
Mais de 100 produtores rurais, técnicos agrícolas e estudantes participaram, na terça-feira (5), do primeiro de cinco Dias de Campo de Solos realizados pelo Sistema FAEP em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Toledo. O evento apresentou pesquisas voltadas à conservação do solo e destacou os prejuízos causados pela erosão, muitos deles imperceptíveis a olho nu.
Participaram representantes de Assis Chateaubriand, Bom Princípio, Cafelândia, Cascavel, Diamante do Sul, Marechal Cândido Rondon, Missal, Nova Santa Rosa e Toledo. As atividades ocorreram em uma megaparcela do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (Napi Prosolo/Rede Agropesquisa), utilizada há oito anos para estudos em condições reais de produção.
Durante o Dia de Campo, pesquisadores apresentaram resultados de estudos sobre perdas de solo e água em áreas com e sem terraceamento, impactos na microbacia e nos rios, qualidade física, química e microbiológica do solo e manejo de dejetos suínos para uso agrícola.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a proposta foi aproximar os produtores do conhecimento desenvolvido pelas instituições de pesquisa.
"Conservar o solo é preservar o principal patrimônio do produtor rural e garantir que a atividade agropecuária continue crescendo de forma sustentável ao longo das gerações", afirmou.
Na ocasião, os participantes também receberam o segundo livro publicado pela Rede Agropesquisa, em reconhecimento à colaboração dos produtores nos estudos desenvolvidos.
O vice-presidente do Sindicato Rural de Toledo, Edenilson Carlos Copini, destacou que os experimentos evidenciaram a diferença entre áreas com e sem terraceamento.
Segundo ele, onde as estruturas foram retiradas houve maior perda de água, solo e fertilidade, com parte do material sendo carregado para os rios. Copini reforçou que práticas como terraceamento, curvas de nível, plantas de cobertura e rotação de culturas precisam ser adotadas de forma integrada para preservar o potencial produtivo das propriedades.
A integrante da Comissão de Mulheres do Sindicato Rural de Toledo, Gladis Knebel Schneider, alertou que a retirada das curvas de nível em algumas propriedades tem favorecido o retorno dos processos erosivos. Ela destacou que as demonstrações permitiram visualizar os impactos das chuvas intensas sobre a microbiota e a fertilidade do solo.
Para os pesquisadores, além de reduzir a produtividade das lavouras, a erosão contribui para o assoreamento dos rios ao transportar sedimentos, nutrientes e matéria orgânica.
O vice-presidente da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná (Aaviopar), Elio Migliorança, afirmou que as medições científicas ajudam os produtores a compreender perdas que normalmente não são percebidas visualmente. Segundo ele, preservar o solo é essencial para manter a produtividade e a rentabilidade das propriedades ao longo dos anos.
A programação dos Dias de Campo terá continuidade em Umuarama, no dia 2 de setembro; Cruzeiro do Sul, em 16 de setembro; Irati, em 24 de setembro; e Cambará, em 30 de setembro. Os encontros abordarão temas como avaliação da qualidade do solo, plantas de cobertura, integração lavoura-pecuária, manejo de dejetos suínos, plantio em curva de nível e terraceamento.
