
O jornalismo de Cascavel ganhou destaque no cenário estadual. O repórter Silvio Matos, do jornal Preto no Branco, conquistou o 2º lugar na categoria Reportagem Impressa do 11º Prêmio Sangue Bom do Jornalismo Paranaense, uma das mais importantes e tradicionais premiações da imprensa do Paraná, promovida pelo Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná).
O reconhecimento foi concedido pela reportagem “Frota de ônibus elétricos de Cascavel evita emissão de 1,4 milhão de quilos de CO₂”, publicada na edição de 12 de setembro de 2025 do Preto no Branco. A matéria investigou os resultados da implantação da frota elétrica no transporte coletivo de Cascavel, confrontando os benefícios ambientais e econômicos com os custos adicionais e problemas identificados nos veículos.
A 11ª edição do Prêmio Sangue Bom marcou a retomada da premiação, que havia realizado sua última edição em 2016. O concurso é voltado a jornalistas profissionais e tem como objetivo reconhecer e valorizar a produção jornalística paranaense. A cerimônia de premiação ocorreu em 7 de agosto, em Curitiba. Os trabalhos do Sangue Bom foram avaliados por jornalistas profissionais convidados, com notas atribuídas a partir de três critérios: qualidade técnica, relevância social e criatividade e originalidade.
Na reportagem premiada, Silvio Matos analisou o primeiro ano de operação dos 15 ônibus elétricos de Cascavel, implantados em agosto de 2024. Segundo os dados levantados na apuração, os veículos haviam percorrido aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros, correspondentes a 12,45% da quilometragem total do sistema no período.
A operação representou uma redução estimada de 1,4 milhão de quilos de CO₂ lançados na atmosfera, quantidade equivalente, conforme os dados apresentados na matéria, ao impacto do plantio de cerca de 10,2 mil árvores.
Além do aspecto ambiental, a reportagem mostrou que o Município havia economizado aproximadamente R$ 1,2 milhão em combustível em comparação com o que seria gasto para percorrer a mesma distância com ônibus movidos a diesel.
Mas a apuração também destacou que a transição para a tecnologia elétrica trouxe despesas que precisavam ser consideradas. Entre elas estavam a adaptação das catracas dos ônibus, a aquisição de pneus e os custos de manutenção da frota. Somados, esses gastos adicionais poderiam chegar a aproximadamente R$ 2,1 milhões em um ano, superando em cerca de R$ 900 mil a economia obtida com combustível.
A reportagem ainda identificou problemas em alguns veículos, como falhas em painéis de LED, iluminação externa danificada, pega-mão quebrado e ônibus com marcas de colisão. Após os questionamentos feitos pelo Preto no Branco, a empresa responsável pela manutenção informou que havia alterado protocolos e ampliado a frequência das vistorias, com a adoção de um checklist para verificar itens elétricos, mecânicos, pneus, iluminação, sinalização, interior e segurança.
Para o Preto no Branco, a conquista representa o reconhecimento estadual de uma reportagem produzida a partir de uma pauta local, mas com relevância para o debate sobre mobilidade urbana, sustentabilidade, gestão pública e uso responsável dos recursos públicos. A abordagem buscou apresentar ao leitor os benefícios ambientais da tecnologia, os custos, desafios de manutenção, planejamento da expansão e impactos para os cofres públicos e para os usuários do transporte coletivo.

