
A água avançou sobre estradas rurais, cobriu pontes e chegou a propriedades. Em alguns pontos, o acesso ficou tão comprometido que moradores precisaram deixar os veículos em áreas secas e seguir a pé. Nas cidades, houve alagamentos em imóveis e danos à infraestrutura. No campo, a chuva dificultou o trabalho dos produtores e provocou prejuízos em áreas de cultivo.
Os efeitos da sequência de temporais foram registrados em diferentes municípios do Oeste do Paraná. Em Toledo, moradores de uma área rural enfrentavam dificuldades para sair de casa. Em Mercedes, a elevação do Rio Guaçu levou ao fechamento preventivo da ponte que liga o município a Nova Santa Rosa. Em Marechal Cândido Rondon, equipes municipais passaram a monitorar estradas, pontes e bueiros.
A situação também preocupa o setor agrícola. O excesso de umidade no solo reduz as condições de trabalho nas lavouras, interfere na semeadura e dificulta a colheita de culturas de inverno. Dados do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) mostram que o plantio da soja estava avançado nos núcleos regionais de Cascavel e Toledo, mas ainda não se sabe o prejuízo que tanta água trouxe no campo.
Após o temporal que destruiu boa parte do aeroporto, Toledo enfrenta agora problemas no interior. Na Linha Santa Inês, a Defesa Civil recebeu, na quarta-feira (14), informações sobre possíveis moradores isolados por causa da elevação da água.
Segundo o morador Antônio Nepomuceno, aproximadamente 16 pessoas permaneciam nas residências da área afetada. Durante a vistoria, as equipes encontraram trechos com acesso comprometido. Em alguns pontos, não era possível passar de carro ou motocicleta, e o deslocamento precisava ser feito a pé.
A água também atingiu áreas de pastagem e dificultou o fornecimento de alimento aos animais. Nepomuceno relatou que precisava estacionar o veículo em um trecho seco e carregar feno a pé até os locais onde o gado estava.
"Eu tô preocupado por causa da família. Como tem bastante animais aí também, é muito preocupante isso aí", afirmou.
De acordo com o morador, a cheia persistia havia cerca de uma semana, e a água continuava subindo. Em um dos pontos, ele estimou que o nível chegava a aproximadamente 1,4 a 1,5 metro.
Ainda em Toledo, a água cobriu a ponte sobre o Rio Mareco, na estrada que liga a PR-317 à localidade de Cerâmica Prata. Outra estrutura, no trajeto entre Ouro Verde do Oeste e Cerro da Lola, sofreu danos provocados pela força da correnteza.
O município também registrou alagamentos em cinco pontos e um deslizamento de solo na Rua Protásio Alves, no bairro Tocantins. A estação do Simepar em Toledo registrou quase 137 milímetros de chuva em 48 horas.
Em Mercedes, o volume acumulado desde sábado (11) se aproximou de 200 milímetros até terça-feira (13). A chuva provocou alagamentos em estradas rurais, elevou o nível do Rio Guaçu e atingiu áreas de lavoura.
A ponte sobre o rio, que liga Mercedes a Nova Santa Rosa, foi interditada preventivamente. O atracadouro da Área de Lazer Mathias Weber também ficou submerso.
Em Marechal Cândido Rondon, as equipes municipais passaram a acompanhar as condições de pontes, bueiros, estradas e outros locais vulneráveis, principalmente na área rural. As secretarias de Infraestrutura e de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Sustentável priorizaram intervenções consideradas urgentes.
Na manhã de quarta-feira (14), trabalhadores atuaram na estrada que liga a sede do município ao distrito de Margarida. O serviço incluiu a limpeza das margens para melhorar o escoamento da água e reduzir o acúmulo de lama na pista.
Em Cascavel, a água já superou toda média histórica para o mês de outubro. Houve pontos de alagamentos em algumas áreas e dificuldades por conta das estradas no interior.
O aumento do nível dos rios levou autoridades a acompanhar as condições de pontes e rodovias em outras regiões. Segundo informado ainda na quarta-feira (14), a PR-554 foi interditada depois que o Rio Andirá transbordou e cobriu a ponte.
Na PR-323, a água do Rio Ivaí estava cerca de três metros abaixo da estrutura da ponte e subia a uma velocidade estimada de 20 centímetros por hora.
Na PR-317, entre Maringá e Campo Mourão, não havia alteração informada no sentido de Maringá para Campo Mourão. No sentido contrário, o nível do Rio Ivaí estava aproximadamente quatro metros abaixo da ponte.
Em Foz do Iguaçu, a vazão das Cataratas também exigiu medidas preventivas. Na quarta-feira, o volume chegou a 15,8 milhões de litros por segundo. A média histórica é de 1,5 milhão de litros por segundo. Por conta disso, a passarela das Cataratas permanece fechada.
Um dos municípios mais afetados pela chuva na região foi Foz do Iguaçu e também moradores de Cidade do Leste, no Paraguai. A cheia no Rio Paraná, que atingiu 121 metros acima do nível do mar, deixou moradores ilhados.
No Paraguai, 183 famílias foram retiradas de áreas de risco em San Rafael, em Ciudad del Este. Outras cerca de 30 famílias receberam assistência em San Agustín, segundo atualização da Itaipu
Para tentar minimizar os impactos, a própria Itaipu abriu a segunda comporta do vertedouro. Com isso a vazão passou de 10,5 milhões para 11,3 milhões de litros por segundo.
Mas, quem pensa que a situação deve melhorar nas próximas semanas, o indicativo do Simepar é que ela reduza de volume no fim de semana.
Conforme a meteorologista Bianca Pinheiro de Angelo o sol pode aparecer entre nuvens. “A partir da tarde de sexta-feira (16), não há projeção de chuva, assim como no sábado (17) e domingo (18). “.
Por conta do fenômeno El Niño, o Estado terá chuvas acima da média histórica em todas as regiões até dezembro. “Os maiores desvios de precipitação são esperados no Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste, com possibilidade de temporais, granizo e descargas elétricas.”.