas e a mão firme da professora são essenciais para o progresso artístico. “É algo que não vejo em outros ateliês. A professora sabe quando estamos trabalhando com questões sensíveis e nos provoca a continuar explorando esses sentimentos. Por isso, quando tenho alunos que se interessam pela cerâmica artística, sempre indico que se inscrevam na Academia Alfredo Andersen”, afirma.

Aos que dedicaram sua vida à arte, a Academia pode ser espaço de novas descobertas. Ana Maria Schneider dedicou sua vida como professora de piano, e agora, aos 71 anos, explora nos cursos novas possibilidades artísticas. “Já me inscrevi em diversas turmas aqui e aprendi muito, tenho ânimo pra isso”, diz. Em 2026 Ana Maria conclui o curso de Cerâmica e afirma que as trocas ali são ganhos equivalentes. “Trago um pouco de cada um comigo e contribuo com um pouco de mim para os outros”.

LEGADO DO ARTISTA– Alfredo Andersen recebeu o título de pai da pintura paranaense não apenas por sua produção artística mas, principalmente, pelo seu papel fundamental como professor. Entre 1902 e 1935, ano de seu falecimento, ele manteve seu ateliê aberto e deu aulas que formaram a maioria dos pintores paranaenses mais importantes do século XX. Após sua morte, a tradição de ensino foi continuada por seu filho, Thorstein Andersen, que assumiu as aulas até 1962 e fundou, em 1940, a Sociedade de Amigos de Alfredo Andersen.

A partir de 1959, as atividades educativas retornaram à antiga casa do artista, na Rua Mateus Leme. Isso ocorreu devido à implementação de um decreto de lei que transformou a propriedade na sede da instituição museal e educativa em homenagem ao mestre. Essa transição oficial garantiu que o espaço físico onde Andersen viveu e trabalhou voltasse a ser o centro de formação de novos talentos, preservando a memória e a finalidade original do imóvel.

Dessa forma, o local consolidou-se como um polo de ensino que atravessou gerações, sendo renomeado em 2019 como Academia Andersen. Desde o início das atividades em 1902 até os dias de hoje, a instituição mantém aulas de diversas linguagens artísticas de forma ininterrupta. Ao longo de mais de um século, o legado de Andersen permanece vivo, tendo formado inúmeros nomes que compõem e fortalecem o campo artístico paranaense.

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