
Depois de vários anos com invernos mais amenos e períodos prolongados de estiagem, 2026 tem resgatado características típicas da estação no Oeste do Paraná. Frio intenso, geadas, nevoeiros e chuva frequente já fazem parte da rotina da população e, principalmente, do setor agrícola. Se para quem aprecia as baixas temperaturas o cenário é favorável, no campo a realidade é de preocupação, com perdas na produção de milho safrinha e dificuldades para a colheita.
De acordo com o boletim climático divulgado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o inverno será marcado pela atuação frequente de frentes frias e massas de ar polar, responsáveis por sucessivas quedas de temperatura e episódios de geada. Além disso, a previsão indica volumes de chuva acima da climatologia em boa parte do Estado, especialmente à medida que a estação avança em direção à primavera.
Embora o inverno seja, historicamente, a estação mais seca do ano em grande parte do Paraná, o comportamento atmosférico de 2026 será diferente. Segundo o Simepar, o aumento no transporte de umidade e a passagem constante de sistemas frontais devem favorecer períodos prolongados de chuva, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste.
A meteorologia também prevê novas incursões de massas de ar frio ao longo da estação. O mês de julho começou com temperaturas muito baixas e possibilidade de geadas amplas, enquanto agosto e setembro ainda deverão registrar novos episódios de frio, alternados com períodos de aquecimento temporário. Nevoeiros, comuns nesta época do ano, também devem ocorrer com frequência durante as manhãs.
Para o engenheiro agrônomo da Coopavel, Guilherme Busnello, a sensação de um inverno mais rigoroso ocorre porque os produtores vinham enfrentando estações mais secas e quentes nos últimos anos.
"Historicamente, o nosso inverno sempre foi frio e úmido. O que acontece é que nós vínhamos de invernos mais tranquilos, com menos chuva e temperaturas mais amenas. Neste ano, o clima voltou a apresentar características típicas da estação."
Segundo ele, a diferença é percebida principalmente pela frequência das chuvas e pela ocorrência de geadas ainda no início do inverno.
Quem mais sente os reflexos do clima é o milho de segunda safra, uma das principais culturas do Oeste paranaense. As primeiras geadas atingiram lavouras que ainda estavam em fase de enchimento dos grãos, reduzindo o potencial produtivo. Dias depois, uma nova massa de ar polar voltou a provocar geadas em diversas áreas da região.
Mesmo onde o frio não causou perdas diretas, a sequência de dias chuvosos passou a comprometer a qualidade da produção. Segundo Busnello, muitas propriedades já registram grãos brotados ainda na espiga, além do chamado "grão ardido", problema provocado pela elevada umidade.
"Esses danos reduzem a qualidade do milho e aumentam os descontos aplicados pelas cooperativas e cerealistas no momento da entrega."
Outro problema enfrentado pelos produtores é a dificuldade para colher. Com o solo constantemente úmido e o milho apresentando altos índices de umidade, muitas máquinas permanecem paradas aguardando uma janela de tempo firme.
"O produtor até tem milho pronto para colher, mas ele não consegue entrar na lavoura. Quando aparece um pouco de sol e a umidade começa a baixar, logo volta a chover ou o tempo permanece fechado. Quanto mais tempo o milho fica no campo, maior é o risco de tombamento das plantas, brotação dos grãos e perda de qualidade", explica o agrônomo.
Além das geadas e da chuva, algumas áreas do Oeste também registraram episódios isolados de granizo, agravando ainda mais os prejuízos.
Se o milho enfrenta dificuldades, o cenário é mais favorável para as culturas típicas da estação.
Trigo, aveia, cevada e demais cereais de inverno apresentam desenvolvimento considerado satisfatório. As baixas temperaturas favorecem essas lavouras, que dependem justamente do frio para um bom desempenho.
O único fator que inspira atenção é o excesso de chuva. "Se tivéssemos um pouco menos de precipitação, haveria menor pressão de doenças nas plantas. Mas, de forma geral, o frio tem sido bastante positivo para essas culturas."
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