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Copel acelera investimentos no Oeste para enfrentar avanço da demanda

Investimentos bilionários, energia solar e expansão do agro desafiam a modernização da rede, alerta diretor

26/05/2026 às 12h13
Por: Tissiane Merlak
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Geração e fornecimento de energia passam por transformação
Geração e fornecimento de energia passam por transformação

Em meio ao forte crescimento econômico e populacional do Oeste do Paraná, a Copel Distribuição afirma viver uma fase de ampliação histórica da infraestrutura elétrica para acompanhar a expansão da região. O diretor-geral da companhia, Marco Antônio Vilela de Abreu, destaca investimentos bilionários, novas subestações, modernização da rede e até a criação de uma escola de eletricistas em Cascavel como parte da estratégia para fortalecer o sistema energético regional. Segundo ele, o Oeste se tornou uma das áreas mais desafiadoras e estratégicas para a empresa, impulsionado pelo avanço do agronegócio, da industrialização e da explosão da geração de energia solar, exigindo adaptações constantes para garantir estabilidade e qualidade no fornecimento de energia.

A queda da Copel Distribuição no ranking nacional de qualidade da Aneel, no entanto, reacendeu o debate sobre a capacidade da companhia de acompanhar o crescimento acelerado da demanda energética no Paraná, especialmente na região Oeste, uma das áreas que mais expandem consumo, geração distribuída e atividade agroindustrial no país. Vilela rebateu críticas sobre suposta piora nos serviços após a privatização da companhia e afirmou que a empresa atravessa um dos maiores ciclos de investimento de sua história, com foco na modernização da rede, ampliação da infraestrutura e reforço das equipes técnicas.

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Segundo Vilela, a Copel investiu R$ 5 bilhões nos últimos dois anos e multiplicou duas vezes e meia o volume de aportes em relação ao ciclo anterior. Os recursos foram direcionados para obras estruturantes em todo o Paraná, incluindo a construção de 19 novas subestações, mais de mil quilômetros de linhas de alta tensão e ampliações em outras 88 unidades. O executivo argumenta que o desempenho no ranking da Aneel não significa necessariamente piora na qualidade do fornecimento, mas reflete critérios regulatórios mais rígidos aplicados historicamente à Copel.

A Copel e as metas mais exigentes

Vilela explica que a companhia possui metas mais exigentes que outras distribuidoras e que, embora tenha reduzido o tempo médio de interrupção de energia para cerca de sete horas anuais por consumidor, acabou ficando mais próxima do próprio limite regulatório, o que impactou a posição da empresa na classificação nacional. Ainda assim, segundo o diretor, a Copel segue entre as distribuidoras mais eficientes do país em regiões comparáveis e lidera os indicadores de qualidade no Sul do Brasil.

O diretor também falou sobre o impacto das intempéries climáticas no sistema elétrico. O diretor lembrou episódios recentes de eventos extremos, como enchentes no Rio Grande do Sul e tornados no interior paranaense, para justificar parte da pressão sobre a rede elétrica. A vegetação próxima às linhas de transmissão também aparece como um dos maiores desafios operacionais da companhia. Segundo ele, árvores e galhos já respondem por até 40% das interrupções de energia no estado e, em algumas regiões, esse índice chega a 70%.

Para enfrentar o problema, a Copel anunciou reforço nas ações de poda e roçada, além da ampliação das equipes técnicas. Vilela negou que haja abandono na manutenção da rede ou redução de contratos com empreiteiras. Pelo contrário: afirmou que a empresa enfrenta dificuldade para encontrar mão de obra qualificada diante do aumento expressivo das obras e da expansão do mercado energético no Oeste do Paraná. Como resposta, a companhia prepara a abertura de uma nova escola de eletricistas em Cascavel, iniciativa que priorizará a formação de trabalhadores da própria região.

Copel busca parceiros mais estruturados e mecanismos de cobrança mais rigorosos

Sobre a relação da companhia com as empreiteiras responsáveis pelos serviços de campo. O diretor reconheceu que os contratos atuais ainda seguem um modelo herdado da época em que a Copel era estatal, mas afirmou que a empresa passa por uma reformulação para adaptar as regras ao ambiente privado, com novas licitações e contratos de longo prazo. Segundo ele, a companhia busca parceiros mais estruturados e mecanismos de cobrança mais rigorosos, tanto na qualidade do serviço quanto nas normas de segurança.

Sobre indenizações por danos elétricos, o diretor afirmou que a Copel segue rigorosamente as regras definidas pela Aneel e negou que a empresa aplique descontos por depreciação de forma arbitrária. Segundo ele, sempre que houver comprovação de responsabilidade da distribuidora, os ressarcimentos são realizados dentro dos prazos regulatórios. Em paralelo, a companhia também busca cobrar judicialmente responsáveis por acidentes que causem danos à rede elétrica.

A Copel e a energia solar

A crescente presença da geração distribuída, especialmente dos sistemas de energia solar, apareceu como um dos principais desafios técnicos para o futuro da rede elétrica no Paraná. Vilela afirmou que o estado lidera a expansão de telhados solares no Brasil e revelou que o crescimento da microgeração superou em muito as previsões feitas pelo setor elétrico. Em vez de uma expansão de uma vez e meia nos últimos anos, o avanço chegou a nove vezes o esperado.

Segundo ele, esse crescimento provoca fenômenos como o fluxo reverso de energia, quando a eletricidade excedente retorna à rede em volumes acima da capacidade originalmente projetada. O diretor também alertou que muitos consumidores ampliam seus sistemas solares sem comunicar a Copel, aumentando o risco de sobrecarga, instabilidade e danos para outros usuários. A companhia, segundo ele, ampliou a fiscalização e realiza obras de adaptação da rede para absorver essa nova realidade energética.

Fornecimento de energia no campo

As dificuldades no meio rural também ganharam destaque. Vilela reconheceu que consumidores do campo ainda enfrentam maior vulnerabilidade a quedas de energia, principalmente em redes monofásicas antigas instaladas há mais de quatro décadas. O programa Paraná Trifásico, segundo ele, busca justamente modernizar essa estrutura e reduzir interrupções em regiões agrícolas altamente dependentes de energia elétrica para produção de leite, frangos, peixes e armazenamento refrigerado.

O diretor explicou que a Copel analisa casos de prejuízos no agronegócio individualmente e pode ressarcir perdas quando houver comprovação técnica de falha da distribuidora. Casos de mortandade de peixes e interrupções prolongadas em propriedades rurais já estão sendo discutidos inclusive na esfera judicial.

Na avaliação do diretor-geral, o futuro da Copel passa por uma combinação de investimentos pesados, automação da rede, expansão das equipes técnicas e adaptação ao novo cenário energético dominado pela geração distribuída. Ele sustenta que a companhia vive um processo de transformação profundo e que os próximos anos serão decisivos para equilibrar crescimento econômico, estabilidade do sistema e qualidade do fornecimento em um estado que se tornou uma das principais fronteiras energéticas do país.

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