
Em meio ao forte crescimento econômico e populacional do Oeste do Paraná, a Copel Distribuição afirma viver uma fase de ampliação histórica da infraestrutura elétrica para acompanhar a expansão da região. O diretor-geral da companhia, Marco Antônio Vilela de Abreu, destaca investimentos bilionários, novas subestações, modernização da rede e até a criação de uma escola de eletricistas em Cascavel como parte da estratégia para fortalecer o sistema energético regional. Segundo ele, o Oeste se tornou uma das áreas mais desafiadoras e estratégicas para a empresa, impulsionado pelo avanço do agronegócio, da industrialização e da explosão da geração de energia solar, exigindo adaptações constantes para garantir estabilidade e qualidade no fornecimento de energia.
A queda da Copel Distribuição no ranking nacional de qualidade da Aneel, no entanto, reacendeu o debate sobre a capacidade da companhia de acompanhar o crescimento acelerado da demanda energética no Paraná, especialmente na região Oeste, uma das áreas que mais expandem consumo, geração distribuída e atividade agroindustrial no país. Vilela rebateu críticas sobre suposta piora nos serviços após a privatização da companhia e afirmou que a empresa atravessa um dos maiores ciclos de investimento de sua história, com foco na modernização da rede, ampliação da infraestrutura e reforço das equipes técnicas.
Segundo Vilela, a Copel investiu R$ 5 bilhões nos últimos dois anos e multiplicou duas vezes e meia o volume de aportes em relação ao ciclo anterior. Os recursos foram direcionados para obras estruturantes em todo o Paraná, incluindo a construção de 19 novas subestações, mais de mil quilômetros de linhas de alta tensão e ampliações em outras 88 unidades. O executivo argumenta que o desempenho no ranking da Aneel não significa necessariamente piora na qualidade do fornecimento, mas reflete critérios regulatórios mais rígidos aplicados historicamente à Copel.
Vilela explica que a companhia possui metas mais exigentes que outras distribuidoras e que, embora tenha reduzido o tempo médio de interrupção de energia para cerca de sete horas anuais por consumidor, acabou ficando mais próxima do próprio limite regulatório, o que impactou a posição da empresa na classificação nacional. Ainda assim, segundo o diretor, a Copel segue entre as distribuidoras mais eficientes do país em regiões comparáveis e lidera os indicadores de qualidade no Sul do Brasil.
O diretor também falou sobre o impacto das intempéries climáticas no sistema elétrico. O diretor lembrou episódios recentes de eventos extremos, como enchentes no Rio Grande do Sul e tornados no interior paranaense, para justificar parte da pressão sobre a rede elétrica. A vegetação próxima às linhas de transmissão também aparece como um dos maiores desafios operacionais da companhia. Segundo ele, árvores e galhos já respondem por até 40% das interrupções de energia no estado e, em algumas regiões, esse índice chega a 70%.
Para enfrentar o problema, a Copel anunciou reforço nas ações de poda e roçada, além da ampliação das equipes técnicas. Vilela negou que haja abandono na manutenção da rede ou redução de contratos com empreiteiras. Pelo contrário: afirmou que a empresa enfrenta dificuldade para encontrar mão de obra qualificada diante do aumento expressivo das obras e da expansão do mercado energético no Oeste do Paraná. Como resposta, a companhia prepara a abertura de uma nova escola de eletricistas em Cascavel, iniciativa que priorizará a formação de trabalhadores da própria região.
Sobre a relação da companhia com as empreiteiras responsáveis pelos serviços de campo. O diretor reconheceu que os contratos atuais ainda seguem um modelo herdado da época em que a Copel era estatal, mas afirmou que a empresa passa por uma reformulação para adaptar as regras ao ambiente privado, com novas licitações e contratos de longo prazo. Segundo ele, a companhia busca parceiros mais estruturados e mecanismos de cobrança mais rigorosos, tanto na qualidade do serviço quanto nas normas de segurança.
Sobre indenizações por danos elétricos, o diretor afirmou que a Copel segue rigorosamente as regras definidas pela Aneel e negou que a empresa aplique descontos por depreciação de forma arbitrária. Segundo ele, sempre que houver comprovação de responsabilidade da distribuidora, os ressarcimentos são realizados dentro dos prazos regulatórios. Em paralelo, a companhia também busca cobrar judicialmente responsáveis por acidentes que causem danos à rede elétrica.
A crescente presença da geração distribuída, especialmente dos sistemas de energia solar, apareceu como um dos principais desafios técnicos para o futuro da rede elétrica no Paraná. Vilela afirmou que o estado lidera a expansão de telhados solares no Brasil e revelou que o crescimento da microgeração superou em muito as previsões feitas pelo setor elétrico. Em vez de uma expansão de uma vez e meia nos últimos anos, o avanço chegou a nove vezes o esperado.
Segundo ele, esse crescimento provoca fenômenos como o fluxo reverso de energia, quando a eletricidade excedente retorna à rede em volumes acima da capacidade originalmente projetada. O diretor também alertou que muitos consumidores ampliam seus sistemas solares sem comunicar a Copel, aumentando o risco de sobrecarga, instabilidade e danos para outros usuários. A companhia, segundo ele, ampliou a fiscalização e realiza obras de adaptação da rede para absorver essa nova realidade energética.
As dificuldades no meio rural também ganharam destaque. Vilela reconheceu que consumidores do campo ainda enfrentam maior vulnerabilidade a quedas de energia, principalmente em redes monofásicas antigas instaladas há mais de quatro décadas. O programa Paraná Trifásico, segundo ele, busca justamente modernizar essa estrutura e reduzir interrupções em regiões agrícolas altamente dependentes de energia elétrica para produção de leite, frangos, peixes e armazenamento refrigerado.
O diretor explicou que a Copel analisa casos de prejuízos no agronegócio individualmente e pode ressarcir perdas quando houver comprovação técnica de falha da distribuidora. Casos de mortandade de peixes e interrupções prolongadas em propriedades rurais já estão sendo discutidos inclusive na esfera judicial.
Na avaliação do diretor-geral, o futuro da Copel passa por uma combinação de investimentos pesados, automação da rede, expansão das equipes técnicas e adaptação ao novo cenário energético dominado pela geração distribuída. Ele sustenta que a companhia vive um processo de transformação profundo e que os próximos anos serão decisivos para equilibrar crescimento econômico, estabilidade do sistema e qualidade do fornecimento em um estado que se tornou uma das principais fronteiras energéticas do país.
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