
A participação das mulheres na produção de cafés especiais vem crescendo no Paraná. As produtoras estão mais presentes na gestão das propriedades, na produção, em concursos, na comercialização e na busca por novos mercados.
Um dos espaços que mostram esse avanço é o Concurso Café Qualidade Paraná, promovido pelo Sistema FAEP. Organizado há 24 anos pela Câmara Setorial do Café e pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o concurso possui as categorias Natural e Cereja Descascado, além de premiações regionais.
As inscrições para a edição de 2026 estão abertas até 30 de setembro. Em 2024, 32 produtoras chegaram à final e oito receberam prêmios. No ano seguinte, foram 48 finalistas e nove mulheres entre as melhores colocadas.
“O maior protagonismo da mulher na cafeicultura” é uma das frentes fomentadas pelo Sistema FAEP, segundo o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette. Para ele, o concurso também representa uma oportunidade de ampliar mercados.
A presença feminina também aparece nos cursos oferecidos pelo Sistema FAEP para trabalhadores da cadeia do café. Nos últimos seis anos, 428 das 1.077 pessoas capacitadas eram mulheres, quase 40% do total.
A participação feminina passou de dez produtoras capacitadas em 2020 para 158 no ano passado.
O mesmo movimento ocorre no projeto de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), que mantém sete turmas de cafeicultores em Ivaiporã, Congonhinhas, Tomazina, Ribeirão do Pinhal, Curiúva, Grandes Rios e Pinhalão.
Nas 191 propriedades acompanhadas pelos técnicos, a produção é conduzida por mulheres. Em Curiúva, sete das 30 propriedades atendidas têm produtoras à frente da atividade.
Em Pinhalão, no Norte Pioneiro, Sirlene de Souza produz café especial com o marido, Pedro. A relação dela com a atividade começou ainda na infância, acompanhando a mãe na lavoura.
O casal comprou um sítio em 2001, por meio de financiamento do antigo Banco da Terra, hoje programa Terra Brasil. Em 2010, buscou capacitação para produzir cafés especiais.
Atualmente, são 16 mil pés cultivados em 13 hectares. Cerca de 30% da produção abastece clientes locais, incluindo o mercado de cafés especiais, enquanto 70% são destinados à exportação.
Sirlene participa de concursos há quatro anos e acumula títulos. Ela foi campeã por quatro anos consecutivos nas etapas regionais da Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé), venceu as duas últimas edições do Concurso Nosso Café e conquistou o Concurso Café Qualidade Paraná em 2022 e 2025, na categoria Cereja Descascado.
Em Apucarana, Flávia Guimarães da Silva Rosa venceu a categoria Natural do Concurso Café Qualidade Paraná em 2025. O contato com a cafeicultura também veio por influência de outra mulher, a sogra, que ensinou técnicas de produção.
Depois de conhecer o mercado de cafés especiais, Flávia passou a buscar formas de agregar valor à produção da família e vender diretamente ao consumidor.
O Café Rosa, produzido por ela, conquistou o terceiro lugar na categoria Natural em 2024. No ano seguinte, chegou ao primeiro lugar.
Atualmente, Flávia e o marido, Walter, cultivam 70 mil pés das variedades IPR106 e IPR100. Cerca de 30% da produção é destinada ao consumidor final e 70% segue para exportação.
Segundo Flávia, a premiação ajudou a aproximar clientes e trouxe novos compradores. Ela afirma que o concurso também permitiu conhecer melhor o potencial do café produzido na região.
Também em Apucarana, Solange Aparecida de Araújo produz café desde a infância. Em 2015, ela comprou a propriedade do tio e passou a produzir o próprio café.
Com apoio do marido, José, e do filho, Valmir, cultiva 6 mil pés da variedade IPR 107, comercializada como Café Amadeu’s.
Em 2025, o café alcançou pontuação 88,19 na avaliação sensorial. Apesar de não ter ficado entre os primeiros colocados do concurso, Solange participou da Rodada de Negócios organizada pelo Sistema FAEP e conseguiu apresentar o produto a uma torrefação de Curitiba.
A iniciativa aproximou produtores de cafeterias e compradores da capital. Para Solange, a participação das mulheres também contribui para o cuidado com todas as etapas da produção.
A 24ª edição do Concurso Café Qualidade Paraná recebe inscrições até 30 de setembro. Podem participar produtores de café arábica do Paraná, nas categorias Natural e Cereja Descascado.
Entre os critérios estão peneira 16 acima, tipo dois ou três e umidade máxima de 11,5%.
Após as inscrições, técnicos do IDR-Paraná fazem a coleta presencial das amostras. Os cafés passam por análises física e química, que avaliam características dos grãos e atributos como aroma, corpo, sabor e acidez.
A premiação está marcada para 17 de novembro, em Curitiba. Serão reconhecidos os cinco primeiros colocados nas categorias Natural e Cereja Descascado, além de cinco premiações regionais.