
Quanto mais tenta corrigir seu filho, mais certos comportamentos se repetem? Você insiste, perde a paciência e nada muda. Mas e se, por trás daquela atitude que tanto incomoda, existir algo que seu filho ainda não consegue expressar em palavras?
De um lado, pais cansados. Do outro, crianças e adolescentes que nem sempre conseguem compreender ou comunicar o que estão sentindo. E, nessa tentativa de serem ouvidos, pais e filhos acabam cada vez mais distantes.
Regular emoções e controlar impulsos são capacidades que se desenvolvem gradualmente. O simples para um pode ser difícil para outro.
É aqui que os pais podem assumir um papel fundamental: serem tradutores das emoções dos filhos. Ajudá-los a reconhecer e nomear o que sentem. Já parou para pensar que, quando crianças, muitas vezes choramos porque ainda não sabemos explicar o que sentimos? À medida que crescemos, aprendemos a transformar sentimentos em palavras. Mas, enquanto essa capacidade se desenvolve, nossos filhos precisam de ajuda para compreender o que acontece dentro deles.
Nem todo comportamento difícil é falta de respeito. Há emoções e padrões de comunicação repetidos por gerações. O filho reage, os pais se irritam e tudo recomeça.
Nesse ciclo, cada um tenta ser ouvido, mas poucos conseguem realmente ESCUTAR. A pergunta deixa de ser “como faço meu filho parar?” e passa a ser “o que está acontecendo entre nós?”. Essa pergunta, meu caro leitor, é o princípio da sabedoria!
Quando buscamos apenas um culpado, corremos o risco de condenar quem também foi marcado por uma história que não escolheu viver. Apontar culpados nem sempre traz a solução desejada; pode ser uma forma de lidar com conflitos que ainda não sabemos resolver.
Antes de reagir, procure compreender. Honrar o que aprendemos não significa fechar os olhos aos conhecimentos de hoje sobre desenvolvimento humano. Pergunte: “O que você está sentindo?” ou “Como posso ajudá-lo a compreender o que está acontecendo?”. Observe também como você reage diante do que seu filho expressa.
Escutar não é concordar com tudo; estabelecer limites não exige gritos. Quando errar, reconheça: “Filho, eu gritei. Não agi corretamente.” Isso não diminui sua autoridade; demonstra humanidade. Ensina que errar não impede ninguém de assumir a responsabilidade, pedir perdão e encontrar o caminho de volta.
Filhos não precisam de pais perfeitos, mas de adultos dispostos a aprender. Antes de perguntar por que seu filho não escuta você, reflita: será que ele também está tentando dizer algo que você ainda não conseguiu ouvir?