
O modelo de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP despertou o interesse de uma cooperativa da Nigéria. Representantes da Gondal Fulbe Development Initiative (GFDI) visitaram a entidade, em Curitiba, para conhecer iniciativas voltadas aos produtores rurais.
A delegação busca referências que possam contribuir para a estruturação e o fortalecimento das atividades desenvolvidas pela organização no país africano.
Criada em 2025, a GFDI atua no Estado de Adamawa, no Nordeste da Nigéria. A entidade trabalha principalmente com pequenos produtores de leite e busca fortalecer a cadeia produtiva por meio do acesso a insumos, novas tecnologias, capacitação e aproximação com o mercado.
Segundo Oluwafisayomi Kayode, especialista em agronegócio e integrante do conselho da GFDI, a visita permitiu conhecer diferentes formas de apoio oferecidas aos produtores pelo Sistema FAEP.
“Pudemos aprender, compreender e estudar os serviços oferecidos pelo Sistema FAEP, especialmente os diferentes tipos de apoio para auxiliar o produtor rural no crescimento sustentável”, afirmou.
Um dos programas que mais despertou interesse foi a ATeG. O serviço é gratuito e combina orientação técnica e gestão da propriedade, com acompanhamento individualizado e periódico dos produtores.
Os técnicos de campo acompanham indicadores produtivos e econômicos, orientam a adoção de tecnologias e auxiliam os produtores na organização das atividades rurais.
Criada em 2023, inicialmente com foco na olericultura, a ATeG foi ampliada para diferentes cadeias produtivas. Atualmente, o programa atende áreas como apicultura, bovinocultura de corte e de leite, cafeicultura, fruticultura, grãos e cereais, olericultura, ovinocultura de corte e piscicultura.
Para Kayode, o acompanhamento individualizado pode servir como referência para a atuação da GFDI, principalmente por causa do trabalho desenvolvido pela organização junto a pequenos produtores de leite.
“Esse suporte técnico oferecido aos produtores, de forma individualizada e distribuído por diferentes regiões, faz a diferença”, destacou.
A formação profissional voltada ao meio rural também chamou a atenção dos representantes nigerianos. A delegação conheceu iniciativas de capacitação e treinamentos oferecidos pelo Sistema FAEP.
“O sistema de capacitação do Sistema FAEP, com profissionais sendo preparados e produtores com acesso a treinamentos em áreas como produção de leite, pecuária de corte e outras cadeias, pode ser integrado ao nosso país”, afirmou Kayode.
A agricultura tem participação relevante na economia da Nigéria. De acordo com dados do Banco Mundial citados pelo Sistema FAEP, o setor respondeu por cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025 e concentrou 33,5% dos empregos.
Para a representante da GFDI, uma das dificuldades está na estruturação de mecanismos capazes de oferecer suporte integrado aos pequenos produtores.
“No Brasil, o sistema funciona de forma integrada, por meio de organizações consolidadas em diferentes setores, que trabalham juntas e complementam os esforços umas das outras. Queremos utilizar esse conhecimento na solução de algumas das lacunas que temos na Nigéria”, explicou.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a troca de experiências permite compartilhar soluções voltadas à produção e à gestão rural.
“Essa troca de experiências permite compartilhar soluções que aproximam o conhecimento técnico de diferentes realidades e contribui para melhorar a produção, a gestão e a renda no campo em qualquer parte do mundo”, declarou.
