
A 58ª Festa do Trabalhador e a 29ª Festa do Costelão, realizadas no Seminário Arquidiocesano São José, em Cascavel, chegam em 2026 com um objetivo claro: consolidar de vez o título de maior churrasco fogo de chão do mundo, o que já está referendado no Guiness Book há quase uma década. Para isso, a organização ampliou significativamente a estrutura e, principalmente, a quantidade de carne. Serão cerca de 20 toneladas assadas — três toneladas a mais em relação ao ano passado — em uma aposta considerada ousada, mas estratégica. A expectativa é de que mais de 25 mil pessoas passem pelo evento no dia 1º de maio, na sede do Seminário, reforçando a dimensão que a festa alcançou ao longo das décadas.
De acordo com o reitor do seminário, padre Jean Zanelatto, o aumento não é apenas simbólico, mas necessário diante da crescente demanda. Segundo ele, a decisão foi pensada para garantir que o evento se mantenha na liderança mundial do segmento e continue atraindo público de diferentes regiões. “É um salto importante. A gente já tinha um volume muito grande, mas esse acréscimo fortalece ainda mais a nossa posição”, afirma.
O crescimento da festa e do costelão a fogo de chão não se limita à quantidade de carne. Em 2026, a estrutura também foi ampliada para melhorar a experiência do público. Serão cerca de 11 mil lugares disponíveis, com a criação de novos espaços para acomodar os visitantes com mais conforto, especialmente em áreas arborizadas e cobertas. A ampliação atende a uma demanda antiga, já que, em anos anteriores, muitas pessoas optavam por levar o costelão para casa ou para as empresas, para celebrar ao lado dos trabalhadores, pelo espaço limitado.
A organização também espera receber visitantes que não necessariamente irão consumir o prato principal, mas que participam da festa pela experiência, pelo ambiente e pelas atrações culturais. Ao longo do dia, o público poderá acompanhar apresentações artísticas, aproveitar a praça de alimentação e circular pelo evento, que já se consolidou como um dos maiores encontros populares da região e recebe visitantes de todos os cantos do Brasil e de países da região.
A história da Festa do Trabalhador remonta a 1966, ano de fundação do Seminário São José. Desde o início, o objetivo era arrecadar recursos para manter a instituição. Com o passar dos anos, a festa evoluiu e ganhou novos formatos, até incorporar o costelão como principal atração gastronômica. Hoje, são quase seis décadas de tradição, interrompidas apenas durante o período da pandemia.
O padre Jean Zanelatto destaca que o evento cresceu junto com a cidade e se tornou parte da identidade local. “É uma festa que nasceu de uma necessidade, mas que se transformou em algo muito maior. Hoje ela representa encontro, partilha e também a cultura do nosso povo”, afirma. A dimensão alcançada faz com que visitantes de todo o Brasil — e até de outros países — venham a Cascavel especialmente para participar.
Por trás das 20 toneladas de carne existe uma operação complexa que mobiliza cerca de 700 voluntários. O trabalho começa dias antes da festa e envolve desde a preparação dos alimentos até a organização dos espaços e atendimento ao público. O preparo do costelão, feito no tradicional fogo de chão, exige técnica, padronização e experiência para garantir qualidade em larga escala.
Outro ponto destacado pela organização é o cuidado com a escolha da carne. Ao contrário do que muitos imaginam, os insumos não são doados, mas adquiridos com fornecedores selecionados, priorizando qualidade e padronização. “A gente tem um compromisso muito grande com o público. As pessoas vêm aqui sabendo que vão encontrar um produto de excelência”, explica o reitor.
Embora o costelão seja a grande estrela, a festa oferece uma programação diversificada. As atividades começam pela manhã, com celebrações religiosas, incluindo missa e uma motociata que percorre a cidade até o seminário. No fim da manhã, iniciam-se o atendimento no restaurante, o drive-thru e a retirada dos pedidos.
Ao longo da tarde, o público poderá acompanhar apresentações culturais com artistas locais e regionais. A praça de alimentação também oferece outras opções, como lanches, ampliando as possibilidades para quem deseja passar o dia inteiro no evento. A proposta é transformar a festa em um ambiente de convivência familiar e comunitária.
Mais do que um grande churrasco, a Festa do Costelão em celebração ao Dia do Trabalhador mantém seu caráter beneficente. A renda arrecadada é destinada ao Seminário São José, contribuindo para a manutenção das atividades e para melhorias na estrutura, que já soma 60 anos de história. Parte dos recursos também será aplicada na construção do seminário propedêutico, voltado à formação inicial de novos sacerdotes.
Para o padre Jean Zanelatto, esse é um dos principais diferenciais do evento. “Quem participa não está apenas consumindo um produto, mas colaborando com uma causa. É uma festa que une alegria, fé e solidariedade”, afirma. Com a ampliação deste ano e a expectativa de público elevado, a edição de 2026 promete não apenas bater recordes, mas reforçar o papel da festa como um dos maiores símbolos culturais e comunitários de Cascavel.
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