
O esporte comunitário consolidou-se como pilar para a formação cidadã e inclusão social em Cascavel, no bairro Santa Cruz, onde a Associação Beneficente Ágape Assistência Social, mantém o projeto Viver, que oferece treinos gratuitos de artes marciais e apoio pedagógico para cerca de 80 crianças e adolescentes nas modalidades de kickboxing e jiu-jitsu.
Conduzido no espaço da Igreja Batista, o projeto tem a manutenção viabilizada pela própria igreja, com aulas ministradas pelo professor Ariel Scandoleiro e pela professora Manuela Nunes. A iniciativa conta também com a parceria da equipe Anjos do Combate, que apadrinha a associação e apoia a participação dos alunos em torneios oficiais.

Os frutos dessa preparação foram colhidos no Paranaense de Kickboxing, em Maringá. Unindo forças, os projetos locais levaram mais de 30 atletas e conquistaram o vice-campeonato geral do Estado, trazendo 29 medalhas de ouro e diversas de prata. Desse total, as 14 crianças do projeto Viver faturaram entre 12 e 13 medalhas de ouro e três de prata.
Mariana Nunes, que tem 15 anos de experiência no kickboxing e cinco dedicados ao ensino infantil, apontou que lidar com a frustração da derrota é uma das partes mais complexas do trabalho, exigindo um acolhimento essencial para a permanência dos jovens no esporte.
O pastor Luiz Bucholz destacou o papel pedagógico e social da iniciativa diante das dificuldades que os jovens enfrentam no cotidiano. "A arte marcial trabalha muito essa questão da disciplina e do respeito, que hoje a gente vê que as crianças têm muita dificuldade nas escolas e em suas casas."
Ele enfatizou que o foco principal é dar uma nova perspectiva para a juventude local. "A ideia é a gente estar sempre motivando essas crianças porque, queira ou não queira, a gente tira da rua. A maioria é de uma dificuldade social um pouco maior."
Os benefícios também se estendem à saúde física e à inclusão de alunos neuro divergentes, como uma aluna com autismo nível um que apresentou evolução extraordinária no tatame. "O esporte faz muita diferença. O que se gasta em esporte hoje, economiza-se em saúde no futuro, seja com hospital ou com remédio. Eu vejo uma melhora muito grande," concluiu.
Apesar dos excelentes resultados, os coordenadores enfrentam barreiras como custos de deslocamento e o envolvimento familiar. Mariana Nunes detalhou os obstáculos dessa relação: "Trabalhar com criança, a maior dificuldade é que a gente trabalha com os pais. Nem sempre a gente consegue alcançar o sucesso porque depende do apoio da família," afirma.
O horizonte competitivo do projeto permanece movimentado. Todos os atletas que subiram ao pódio garantiram vaga no Campeonato Brasileiro de Kickboxing, em Curitiba, no início do próximo mês. No âmbito internacional, a equipe celebra a convocação de três atletas para o Campeonato Mundial na Itália: Lucas, João e a multicampeã Vitória Camargo.
Ao encerrar, Mariana Nunes deixou um apelo emocionado para que as famílias incentivem a prática esportiva: "Leve as crianças para o esporte, seja qualquer esporte. O esporte salva vidas e eu sou uma pessoa que foi salva pelo esporte. Já vi muita gente saindo de caminhos ruins.”
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