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Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária e protestos

Santiago Peña anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), após o colapso do Ueno Bank, que afetou milhões de clientes e provocou protestos no Paraguai.

Jadir Zimmermann
Por: Jadir Zimmermann Fonte: G1
05/11/2026 às 13h30 Atualizada em 05/11/2026 às 13h36
Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária e protestos
Santiago Peña renunciou

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado na rede social X, depois de protestos populares e da perda de apoio de integrantes do próprio partido do presidente.

Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do Paraguai, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população, mas não assumiu diretamente a responsabilidade pelas irregularidades que levaram à intervenção no banco.

A renúncia ocorreu no momento em que o Congresso paraguaio se preparava para discutir um pedido de impeachment contra o presidente. A iniciativa havia sido apresentada por 35 deputados e ganhou força depois que integrantes do governista Partido Colorado passaram a apoiar seu afastamento.

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Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país

Colapso do Ueno Bank afetou milhões de paraguaios

A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, na terça-feira (3), ao identificar irregularidades financeiras e insuficiência de capital para manter as operações.

A instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes, número equivalente a quase metade da população paraguaia. Com a suspensão das atividades, correntistas ficaram sem acesso às contas, transferências e outros serviços bancários.

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O banco também concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos destinados à previdência social.

As investigações apontaram suspeitas de empréstimos irregulares a empresas ligadas ao grupo controlador do banco, além de problemas nos registros contábeis.

Oito dirigentes da instituição foram detidos, enquanto outros envolvidos passaram a ser investigados pelas autoridades paraguaias.Ligação de Santiago Peña com o banco ampliou crise.

A situação política do presidente se agravou porque ele havia sido acionista do grupo empresarial controlador do Ueno Bank até março de 2025.

Outro fator de desgaste foi a ligação do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, com a instituição financeira. Antes de assumir o órgão regulador, Carvallo havia dirigido a empresa que deu origem ao Ueno Bank.

Com o agravamento da crise, Carvallo apresentou sua renúncia a pedido de Peña.

A oposição acusou o presidente de conflito de interesses, uso indevido de recursos previdenciários e omissão diante de problemas na fiscalização bancária. As acusações motivaram a apresentação do pedido de impeachment, mas não representam, por si só, comprovação de responsabilidade do presidente.

Protestos e perda de apoio político

O bloqueio das contas bancárias levou milhares de paraguaios às ruas. Manifestantes protestaram em Assunção, cobrando a devolução dos depósitos e a responsabilização dos envolvidos.

A pressão aumentou quando o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças do Partido Colorado, retirou seu apoio a Peña.

Facções do próprio partido governista também anunciaram apoio ao processo de impeachment, deixando o presidente politicamente isolado.

Diante desse cenário, Peña optou pela renúncia antes da conclusão do processo parlamentar. Ao anunciar a decisão, afirmou que sua prioridade continuava sendo a recuperação dos recursos dos depositantes prejudicados pela quebra do banco.

Clientes do banco Ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, 

Sucessão presidencial no Paraguai

Com a renúncia de Santiago Peña, a Constituição paraguaia estabelece que o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência para completar o mandato, previsto até agosto de 2028.

Alliana também havia sido incluído nos pedidos de impeachment apresentados ao Congresso. A definição da sucessão depende da formalização da saída do presidente e dos procedimentos constitucionais aplicáveis.

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