
A jornalista toledana Edna Nunes da Silva recebeu, na noite de quarta-feira (26), em Curitiba, o Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo. Ela conquistou o segundo lugar na categoria Jornalismo Independente com uma reportagem sobre empregabilidade de migrantes na indústria do Oeste do Paraná.
A cerimônia ocorreu durante a programação da Expo + Indústria 2026 e reuniu profissionais de imprensa de diferentes regiões do Paraná. Nesta edição, foram inscritos 160 trabalhos, produzidos a partir do tema produtividade na indústria paranaense.
A reportagem vencedora, intitulada “A Nova Fronteira da Produtividade: Depois das Máquinas Inteligentes, a Revolução Chega aos Recursos Humanos”, foi publicada no Blog da Embaixada Solidária.
O trabalho mostra uma mudança enfrentada pelas indústrias da região. Com a modernização do parque fabril, a disponibilidade de trabalhadores para operar os equipamentos passou a ser um dos desafios para ampliar a produção.
A reportagem acompanha a experiência da Fiasul, indústria de fios instalada no Oeste do Paraná, onde aproximadamente 48% dos colaboradores contratados recentemente são migrantes internacionais.
Um dos momentos destacados no trabalho é uma entrevista de emprego mediada por tradução automática entre a recrutadora Karen Brinker e a jovem haitiana Marie Natascha, de 19 anos.
A tecnologia utilizada no processo foi doada à Embaixada Solidária pela empresária Fabiana Zielasko. O equipamento de tradução simultânea utiliza inteligência artificial, funciona com praticamente qualquer idioma e pesa menos de 200 gramas.
O aparelho está em uso há seis meses e passou a auxiliar o atendimento de migrantes e refugiados que chegam à entidade. O público atendido é formado por pessoas de 47 países.
Além dos encaminhamentos para vagas de trabalho, a tecnologia também é utilizada em consultas médicas, partos e outros atendimentos em que a diferença de idioma dificulta a comunicação.
Segundo a reportagem, o Programa Oeste em Desenvolvimento aponta mais de 22 mil vagas abertas na indústria da região. Dados do Observatório Regional de Governança Migratória mostram ainda que o Paraná liderou, em 2025, a geração de empregos formais para trabalhadores migrantes no Brasil, com saldo de 21.023 novos vínculos.
A indústria de transformação foi o setor que mais absorveu essa mão de obra no período.
A experiência apresentada pela reportagem envolve a Fiasul, o Serviço Social da Indústria (SESI), por meio do Programa Indústria Acolhedora, e a Embaixada Solidária. A proposta reúne acolhimento, qualificação e encaminhamento profissional.
“Quando a indústria entende que integrar um trabalhador migrante não é favor, é competitividade, o processo muda de patamar. Esse prêmio é da Embaixada Solidária, é dos voluntários e é dos trabalhadores que atravessaram fronteiras e chegaram aqui dispostos a produzir”, afirmou Edna.
Com a premiação em Curitiba, Edna Nunes da Silva chega ao 18º reconhecimento de sua carreira, entre trabalhos de jornalismo e literatura. Esta é a terceira vez que a jornalista vence o Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo.
Ao longo das 11 edições, o prêmio recebeu mais de 1.500 reportagens, reconheceu cerca de 200 jornalistas e distribuiu mais de R$ 1 milhão em premiações.
Jornalista, escritora e ativista social, Edna é fundadora e presidente da Associação Embaixada Solidária, em Toledo. Ela atua nas áreas de migração, refúgio, deslocamentos e empregabilidade e ocupa a Cadeira 29 da Academia de Letras de Toledo.
