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Roman e Paranhos travam duelo de narrativas sobre patrimônio e ética

Ex-deputado cobra explicações sobre evolução de bens, enquanto ex-prefeito acusa adversário de requentar mentiras para fins eleitorais.

28/02/2026 às 13h17
Por: Tissiane Merlak
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Roman e Paranhos travam duelo de narrativas sobre patrimônio e ética

O cenário político de Cascavel e do Paraná voltou a aquecer com niova troca de acusações diretas entre o ex-deputado federal Evandro Roman e o ex-prefeito e atual secretário de Turismo do Estado, Leonaldo Paranhos. O estopim da nova crise envolve a ressurreição de denúncias sobre evolução patrimonial e a contraofensiva judicial que aponta para o uso de "fake news" em períodos eleitorais.

As entrevistas aconteceram nesta semana na Rádio Estúdio 92,3 FM. Na segunda-feira (23), Roman foi à carga contra Paranhos. E na terça (24) o ex-prefeito deu a resposta.

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Confira a seguir uma síntese das entrevistas.

"Não é disputa pessoal, é sobre ética", diz Roman

Por que o senhor voltou a falar das denúncias contra o ex-prefeito Leonaldo Paranhos justamente agora?

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Evandro Roman – Eu acho que é importante a gente fazer uma reflexão. A população de Cascavel me conhece há 30 anos de vida pública. Fui vereador aos 28 anos e acompanhei todo esse processo político da cidade. O que eu estou trazendo agora são elementos que dizem respeito à gestão dele e ao suposto enriquecimento ilícito dele e da família, especialmente na questão dos imóveis.

O ex-prefeito diz que tudo não passa de fake news, repetidas a cada período eleitoral. O que o senhor responde?

Roman – Ele tenta colocar tudo como fake news, mas eu não posso ignorar aquilo que chegou até mim. O que eu faço é trazer à tona aquilo que considero grave e que precisa ser investigado.

Preto no Branco – Paranhos o acusa de ter sido “escolhido” por adversários para fazer um ataque pessoal. Isso procede?

Roman – Essa é a narrativa dele. O que eu vejo é que há uma tentativa de desqualificar o mensageiro para desviar do conteúdo das denúncias. Ele fala que “fizeram uma reunião e elegeram alguém para fazer um ataque pessoal” e que esse alguém seria o ex-árbitro de futebol, o ex-deputado Evandro Roman, “denunciado inclusive pelo Fantástico”. Só que o foco não sou eu, o foco são as transações, os imóveis, a evolução patrimonial. Isso é que tem que ser explicado.

O ex-prefeito afirma que o senhor foi condenado na Justiça Eleitoral e obrigado a pagar cinco salários mínimos por não apresentar provas.

Roman – Houve um acordo na Justiça Eleitoral, que é um rito mais rápido. Ele tenta transformar isso em atestado de inocência dele e de culpa minha. Não é assim. A Justiça Eleitoral trabalha com um tempo muito curto e, muitas vezes, se faz acordo para encerrar o processo, não porque não exista fato, mas por estratégia jurídica. Isso não encerra o debate sobre o conteúdo das denúncias que eu apresentei.

Há um inquérito com mais de 800 páginas envolvendo Leonaldo Paranhos e sua família. O que exatamente o senhor sustenta ali?

Roman – A denúncia que faço contra o ex-prefeito e seus familiares trata de um crescimento patrimonial que, na minha visão, carece de explicação plausível. Fala-se em dezenas, até centenas de imóveis. O que eu pergunto é se, ao final desse trabalho investigativo, a polícia e o Ministério Público não vão encontrar nenhuma vantagem indevida. Eu tenho convicção de que há elementos suficientes para que isso seja apurado a fundo.

Paranhos diz ter certeza absoluta de que nada de indevido será encontrado.

Roman – É natural que ele diga isso. Mas não se trata do que ele “acha”, e sim do que os documentos, as transações, as escrituras e as declarações de Imposto de Renda vão mostrar. Eu estou cumprindo o meu papel de agente público ao chamar atenção para isso. Parte da classe política tenta desqualificar qualquer crítica chamando de fake news. A Justiça tem muitos processos para analisar, mas isso não pode ser desculpa para ignorar possíveis fraudes.

Ele afirma que já foi retirado de um processo sobre extensão do perímetro urbano por falta de provas. Isso não enfraquece suas acusações?

Roman – Esse é um processo específico, com um objeto delimitado. O fato de ele ter sido retirado de uma ação não significa que todos os demais pontos que levanto estejam automaticamente sanados. O que eu trago é um conjunto de fatos, negócios e operações que, somados, formam um quadro preocupante. A sociedade e as instituições precisam olhar para isso com seriedade.

O senhor se dispôs a debater publicamente com Paranhos. Mantém esse convite?

Roman – Mantive e mantenho a disposição para o debate público. Eu me coloco à disposição para confrontar ponto a ponto o que ele diz. Debate é saudável para a democracia; fugir de debate, não. Não é uma disputa pessoal entre Evandro Roman e Leonaldo Paranhos. É uma discussão sobre ética, patrimônio, uso do poder e do cargo público.

 

"São as mesmas fake news", rebate Paranhos

 

Secretário, como o senhor recebe essa nova rodada de acusações feitas pelo ex-deputado Evandro Roman?

Leonaldo Paranhos – Eu recebo com muita tranquilidade. A população de Cascavel me conhece há 30 anos de vida pública. Fui vereador, deputado e prefeito por dois mandatos, reeleito com 58%. São as mesmas denúncias, na verdade, as mesmas fake news e mentiras usadas no período eleitoral de 2024.

O senhor insiste em chamar tudo de fake news. Por quê?

Paranhos – Porque é exatamente isso. Em 2024, faltando 15 dias para a eleição municipal, entenderam que não adiantava mais nada a não ser fazer acusações rasteiras. Agora, de novo, basta o governador citar meu nome como uma das opções para o governo do Paraná e, no dia seguinte, reaparecem as mesmas acusações. É um ataque pessoal em ano eleitoral.

O senhor diz que já reagiu judicialmente a essas denúncias. O que foi feito?

Paranhos – Imediatamente fiz um boletim de ocorrência na Polícia Federal e abri um processo criminal contra o Evandro. Também ingressei com uma ação na Justiça Eleitoral. Naquele processo, ele foi condenado, fez um acordo e teve que pagar cinco salários porque não havia nenhuma prova. Em outro processo, sobre minha suposta participação em irregularidades, o Tribunal de Justiça me retirou do polo passivo alegando justamente não haver prova contra mim.

Roman sustenta que há um inquérito de 800 páginas sobre o seu patrimônio e o de sua família. O que o senhor diz sobre isso?

Paranhos – Dizer, qualquer um pode. Ele chegou a falar que eu teria mais de 200 imóveis. Eu sou um cara trabalhador, empreendedor, mas não cheguei nesse nível ainda. Isso não existe, ele sabe disso. É muito fácil fazer ilação, jogar número ao vento. Quando você vai ao processo, às decisões, vê que o Tribunal de Justiça do Paraná já afirmou que não há prova contra mim em determinados casos.

Roman cita a empresa West Holding, que teria sido administrada pelo senhor. O senhor confirma a existência dela e se há conflito com o cargo de prefeito?

Paranhos – Confirmo que a empresa existe. É uma holding, uma administradora, tudo declarado no meu Imposto de Renda. Eu tenho uma vida transparente. Além dela, tenho a Visa Propaganda, o mesmo CNPJ desde 1990. Eu não sabia que ter CNPJ era crime. O que não pode é a empresa vender para o poder público que você administra. A minha empresa nunca vendeu para a prefeitura, Câmara, Estado ou Governo Federal. O limite ético e legal é não misturar negócio privado com dinheiro público, e isso eu nunca fiz.

O ex-deputado o acusa de ter usado influência para provocar a reportagem contra ele no Fantástico.

Paranhos – Eu sou um cara trabalhador, minha força vem do trabalho. Eu não tenho força para mobilizar o Fantástico, a Rede Globo nacional, para fazer reportagem contra o Evandro Roman. Ele mesmo declarou coisas muito graves sobre si, falou em “modelos de distrações” e em levar dinheiro de avião. Será que eu consegui convencer o Roman a se autodeclarar culpado? Aí eu estaria muito poderoso mesmo.

Ele se diz disposto a debater com o senhor. O senhor aceita?

Paranhos – Eu tenho dito: só há uma possibilidade de debater com o Roman, se ele for candidato a governador e eu também. Se formos ambos candidatos ao governo, evidentemente vamos nos encontrar, até porque eu não fujo de debate. Agora, neste momento, eu tenho coisas mais importantes a fazer do que alimentar um palco para acusações vazias.

O senhor se considera pré-candidato ao governo do Paraná?

Paranhos – Hoje eu sou secretário de Turismo no governo Ratinho e estou à disposição do projeto político que o grupo entender adequado. Há quem fale em governo do Estado, há quem fale em Câmara Federal. O que posso garantir é que, se o meu nome estiver à disposição, será pelas minhas realizações em Cascavel, não por guerra de declarações. O que está acontecendo agora é mais uma ação pessoal para tentar desvirtuar o cenário eleitoral de 2026.

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