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Cascavelense atua como voluntário na Guerra da Ucrânia

Marcelo Andrade está há três meses em um dos maiores conflitos da atualidade

30/05/2026 às 13h41
Por: Tissiane Merlak
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Cascavelense atua como voluntário na Guerra da Ucrânia

O que você pensa quando ouve falar da guerra entre Rússia e Ucrânia? Certamente imagina que é algo tão distante e que nada pode ser feito para minimizar o sofrimento das pessoas envolvidas no conflito que se arrasta desde 2022 e já deixou milhares de mortos.

Não para o cascavelense Marcelo Andrade. Aos 37 anos, o socorrista morava nos Estados Unidos e resolveu ‘fazer a diferença’ em um problema que muitos pensam não ser dele.

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Há três meses Marcelo está na Ucrânia e, nesses cerca de 90 dias, já viveu muito mais do que muitos possam imaginar.

Em meio a um conflito que parece não ter fim – segundo o que ele mesmo contou ao Preto no Branco, ele vive na esperança de que um dia tudo acabe bem. “Quando falei que viria para a Ucrânia muitas pessoas pensaram que eu estava louco. Mas tudo o que quero é salvar vidas, é isso que estou fazendo aqui”.

Nesse período na guerra, Marcelo viu morrer e salvou. “Perdi amigos, pessoas que seus familiares nunca mais verão nem os corpos. Mas nas missões que tive, também salvei duas pessoas e auxiliei na evacuação de outros quatro”.

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Atualmente posicionado em uma estrutura de segurança próxima à localidade de Dnipro, o cascavelense lida com a escassez severa de suprimentos básicos, bombardeios frequentes e a perda de integrantes de sua unidade operacional, mantendo a previsão de encerramento de suas atividades e retorno para casa no mês de agosto deste ano.

Motivação em ajudar

O deslocamento até a região de conflito ocorreu a partir do interesse pessoal em intervir diante das condições enfrentadas pelas pessoas e com o objetivo de ganhar experiência na área médica. A decisão gerou manifestações contrárias e questionamentos por parte de conhecidos, que apontavam o risco de ingressar em um embate de proporções internacionais. Marcelo cita que a motivação principal se baseia no propósito de ajudar e reduzir os impactos das hostilidades.

“Muitos questionam a razão de lutar uma guerra que não é considerada deles, mas no mundo existem muitas injustiças e que fazer um pouco de bem não é querer demais.”.

Estrutura de abrigo e condições operacionais

Um dos maiores problemas enfrentados, segundo Marcelo, não são somente os riscos da guerra – que está muito mais tecnológica incluindo drones e radares. Elas envolvem a fome e a ausência prolongada de água potável nos postos de progressão. "Para mim o pior no fronte foi passar fome e sede por falta de comida e de água", conta Marcelo

Atualmente o voluntário está em uma safe house, que é um termo técnico utilizado pelas equipes para designar locais protegidos de monitoramento imediato, onde as condições de infraestrutura permanecem precárias. "Hoje estou na safe house, o mais complicado é falta de banho e as instalações, sem água e sem luz", explica.

O alojamento temporário é compartilhado com outros dez brasileira que exercem funções voluntárias no local e atuam de maneira conjunta nas etapas de suporte de saúde.

A cada missão, abre-se um intervalo de descanso de alguns dias na base física, permitindo a recomposição parcial das forças das equipes.

Dinâmica dos resgates sob monitoramento aéreo

A atuação em campo aberto exige deslocamentos rápidos e protocolos rígidos de camuflagem devido ao uso intensivo de tecnologias de vigilância. Marcelo detalha que a percepção de risco iminente à própria vida se tornou ainda mais grave durante uma operação específica de evacuação de dois combatentes feridos. Nesta missão, a unidade médica foi submetida ao monitoramento constante de múltiplos drones que sobrevoavam o local. "Muito drone sobre nossas cabeças", recorda Andrade ao mencionar a angústia vivida pela equipe durante o processo de remoção e primeiros socorros dos soldados.

Felizmente, a frequência dos bombardeios e investidas de artilharia não são todos os dias na região de Dnipro. Eles são mais intensificados aos finais de seman "Os ataques são mais nos finais de semana, mas a incerteza sempre existe"

A letalidade dos confrontos se reflete diretamente no volume de corpos espalhados pelas zonas de exclusão e estradas de acesso às trincheiras. Andrade confirma que o cenário de guerra é marcado pela forte presença de cadáveres de militares de diferentes origens, incluindo soldados ucranianos, cidadãos de origem russa e combatentes voluntários. "Campo batalha tem muito cadáveres. Tanto russo como brasileiros e ucranianos", relata o cascavelense. "Perdi 4 amigos nessa guerra, infelizmente", lamenta o profissional.

Apesar das mortes, Marcelo disse que na primeira missão ajudou nos primeiros socorros de duas pessoas e na evacuação de quatro soldados.

Questionado a respeito das vítimas, Marcelo salienta que no fronte de combate, os mortos são soldados, sem o registro de civis. “Sigo na missão de salvar vidas e devo voltar à minha terra Natal, a Cascavel, em agosto, após o encerramento do meu contrato de voluntariado”.

 

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