
A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira (11), no tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, com a cerimônia de abertura e o jogo inaugural entre México e África do Sul. A edição deste ano marca uma mudança histórica no torneio, que pela primeira vez é sediado por três países, Estados Unidos, Canadá e México, e reúne 48 seleções em 104 partidas até 19 de julho. Para o torcedor brasileiro, a expectativa aumenta já neste sábado (13), quando a Seleção estreia contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h, pelo Grupo C. É nesse clima de Copa, entre lembranças, frustrações e esperança, que o cascavelense Pedrinho Darci Fernandes volta a viver de perto mais um capítulo da história do futebol.
A paixão pelo futebol frequentemente move barreiras e transforma o torcedor comum em uma testemunha ocular da história do esporte. O torcedor cascavelense Pedrinho Darci Fernandes, carrega na bagagem a experiência de acompanhar a seleção brasileira diretamente nos estádios pelo planeta desde 1982. Ele começou a frequentar os mundiais após acompanhar as edições de 1970, 1974 e 1978 pela televisão em preto e branco. Motivado pela alegria do povo nas transmissões, decidiu que um dia viveria aquela atmosfera de perto. Para viabilizar a primeira viagem internacional rumo à Espanha, vendeu uma moto que estava pagando de forma parcelada.
Darci já está nos Estados Unidos para acompanhar a sua 12ª Copa do Mundo de futebol. O torcedor participou do episódio desta semana do podcast De Olho no Esporte, onde compartilhou memórias de mais de quatro décadas de arquibancada e detalhou os bastidores de 11 mundiais.
A trajetória começou na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Após acompanhar os mundiais anteriores pela televisão, Fernandes decidiu viver a experiência de perto. "Comprei a passagem em 1982 e era para ir seis comigo. Na hora H, só fui eu. Pularam fora, fiquei sozinho e não tinha todo o dinheiro. Vendi uma moto que eu tinha pagado em 24 parcelas para conseguir viajar."
Naquela edição, ele testemunhou a eliminação daquela que considera a melhor seleção técnica que viu jogar, na derrota por 3 a 2 para a Itália no estádio do Sarriá, em Barcelona.
"O Brasil toma aqueles gols do Paolo Rossi e acabou com a nossa alegria por ali mesmo. De todas as Copas do Mundo que eu fui, para mim a de 1982 foi a melhor seleção brasileira, com certeza absoluta."
As frustrações de 1982, 1986 e 1990 foram superadas com as conquistas do tetracampeonato em 1994, nos Estados Unidos, e do pentacampeonato em 2002, no Japão e na Coreia do Sul. Na final de 1994, disputada no Rose Bowl sob calor superior a 40 graus, Fernandes assistiu à decisão por pênaltis posicionado exatamente atrás do gol.
Já no mundial de 2002, após acompanhar a primeira fase na Coreia do Sul, o torcedor seguiu para o Japão, onde celebrou a vitória de 2 a 0 contra a Alemanha na decisão em Yokohama, participando das comemorações na madrugada de celebração dentro do hotel da delegação brasileira.
"Ficamos no hotel da seleção e ali dentro foi a festança geral. Só que o Japão é diferente do Brasil. Quando dá meia-noite, acaba tudo. Fechou o metrô e não tem mais ninguém na rua, é um povo bem metódico."
O torcedor também vivenciou os contrastes das edições recentes. Em 2006, na Alemanha, lidou com o cancelamento de voos devido à crise da Varig, precisando aguardar dez dias na Itália antes de retornar. Em 2014, presenciou no Mineirão a goleada de 7 a 1 sofrida diante da Alemanha, deixando o estádio ainda no primeiro tempo após o quinto gol adversário. "Em 2014 foi a grande decepção, porque todo mundo achava que ia ganhar jogando em casa. Levar sete a um daquele jeito foi inacreditável. Quando aconteceu o quinto gol da Alemanha, eu fui embora do estádio."
Por outro lado, o cascavelense elogiou a recepção da população local na Rússia, em 2018, e a infraestrutura tecnológica e de transporte concentrada no Qatar, em 2022, apesar do alto custo de vida e das restrições culturais severas sobre o consumo de bebidas.
Para a Copa do Mundo de 2026, o empresário demonstra desconfiança quanto ao futuro da equipe comandada pelo italiano Ancelotti. Ele aponta desorganização no ciclo preparatório pós-Qatar, a ausência de uma comissão técnica definida por longo período e a falta de entrosamento da atual geração como fatores que deixam o Brasil atrás de concorrentes tradicionais. "Estou bem desacreditado na seleção porque foi muito bagunçada desde a última copa. Não houve organização. Até o final do ano passado não tínhamos time nem técnico, e as outras seleções estão quatro anos na frente."
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