

A rotina nas Cataratas do Iguaçu começou a voltar ao normal neste sábado (1º), com a retomada das operações do Macuco Safari, três dias após o acidente que resultou na morte do turista holandês Mark Lensink, de 25 anos. A reabertura ocorreu depois da conclusão das inspeções realizadas pelos órgãos responsáveis, mas as investigações da Marinha e da Polícia Civil continuam para esclarecer o que provocou o tombamento da embarcação.
A tragédia, registrada na última terça-feira (28), interrompeu a viagem de férias de uma família europeia que havia chegado ao Brasil um dia antes do passeio. Mark viajava acompanhado da noiva, dos sogros, da cunhada e do namorado dela. O casal tinha casamento marcado para setembro, nos Países Baixos.
O acidente ocorreu por volta do meio-dia, na etapa final do passeio náutico realizado nas Cataratas do Iguaçu. A embarcação semi-rígida transportava seis turistas holandeses e dois tripulantes brasileiros quando virou nas águas do Rio Iguaçu.
Conforme os depoimentos já reunidos pela Polícia Civil, o barco foi atingido lateralmente por uma forte rajada de vento enquanto navegava próximo às quedas d'água. A combinação da ventania com a correnteza intensa e a turbulência do trecho teria provocado o tombamento da embarcação.
Todos os ocupantes utilizavam coletes salva-vidas. Mesmo assim, Mark sofreu afogamento grave e entrou em parada cardiorrespiratória. Ele foi retirado da água pelas equipes de resgate, recebeu atendimento ainda no cais e foi encaminhado ao Hospital Municipal Padre Germano Lauck, onde a morte foi confirmada.
Os demais passageiros e os dois tripulantes escaparam sem ferimentos graves. O piloto e o copiloto receberam atendimento médico e foram liberados poucas horas depois.
A Capitania Fluvial do Rio Paraná conduz um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Paralelamente, a Polícia Civil também instaurou investigação para esclarecer as causas do tombamento.
Entre os fatores analisados está a vazão do Rio Iguaçu. No horário do acidente, o volume de água nas Cataratas era de aproximadamente 4,3 milhões de litros por segundo, quase três vezes acima da média considerada normal para o local.
Os peritos também avaliam as condições da embarcação, dos motores, dos equipamentos de segurança e os procedimentos adotados pela tripulação durante a navegação.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou auditoria na concessionária responsável pelo Macuco Safari e informou que a empresa atendia às exigências de licenciamento, manutenção preventiva e treinamento das equipes.
Como medida preventiva, o ICMBio determinou a suspensão das atividades náuticas por três dias para permitir a realização das perícias e das inspeções técnicas.
Com a conclusão dessa etapa, o passeio foi retomado neste sábado (1º). Antes da liberação, foram revisados os procedimentos operacionais e as condições das embarcações utilizadas no serviço.
A concessionária, que atua há quase 40 anos nas Cataratas do Iguaçu e transporta cerca de 350 mil visitantes por ano, informou que mantém certificações de segurança e seguirá colaborando com as investigações.
Enquanto as operações voltam gradualmente à normalidade, a família de Mark Lensink recebe assistência do Consulado-Geral do Reino dos Países Baixos. O corpo do turista passou por exames da Polícia Científica, e os trâmites para o translado à Europa seguem em andamento.
O Macuco Safari opera nas Cataratas do Iguaçu desde 1986. A morte de Mark Lensink encerrou um período de 26 anos sem registros de vítimas fatais nos passeios de barco do lado brasileiro.
Em 5 de setembro de 1999, dois barcos infláveis colidiram no cânion do Rio Iguaçu. O acidente provocou a morte de seis turistas estrangeiros e de um piloto. Depois da ocorrência, o passeio ficou interditado por 108 dias e passou por mudanças nas regras de segurança e navegação.
Nos últimos anos também foram registrados acidentes sem vítimas fatais. Em 2007, uma embarcação virou com 17 turistas chineses, que sofreram apenas ferimentos leves. Em 2019, um bote de rafting virou e duas irmãs foram resgatadas após princípio de afogamento.
Outro acidente frequentemente lembrado aconteceu em março de 2011, quando dois turistas norte-americanos morreram em um passeio realizado exclusivamente no lado argentino das Cataratas. A operação era conduzida por outra empresa, sem qualquer vínculo com o Macuco Safari brasileiro.