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Fornecimento de energia é desafio para o desenvolvimento

Setor produtivo se reúne para debater debilidades que afetam o crescimento e falta de energia aparece entre os desafios

09/03/2026 às 08h54
Por: Tissiane Merlak
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Setor produtivo, governo e Copel buscam juntos soluções para quedas frequentes e instabilidade no fornecimento
Setor produtivo, governo e Copel buscam juntos soluções para quedas frequentes e instabilidade no fornecimento

O Oeste do Paraná, uma região de pujança econômica e produtiva com um Produto Interno Bruto próximo dos R$ 100 bilhões, enfrenta desafios significativos no que se refere ao fornecimento e quedas constantes de energia elétrica. As quedas constantes têm se mostrado um gargalo para o desenvolvimento local, impactando diretamente a indústria, o agronegócio e a sociedade como um todo. 

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) monitora indicadores de qualidade do fornecimento de energia, como o Duração Equivalente da Queda (DEC) e o Frequência Equivalente da Queda (FEC). O DEC mede o tempo que os consumidores ficam sem energia por ano, enquanto o FEC indica a frequência dessas interrupções. No Oeste do Paraná, segundo levantamento apurado com esses órgãos pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a realidade desses indicadores é preocupante.

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Enquanto a meta da Copel para o DEC em 2025 era de oito horas, e a empresa cumpriu uma meta de sete horas, essa é uma média que revela disparidades regionais. Em algumas áreas do Oeste, segundo a Fiep, o DEC é significativamente mais alto, indicando que os consumidores ficam mais tempo sem energia. Da mesma forma, a meta de cinco quedas por ano (FEC) é com frequência superada, especialmente em áreas rurais, onde a frequência de interrupções é considerada maior.

Esse tema foi o foco de um encontro em fevereiro em Cascavel em que reuniu líderes de todo o G7, as sete entidades que representam o setor produtivo do Paraná: Fiep, Faep, Faciap, Ocepar, Fecomércio.

Neste encontro, foi apresentado um mapa da Aneel de 2024 indicando que a situação mais complicada de fornecimento de energia está concentrada nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, além de algumas áreas de Ponta Grossa e da Região Metropolitana de Curitiba.

Subestações em cidades como Pitanga, Quedas do Iguaçu, Santa Helena e Dois Vizinhos apresentam o DEC acima do limite regulatório, com 44% dos conjuntos na região Oeste.

Impactos no setor produtivo

As deficiências no fornecimento de energia elétrica geram consequências diretas e severas para os setores produtivos do Oeste do Paraná, segundo o presidente da Fiep, Edson Vasconcelos.

O agronegócio, pilar da economia paranaense, é um dos mais afetados. Produtores de peixe, suínos e aves, que dependem de energia constante para a manutenção de suas criações, relatam perdas significativas com as interrupções. A falta de ressarcimento por esses prejuízos agravaria a situação, tornando a atividade ainda mais desafiadora. “A sensibilidade dessas produções à falta de energia é um ponto crítico, e a Copel tem sido cobrada por um serviço que atenda às necessidades específicas desses produtores”, destaca Vasconcelos.

Indústria: linhas de produção paralisadas e custos elevados

Para a indústria, lembra o presidente da Ocepar José Roberto Ricken, as quedas de energia resultam em paralisações de linhas de produção automatizadas, levando a prejuízos milionários. “Em algumas regiões, empresas relatam desarmes de quatro a cinco vezes por dia, o que impede a continuidade da produção e gera custos adicionais com a retomada das operações”. 

A falta de energia disponível também se torna um fator limitante para a atração de novas indústrias de alto valor agregado para a região, comprometendo o crescimento econômico e a geração de empregos, segundo avaliação do presidente da Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Causas e desafios

Segundo líderes do setor produtivo, diversos fatores contribuem para a situação atual do fornecimento de energia no Oeste do Paraná.

“A infraestrutura energética da região não tem acompanhado o ritmo de crescimento econômico”, afirma Vasconcelos. Isso porque, segundo ele, o planejamento da Copel se baseava em um crescimento do PIB de 2% ao ano, mas o Oeste do Paraná apresenta taxas de crescimento muito superiores, chegando a 7%, 8%, 9%, e até 12% ou 13% em alguns casos. “Essa disparidade resulta em subestações operando acima de sua capacidade, com projeções indicando que muitas delas estarão saturadas em poucos anos se não houver investimentos adequados”.

Problemas com a vegetação e licenciamento ambiental

Cerca de 40% das quedas de energia são atribuídas a problemas com a vegetação, como galhos de árvores que atingem a fiação. A poda e o manejo da vegetação são essenciais, mas esbarram em questões burocráticas e de licenciamento ambiental. A obtenção de licenças para a poda, tanto em áreas da Copel quanto em propriedades rurais, tem sido um desafio, com a necessidade de um "licenciamento guarda-chuva" para agilizar os processos e permitir mutirões de poda.

O setor produtivo também reforça a necessidade de um planejamento de longo prazo e a falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo e as entidades envolvidas são apontadas como fatores que contribuem para a persistência dos problemas. “A necessidade de um plano de Brasil para a infraestrutura logística e energética é ressaltada, com foco em um desenvolvimento mais ágil e eficiente”, lembra o superintendente de logística da Fiep, João Arthur Mohr.

Iniciativas e perspectivas de melhoria

Diante dos desafios, diversas iniciativas estão sendo tomadas para buscar soluções e melhorar o fornecimento de energia no Oeste do Paraná.
Um grupo de trabalho, composto por representantes do setor produtivo (G7), da Copel e do governo estadual, foi constituído para discutir e encaminhar soluções. As reuniões regionalizadas, que ocorrem em Curitiba e nas regiões afetadas, têm como objetivo ouvir os gerentes locais da Copel e as comunidades para identificar os problemas específicos de cada área e direcionar os investimentos de forma mais eficaz.

A Copel prevê investimentos significativos nos próximos cinco anos, com a instalação de 50 novas subestações (39 de 138 kV e 11 de 34,5 kV), sendo nove delas destinadas à região Oeste. O desafio é direcionar esses investimentos de forma estratégica, priorizando as áreas mais críticas e garantindo que a capacidade energética acompanhe o crescimento da região.

Uma medida importante é a criação de um cadastro de eletrodependentes, que incluirá produtores rurais e indústrias sensíveis à falta de energia. Quando houver uma interrupção, esses locais terão prioridade no restabelecimento do fornecimento, minimizando os prejuízos.

A Fiep está desenvolvendo um "Observatório de Energia", uma ferramenta semelhante ao Observatório dos Pedágios, que permitirá o acompanhamento da qualidade do serviço e dos investimentos. A ideia é que essa plataforma traga transparência e mobilize a sociedade para pedir o cumprimento das metas e a melhoria contínua do fornecimento.

Diálogo e colaboração

A tônica das discussões entre o setor produtivo e a Copel é a necessidade de diálogo e colaboração entre a companhia, o setor produtivo e o governo. “A busca por um "pacto" para garantir a robustez da rede elétrica e um planejamento de longo prazo é fundamental para que o Oeste do Paraná possa continuar crescendo e atraindo investimentos”, destaca Vasconcelos. A expectativa é que, com a união de esforços e a implementação de soluções eficazes, a região possa superar os gargalos energéticos e consolidar seu potencial de desenvolvimento em poucos anos.

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