
A colheita do milho segunda safra 2025/26 chegou a 83% da área cultivada no Paraná, segundo o boletim de Condições de Tempo e Cultivo divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral). O levantamento considera as condições registradas entre 18 e 24 de agosto e mostra avanço das máquinas nas principais regiões produtoras.
A área estadual destinada à segunda safra é de aproximadamente 2,9 milhões de hectares. Com 83% colhidos, cerca de 2,4 milhões de hectares já foram retirados do campo, enquanto aproximadamente 490 mil hectares ainda permanecem para a colheita.
O ritmo dos trabalhos varia entre as regiões, de acordo com as condições encontradas nas lavouras e os efeitos do clima durante o ciclo. Segundo o Deral, a colheita já foi encerrada em algumas áreas do Estado, enquanto outras ainda concentram máquinas no campo.
As condições de tempo registradas entre 18 e 24 de agosto favoreceram a continuidade dos trabalhos. Com a redução das áreas ainda em campo, a segunda safra se aproxima da conclusão em diferentes regiões produtoras.
Na região Oeste, os Núcleos Regionais de Cascavel e Toledo reúnem aproximadamente 941 mil hectares cultivados com milho segunda safra.
O Núcleo Regional de Cascavel reúne 28 municípios e possui aproximadamente 467 mil hectares destinados à cultura. A estimativa de produção regional é de 2,95 milhões de toneladas.
Cascavel possui aproximadamente 97 mil hectares destinados ao milho segunda safra e previsão de produção de 630 mil toneladas. Os dados fazem parte do acompanhamento da colheita realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e pelo Deral.
Já o Núcleo Regional de Toledo reúne 20 municípios e possui 474.427 hectares cultivados com milho segunda safra. A projeção de produção é de aproximadamente 3,2 milhões de toneladas.
Somadas, as áreas dos dois núcleos representam uma parcela expressiva da produção regional. A atividade também movimenta uma cadeia que envolve máquinas, transporte e unidades de recebimento, especialmente durante o período de maior concentração da colheita.
Em Corbélia, o agricultor Antonio Lopes dos Anjos acompanha os últimos dias da colheita em uma propriedade de 20 hectares. Ele deve terminar até o fim de semana a retirada do que ainda falta no campo.
"Até o fim de semana já vamos colher tudo o que falta, pouca coisa", afirma.
A reta final ocorre depois de um ciclo marcado por preocupação com as condições climáticas. O frio intenso e o excesso de chuva deixaram o produtor receoso em relação ao desempenho das lavouras. As condições registradas ao longo do ciclo poderiam comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade da produção.
Apesar da preocupação, o resultado encontrado na propriedade foi positivo. "Apesar do clima que judiou, estamos com uma boa produtividade", afirma o agricultor.
A avaliação do produtor acompanha o cenário registrado pelo Deral, que aponta efeitos de geadas, falta de chuva e excesso de umidade em diferentes regiões do Paraná. Na região Oeste, o acompanhamento da safra também registrou problemas relacionados à qualidade em algumas áreas.
Na região de Cascavel, foram relatados efeitos das geadas e do excesso de chuva durante a fase de polinização. Também houve registro de ocorrência de gibberella, doença causada por fungos que pode comprometer a formação dos grãos.
Mesmo diante dessas condições, o agricultor chega ao fim do ciclo com uma produtividade que considera positiva. A colheita também permite definir os próximos passos da propriedade, que já começa a receber as operações destinadas ao novo plantio.
A propriedade de seu Antonio já está entrando na transição entre uma cultura e outra. Em parte da área que foi liberada pela colheita, o agricultor já iniciou o plantio de milho.
A maior parte da propriedade, no entanto, será destinada à soja na próxima safra. A previsão é utilizar 80% dos 20 hectares com a oleaginosa.
A escolha está relacionada ao valor agregado da cultura e à importância que a soja tem na atividade desenvolvida na propriedade. "Em parte da área colhida já estamos plantando milho e na maioria escolhemos a soja, que é o nosso carro-chefe", afirma.
A decisão também mostra como o produtor organiza o calendário entre as culturas. Enquanto uma parte da área ainda passa pelas últimas operações de colheita, outra já recebe o próximo plantio.
No caso do milho, o agricultor mantém áreas específicas para a cultura. A soja ocupará a maior parte da propriedade, mas o milho continua presente no planejamento.
Ele também considera o cenário de preços na avaliação da atividade. "O preço está bom, poderia ser melhor, mas o milho safrinha é um respiro para o produtor rural", afirma.
Com 83% da área estadual já colhida, a segunda safra de milho entra na fase final em diversas regiões produtoras do Paraná. Ainda assim, aproximadamente 490 mil hectares permanecem no campo.
No Oeste, a concentração de áreas nos Núcleos Regionais de Cascavel e Toledo mantém a região entre os principais polos produtores do Estado. A produção estimada nos dois núcleos soma aproximadamente 6,15 milhões de toneladas.
O cenário também se repete em outras áreas do Estado, onde a conclusão da segunda safra ocorre paralelamente ao início do ciclo de verão. O boletim do Deral aponta que 6% da área prevista para o milho de verão 2026/27 já havia sido plantada.
Assim, a retirada dos últimos talhões da segunda safra e o início do novo ciclo acontecem de forma simultânea. Para os produtores, o calendário agrícola segue diretamente de uma etapa para outra, conforme as áreas ficam disponíveis e as condições permitem o avanço das operações.
