
O nível do rio Paraná chegou a 118 metros acima do nível do mar nesta segunda-feira (19), mantendo-se em queda lenta e constante. Apesar da redução, a marca ainda está 16 metros acima do nível considerado normal, de aproximadamente 102 metros, e a orientação é evitar o retorno a áreas sujeitas a alagamentos.
A Itaipu Binacional continua monitorando as condições hidrológicas e mantém o vertimento de água pela barragem. Nesta segunda-feira, com as calhas esquerda e central abertas, a vazão de saída chegou a 14 milhões de litros por segundo.
A população deve acompanhar os boletins hidrológicos divulgados diariamente pela Itaipu e os alertas emitidos pela Defesa Civil.
O rio Iguaçu também apresenta redução de vazão, que está na faixa de 8 milhões de litros por segundo. O volume ainda é superior à média de 1,5 milhão de litros por segundo, mas a diminuição favorece o escoamento das águas do rio Paraná.
Segundo a Itaipu, as elevadas vazões liberadas pelas usinas Porto Primavera e Rosana, somadas à contribuição dos rios da bacia incremental, continuam mantendo altos os volumes de água que chegam ao reservatório da hidrelétrica.
Esse cenário exige a continuidade do vertimento, conforme as condições operacionais da usina e as necessidades de geração de energia. A abertura das calhas segue procedimentos técnicos definidos de acordo com a vazão que precisa ser escoada.
O coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, o engenheiro Paulo Zanelli Jr., explicou que a barragem pode contribuir para reduzir os impactos das inundações por meio do controle das vazões.
Segundo ele, o armazenamento temporário de parte da água no reservatório permite criar volumes de espera para amortecer o pico da cheia. A estratégia pode reduzir as vazões liberadas pela usina nos períodos mais críticos e atenuar a elevação do nível do rio Paraná.
De acordo com a Itaipu, 220 famílias do bairro San Rafael, no Paraguai, e outras cinco famílias do lado brasileiro continuam recebendo assistência. No Brasil, o atendimento é realizado pela Defesa Civil.
Além dos impactos provocados pela cheia, a Vigilância em Saúde de Foz do Iguaçu alerta para o risco de doenças após os alagamentos. A recomendação é redobrar os cuidados com a água e os alimentos.
Produtos que tiveram contato com a água da enchente devem ser descartados. Alimentos perecíveis que permaneceram por mais de duas horas fora da refrigeração também não devem ser consumidos.
Durante a limpeza de áreas atingidas, a orientação é utilizar luvas e botas de borracha. As caixas-d'água devem ser higienizadas conforme as recomendações das autoridades sanitárias.
Em caso de interrupção do abastecimento, a água destinada ao consumo deve ser tratada com hipoclorito de sódio a 2,5% ou por fervura.
Município reforça orientação sobre descarte de resíduos
A Secretaria de Meio Ambiente de Foz do Iguaçu também alerta que o descarte irregular de lixo, móveis e entulhos pode obstruir bueiros, agravar alagamentos e poluir rios e córregos.
O município oferece coleta seletiva semanal e um programa gratuito de caçambas comunitárias para o descarte de entulhos e móveis velhos. As solicitações devem ser feitas pela associação de moradores no Protocolo Geral do Município, das 8h às 14h.
Galhos e entulhos também podem ser levados gratuitamente ao aterro sanitário. Denúncias de descarte irregular podem ser feitas anonimamente pelo aplicativo eOuve ou pelo telefone 156.