
A acessibilidade dentro das escolas vai muito além da eliminação de barreiras arquitetônicas. Recursos pedagógicos, tecnológicos, humanos e comunicacionais têm se tornado cada vez mais essenciais para garantir a participação, permanência e aprendizagem não só aos mais de 110 mil estudantes da educação especial como a todos os alunos da rede estadual de ensino do Paraná.
No Dia Internacional de Conscientização sobre a Acessibilidade, celebrado nesta quinta-feira, 21 de Maio, a Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR) destaca ações desenvolvidas para fortalecer uma educação mais inclusiva e acolhedora.
Para o secretário estadual de Educação, Roni Miranda, as iniciativas implementadas pela rede estadual buscam atender a necessidades em diversas frentes. “São adaptações de avaliações, tecnologias assistivas, formação continuada de professores, atendimento educacional especializado e medidas voltadas ao acolhimento sensorial dos estudantes, fazendo com que eles se sintam confortáveis em todas as atividades pedagógicas”, explica.
Na rede estadual de ensino, cerca de 71 mil alunos têm algum tipo de transtorno funcional específico, como dislexia e TDAH, além de estudantes com TEA, deficiência intelectual e alunos com altas habilidades/superdotação (mais de 11 mil estudantes). Uma das medidas orientadas pela Seed-PR é a substituição de sinais escolares estridentes por sons mais suaves nas unidades da rede. A medida tem como objetivo tornar o ambiente escolar mais confortável para estudantes com sensibilidade auditiva, especialmente para os cerca de 17 mil estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Em algumas escolas, os tradicionais sinais sonoros vêm sendo substituídos por músicas, alarmes menos agressivos ou outros formatos adaptados à realidade da comunidade escolar.
Na Escola Estadual de Educação Especial Lucy Requião Mello e Silva, em Curitiba, que conta com cerca de 170 alunos, a adaptação foi realizada de forma gradual. Inicialmente, segundo a diretora Edimara das Graças Aguirre Zanocini, os estudantes passaram por um processo de familiarização sonora até a implementação da harmonização acústica na unidade.
“Começamos de forma lenta e gradativa, para que eles fossem se acostumando aos sons. Hoje, utilizamos músicas temáticas para sinalizar a troca de aulas, como canções de Dia das Mães, Festa Junina e Natal. Foi um processo pensado no acolhimento dos estudantes e hoje é um sucesso dentro da escola”, afirma.
No Colégio Estadual Pio Lanteri, também na Capital, a adaptação sonora já faz parte da rotina escolar. Segundo o diretor, Luiz Seleme, a escola utiliza, desde 2012, a introdução de uma música para sinalizar os horários de troca de aula. “Usamos a introdução de uma música que toca por cerca de 20 segundos para o sinal. Os alunos já estão habituados. É um rock brasileiro, que acabou virando uma tradição aqui na escola ao longo dos anos”, relata.
O colégio conta com mais de dez alunos com sensibilidade auditiva. “Substituímos a sirene tradicional por música para criar um ambiente mais acolhedor, reduzir o estresse e hoje isso promove a inclusão e conforto dos nossos alunos com Transtorno do Espectro Autista, Síndrome de Down e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)”, acrescenta o diretor.
ALÉM DAS RAMPAS- Para a coordenadora pedagógica de Educação Especial da Seed-PR, Claudia Camargo, a acessibilidade precisa ser pensada de forma ampla dentro do ambiente escolar. “A acessibilidade vai além das questões de rampa e de materiais adaptados. É preciso também ter atenção aos estímulos sensoriais presentes na escola, como sinais sonoros estridentes e excesso de ruídos, que podem impactar significativamente a participação e o bem-estar do estudante público da educação especial no ambiente escolar”, destaca.
As ações desenvolvidas pela rede estadual também dialogam com a Lei Estadual nº 21.964/2024 , sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em fevereiro de 2024, que reforça diretrizes de promoção da acessibilidade, inclusão e garantia de participação das pessoas com deficiência em diferentes espaços da sociedade. No ambiente escolar, as medidas buscam assegurar não apenas o acesso à educação, mas também condições adequadas de permanência, aprendizagem e acolhimento dos estudantes.
AVALIAÇÃO ACESSÍVEL- Além das mudanças no ambiente escolar, a Seed-PR também investe em avaliações acessíveis para garantir que os estudantes tenham acesso aos conteúdos respeitando suas necessidades específicas. Atualmente, para atender aos mais de 2 mil alunos com baixa visão e mais de 150 com cegueira, a rede disponibiliza provas em Braille, avaliações com fonte ampliada e superampliada, versões em TXT para leitores de tela e provas em vídeo em Libras.
A rede também disponibiliza tecnologias assistivas, comunicação alternativa, tablets e ferramentas digitais de apoio pedagógico, além da atuação de professores de apoio e profissionais especializados que acompanham os estudantes no processo de aprendizagem.
Os recursos de acessibilidade e apoio pedagógico são adaptados conforme as necessidades de cada público. Estudantes com deficiência visual, por exemplo, contam com materiais em Braille, fontes ampliadas, leitores de tela e recursos ampliados para baixa visão. Já estudantes surdos ou com deficiência auditiva têm acesso a intérpretes de Libras, provas em vídeo e acompanhamento especializado.
MAIS MEDIDAS -A inclusão também passa pela formação dos profissionais da educação. A Seed-PR promove formações continuadas voltadas a práticas inclusivas, Atendimento Educacional Especializado (AEE), tecnologias assistivas, comunicação alternativa e adaptação curricular, fortalecendo o preparo das equipes pedagógicas para atender diferentes perfis de estudantes. Atualmente, cerca de 60 mil estudantes matriculados na rede estadual são atendidos por esses profissionais no Paraná.
Além dos recursos físicos e tecnológicos, a acessibilidade também envolve aspectos comunicacionais e atitudinais. Nesse contexto, as escolas estaduais desenvolvem práticas de acolhimento e conscientização para fortalecer a participação social dos estudantes e combater o capacitismo dentro do ambiente escolar.
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