10°C 20°C
Cascavel, PR
Publicidade

Estudo com comprimido para câncer de pâncreas faz plateia chorar e aplaudir de pé na ASCO 2026

Resultados finais da Fase 3 do medicamento daraxonrasib confirmam que a droga dobrou a sobrevida de pacientes com a doença metastática e redefine o padrão global de tratamento.

02/06/2026 às 13h45
Por: Celso Romankiv Fonte: G1
Compartilhe:
Daraxonrasib é um antineoplásico oral — Foto: Adobestock
Daraxonrasib é um antineoplásico oral — Foto: Adobestock

Chicago, 1º de junho de 2026 – A sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO) — o maior e mais influente congresso de oncologia clínica do planeta — não costuma ser lugar de emoção fácil. Médicos e pesquisadores são treinados para o ceticismo metodológico. No entanto, quando os números finais do estudo RASolute 302 apareceram na tela, o auditório lotado quebrou o protocolo: a plateia se levantou entre aplausos e lágrimas.

O medicamento daraxonrasib (da farmacêutica Revolution Medicines) já havia surpreendido o mundo em abril com dados preliminares. Mas a palavra final da ciência exige a Fase 3. E foi exatamente esse resultado definitivo que foi apresentado em Chicago e publicado no Journal of Clinical Oncology.

Continua após a publicidade
Anúncio

O Estudo RASolute 302: O mais alto rigor científico

O ensaio clínico seguiu o padrão-ouro da medicina: foi um estudo randomizado de fase 3 com 500 pacientes que tinham câncer de pâncreas metastático e já não respondiam à quimioterapia convencional.

  • Grupo 1: Recebeu o comprimido (daraxonrasib) uma vez ao dia.

  • Grupo 2: Seguiu com a quimioterapia padrão.

    Continua após a publicidade
    Anúncio

"Eram mais de 500 pacientes avaliados no desenho mais rigoroso da pesquisa clínica — e com sobrevida dobrada em relação ao padrão anterior. O aplauso em pé foi merecido."

Dr. Stephen Stefani, oncologista da Americas Health Foundation, presente no evento.


Os Números do Sucesso: Sobrevida Dobrada

Os resultados foram considerados finais e avassaladores, tanto para o grupo com a mutação específica RAS G12 (a mais comum) quanto para o grupo geral de pacientes:

Indicador Clínico Quimioterapia Convencional Comprimido (Daraxonrasib) Impacto Real
Sobrevida Mediana 6,6 meses 13,2 meses Dobrou o tempo de vida
Tempo sem o avanço da doença 3,5 meses 7,3 meses Dobrou o tempo de estabilidade
Redução real do tumor 11,2% dos pacientes 31% dos pacientes Quase o triplo de eficácia
Abandono por efeitos colaterais 11,2% dos pacientes Apenas 1,2% Altamente tolerável
  • Redução de Risco: O risco de morte entre os pacientes que usaram o novo medicamento caiu 60%.


O Fim do Mito da Proteína "Intratável"

Para entender o tamanho da conquista, o câncer de pâncreas é um dos mais letais da medicina. Cerca de 80% dos casos são diagnosticados já em estágio metastático. No Brasil, surgem 13 mil novos diagnósticos anuais e cerca de 12 mil pacientes perdem a vida todos os anos.

A grande vilã dessa história é a proteína RAS, um interruptor celular que, quando mutado, fica travado na posição "ligado", ordenando que as células cancerígenas se multipliquem sem parar. Isso ocorre em mais de 90% dos tumores de pâncreas.

Por décadas, a proteína RAS foi chamada na literatura médica de undruggable (intratável) porque sua superfície lisa impedia que os medicamentos convencionais se fixassem nela. O daraxonrasib conseguiu quebrar essa barreira física, ligando-se com sucesso a várias vertentes da mutação ao mesmo tempo.


Próximos Passos: Quando chega ao mercado?

Nos Estados Unidos (Prazo Curto)

A Revolution Medicines já prepara a submissão formal dos dados à FDA (órgão regulador americano). O processo deve ser ultraveloz devido aos múltiplos status de prioridade que a droga já possui:

  • Breakthrough Therapy (Tratamento Revolucionário);

  • Designação de medicamento órfão;

  • Programa National Priority Voucher (análise prioritária acelerada);

  • O acesso compassional (uso emergencial antes da aprovação) já está autorizado nos EUA.

No Brasil (Horizonte Distante)

Para os pacientes brasileiros, o caminho regulatório e financeiro ainda é um grande obstáculo:

  1. Anvisa: Precisa aprovar o registro da droga no país.

  2. ANS (Planos de Saúde): Necessita emitir uma diretriz técnica para obrigar a cobertura na rede privada.

  3. SUS (Rede Pública): O maior gargalo é o custo. Atualmente, o SUS repassa cerca de R$ 1.986 por paciente para o tratamento desse câncer, enquanto novos medicamentos oncológicos custam, em média, US$ 10.000 por mês no mercado americano. Não há previsão de chegada da droga à rede pública a curto prazo.

Ainda assim, a comunidade médica celebra o momento como uma virada de chave histórica. "O resultado confirma que estamos avançando numa direção que por muito tempo pareceu fechada: a de oferecer ganho real em sobrevida a pacientes que, até agora, tinham poucas alternativas”, finaliza o Dr. Stephen Stefani.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Cascavel, PR
17°
Tempo limpo

Mín. 10° Máx. 20°

17° Sensação
6.69km/h Vento
68% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
07h11 Nascer do sol
05h52 Pôr do sol
Qua 20° 10°
Qui 21° 10°
Sex 21° 11°
Sáb 22° 12°
Dom 22° 12°
Atualizado às 12h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,02 -0,15%
Euro
R$ 5,83 -0,20%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 359,302,76 -4,98%
Ibovespa
174,007,70 pts 1.05%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias