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O voto é racional ou emocional?

Entre o que se pensa e o que se sente, o que pesa quando chega a hora de votar?

Vanessa Ripp
Por: Vanessa Ripp
17/09/2026 às 12h16
O voto é racional ou emocional?
Compreender o voto é também compreender o ser humano diante de uma decisão. | Imagem gerada por IA

É comum imaginar que o voto seja resultado de uma análise cuidadosa: conhecer propostas, comparar candidatos, avaliar trajetórias e, então, decidir.

Mas será que funciona exatamente assim?

Entre aquilo que se pensa e aquilo que se sente, há mais acontecendo do que parece.

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Uma pessoa pode confiar em determinado candidato antes mesmo de conhecer as suas propostas. Outra pode sentir antipatia sem conseguir explicar exatamente o motivo. Há ainda quem se identifique com uma história, um grupo ou uma forma de falar e, a partir disso, desenvolva uma percepção mais favorável.

Isso significa que o eleitor é irracional? Não.

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Significa que pensar e sentir podem caminhar juntos.

Pesquisas sobre comportamento eleitoral já investigaram diferentes aspectos envolvidos no voto. Ainda assim, havia espaço para compreender melhor como fatores relacionados à razão e às reações emocionais poderiam atuar conjuntamente na escolha dos candidatos.

Um estudo publicado em 2025 por Costas Panagopoulos e Ching-Hsing Wang analisou dados de eleições presidenciais norte-americanas entre 2000 e 2016 para compreender como avaliações sobre posições políticas e reações emocionais aos candidatos se relacionavam com a escolha do voto.

Os resultados encontraram evidências de que os dois aspectos participam desse processo. A decisão eleitoral, portanto, não parece caber em uma divisão simples entre razão e emoção.

Isso coloca em perspectiva uma ideia bastante comum: a de que o eleitor primeiro analisa as informações, compara as opções e só então decide. Na prática, sentimentos e percepções também podem participar dessa construção.

Uma proposta pode ser considerada importante, mas perder força diante da desconfiança em relação a um candidato. Um discurso pode convencer não apenas pelo conteúdo, mas pela forma como é apresentado. Uma informação pode ser rejeitada quando entra em conflito com aquilo que alguém já acredita.

E nem sempre isso acontece de maneira consciente.

Conversas com familiares e amigos, conteúdos nas redes sociais, notícias e experiências anteriores também podem interferir na maneira como uma mensagem é recebida.

Razão e emoção não estão necessariamente em lados opostos. As duas podem participar daquilo que parece ser uma decisão puramente racional.

Em meio a discursos, pesquisas, debates e informações que chegam de todos os lados, vale uma pausa:

Afinal, o que move o voto?

Compreender o voto é também compreender o ser humano diante de uma decisão.

E, quando se trata de comportamento, quase nada é tão simples quanto parece.

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Vanessa Ripp
Vanessa Ripp
Psicóloga e mestra em Direito. Seu olhar vai além dos acontecimentos para compreender as pessoas, suas emoções, seus comportamentos e as relações que moldam a sociedade.
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