
Andar pelas ruas de Cascavel, a cada dia, tem se tornado um desafio. Seja você motorista, motociclista ou pedestre, já percebeu que parece, literalmente, que ninguém respeita ninguém.
Prova disso são os elevados números de acidentes registrados e pior, a quantidade de óbitos. Desde o dia 1 de janeiro até ontem (12), Cascavel já havia registrado 12 mortes no trânsito, o que equivale a um óbito a cada três dias, praticamente.
O número é alto, e o triplo comparado ao mesmo período do ano passado.
Conforme dados da Transitar, no mesmo período do ano passado Cascavel havia contabilizado quatro mortes.
De acordo com Luciane de Moura, coordenadora de educação do trânsito da Transitar, em 2026 foram seis mortes em rodovias e marginais e outras seis no perímetro urbano. “No ano passado tivemos quatro mortes, sendo três em rodovias e uma no perímetro urbano”.
Segundo ela, todos os acidentes registrados este ano, assim como muitos do ano passado, poderiam ter sido evitados. “Se os usuários das vias tivessem mudado seus comportamentos, certamente esses números seriam outros”.
Luciane ressaltou que em todo ano passado foram 47 mortes no trânsito. “Esse número registrado no curto espaço de tempo que temos em 2026 assusta. Temos repensado ações e planejamentos, uma vez que trabalhamos com base nas estatísticas do ano anterior. No ano passado, em relação a 2024, tivemos um fechamento positivo, com menos de 5 mortes a cada 100 mil habitantes, sendo que em outras cidades esse número ultrapassa o índice de 10. Mas é claro, nossa meta é zerar esse índice”.
Em uma avaliação geral, Luciana cita que o aumento tem como os fatores preponderantes a pressa e a falta de atenção. “No caso da primeira morte, vimos que o provavelmente o motorista do ônibus não viu o semáforo, e por isso acabou avançando a preferencial e atingindo o veículo.
Já a idosa que foi atropelada pelo ônibus do transporte coletivo, pelas imagens que recebemos ela sai correndo. Destaque para o fator pressa e falta de atenção”.
Segundo a coordenador, provavelmente a mulher não viu o sinal vermelho para pedestre e também não prestou atenção no momento dos carros.
A última morte registrada foi de uma adolescente de 17 anos. Jhuliany Aparecida Gomes Ferreira era passageira de uma motocicleta que foi atingida por um veículo na noite do último sábado (07) no bairro Brasília.
“Neste caso foi um emaranhado de situações que não poderiam ocorrer: o motorista do veículo que fugiu do local e foi encontrado posteriormente pela polícia estava alcoolizado. Por conta do álcool, avançou a preferencial e atingiu a moto. A motocicleta também era conduzida por um menor, que não possuía CNH (Carteira Nacional de Habilitação).”, disse Luciane.
Com o objetivo de coibir os acidentes e evitar mortes, a Transitar em parceria com a Polícia Militar tem realizado fiscalizações constantes nas vias. “Todo fim de semana fazemos blitzes em relação a álcool, em lugares em que já foram registrados flagrantes, onde há acidentes e também denúncias”.
Outro ponto ressaltado por ela é a questão do celular. “Ele não aparece nos acidentes, fica oculto porque as pessoas que se envolvem nos sinistros não vão dizer que estavam ao telefone. Mas, presume-se pelo contexto que ela usava o celular. E percebemos no dia a dia que a cada 10 pessoas no trânsito, nove estão usando celular, sejam motoristas ou pedestres”.
“Se as pessoas mudassem os comportamentos, os números seriam outros”, diz Luciane de Moura, coordenadora de educação de trânsito da Transitar
Luiz Paulo da Costa, 60 anos
Passageiro de uma Saveiro que foi atingida por um ônibus da Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand. O motorista do ônibus seguia na rua São Paulo quando, no cruzamento com a rua Salgado Filho, avançou o sinal vermelho.
Allan Cristian, 36 anos
Ele conduzia um veículo, perdeu o controle da direção e capotou na PR-180 no distrito de Juvinópolis, distrito de Cascavel.
Fernando Santos, 38 anos
Passageiro de uma motocicleta que colidiu com uma caminhonete, que fazia uma ultrapassagem irregular, na marginal da BR-277. A piloto da moto ficou ferida.
André Luiz de Oliveira, 25 anos
Motorista de uma Saveiro, seguia pela rodovia PR-180 no distrito de Juvinópolis, quando perdeu o controle da direção e capotou.
Marinalva dos Santos, 70 anos
Ela era ocupante de um Fiat Uno que, ao fazer um retorno na BR-163, próximo ao Contorno Oeste, foi atingido por um Lancer. O carro foi arremessado para fora da pista e Marinalva morreu na hora.
Jorge Sebastião dos Santos, 89 anos
Idoso atravessava a rua Jacarezinho, próximo a Avenida Brasil, no bairro São Cristóvão, quando foi atingido por um motociclista. Ele foi encaminhado ao HU, mas morreu na unidade hospitalar.
Marciano Rodrigo Kuhn, 41 anos
Marciano seguia para Realeza pela PR-180 com um caminhão carregado de piche, quando em uma curva perdeu o controle do veículo e capotou.
João da Silva, 62 anos
Homem seguia pela Estrada São Salvador quando acabou perdendo o controle da direção em uma curva. O carro voou e capotou em uma ribanceira.
Cristina Soares Santos, 40 anos
A mulher seguia de moto pela rua Estanislau Cidral quando avançou a preferencial no cruzamento com a rua Flamboyant e foi atingida por uma caminhonete. A PM apontou falha na sinalização viária. Cristina foi socorrida, mas morreu no hospital.
Rute Alves Cavalcante, 47 anos
Vítima foi atropelada por um caminhão na PRc-467. Testemunhas relataram que ela invadiu a pista logo após descer o viaduto da Avenida Rocha Pombo.
Maria de Fátima de Lima, 71 anos
Idosa atravessava a Avenida Barão do Rio Branco quando foi atingida por um ônibus do transporte coletivo. O sinal estava aberto para os veículos. A vítima foi socorrida, levada ao hospital, mas acabou falecendo.
Jhuliany Aparecida Gomes Ferreira - 17 anos
A adolescente era passageira de uma motocicleta, conduzida por outro menor sem habilitação. Eles foram atingidos por um veículo, cujo motorista estava alcoolizado e também teria avançado a preferencial.
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