
As chuvas irregulares do mês de abril causaram recuo no nível da seca no Leste do Paraná e progressão de nível no Sul e Noroeste do Estado. Os dados são do Monitor de Secas, divulgado nesta segunda-feira (18). O estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) é feito em parceria com vários institutos e foi coordenado no mês de abril pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
O estudo aponta que todas as regiões paranaenses seguem com algum nível de seca. No Leste do Paraná, uma área recuou de seca moderada para seca fraca devido às chuvas acima da média em abril. Por outro lado, em decorrência da falta de chuva significativa, houve o avanço da seca fraca para moderada no Sul e Noroeste do Estado.
“A seca vem sendo registrada desde o início do ano e em alguns pontos até mesmo desde 2025. As chuvas no Litoral levaram a uma redução da seca moderada para a fraca, enquanto que no extremo Sul do Estado - divisa com Santa Catarina - e no extremo Noroeste - divisa com Mato Grosso do Sul -, as chuvas abaixo da média e outros indicadores relacionados à temperatura e à umidade do solo favoreceram com que a seca se agravasse”, detalha Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar que participa do Monitor de Secas.
Os impactos da seca são de curto e longo prazo no Norte do Paraná e de curto prazo nas demais áreas. O Boletim Agroclimático do Simeagro, divulgado em abril, aponta que as chuvas em abril foram importantes para reduzir o estresse hídrico na segunda safra de milho, embora ainda haja limitação do potencial produtivo em algumas áreas.
CHUVAS– As chuvas de abril seguiram o regime que estava previsto. Foram vários dias consecutivos sem chuva, e quando choveu os volumes foram altos suficientes para que as estações ultrapassassem a média histórica para o período. Ficaram abaixo, ou muito perto da média histórica de chuvas para abril, somente as estações de Altônia, Curitiba, Francisco Beltrão, Guaíra, Guaratuba, Maringá, Palmas, Palotina, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais e Umuarama.
Antonina, no dia 5, registrou um volume acumulado de 140,8 mm. No dia 26, choveu um acumulado de 103,8 mm em Cruzeiro do Iguaçu. No dia 29, os volumes de chuva superaram os 100 mm em Toledo (140 mm), Cruzeiro Do Iguaçu (129,4 mm), Laranjeiras Do Sul (111,2 mm), e no Distrito de Entre Rios, em Guarapuava (106,6 mm). Em todas estas estações, foi em abril o registro do maior volume acumulado de chuva em um único dia do ano.
“Esse cenário foi provocado por um bloqueio atmosférico associado a uma circulação de grande escala, e que impediu passagens de frentes frias pelo estado do Paraná”, disse Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar. “Essa condição persistiu praticamente durante todo o mês. No entanto, nos últimos dias, entre 26 e 30 de abril, a chegada de uma frente fria combinada com a atuação de um cavado meteorológico mudou completamente o padrão de tempo no Paraná”, explica.
MONITOR– O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017 a Agência Nacional de Águas (ANA) articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas.
O Simepar todos os meses faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração (a relação entre a temperatura e a evaporação da água). A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo, como foi o caso deste mapa de abril.
No Brasil, no mapa divulgado nesta segunda-feira (18), não há registro de seca extrema ou seca excepcional em nenhum estado. A seca grave está presente em algumas áreas de São Paulo, Piauí e do Ceará.
A seca moderada, assim como no Paraná, ainda aparece no Oeste de Santa Catarina, em boa parte do estado de São Paulo, no Sul e Noroeste de Minas Gerais, no Sul de Goiás, no Oeste da Bahia, Leste do Piauí, no Oeste de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, extremo Oeste de Alagoas, Centro da Paraíba, Nordeste do Ceará e em pequenas áreas do Amazonas.
A seca fraca recuou, mas ainda aparece em várias áreas de todas as regiões brasileiras. O Acre e o Mato Grosso são os únicos estados que não registram, no mapa de abril, nenhum nível de seca.
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