
Uma delegação formada por 20 produtores de diferentes municípios do Paraná participa do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte (MG). A participação é promovida pela Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), em parceria com o Sistema FAEP.
Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural; uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o congresso reúne produtores, especialistas, fornecedores e representantes da indústria para discutir pesquisas, boas práticas e perspectivas para a cotonicultura.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a participação dos produtores permite o contato com novas tecnologias e práticas de gestão que podem ser adaptadas à realidade paranaense.
Para José Cenizo, produtor de Cambará, no Norte Pioneiro, a troca de experiências é um dos principais pontos do evento. Ele cultiva algodão há cinco anos, em sistema de rotação com milho e soja, e destinou cerca de 40 hectares à cultura na última safra.
“O contato entre os produtores é o principal do Congresso. O Paraná, hoje, não é um dos protagonistas na cotonicultura, então, é muito importante circular e ver o que está sendo feito em outras regiões do país. Quando temos acesso a essas experiências, podemos pensar em como adaptar para o nosso caso”, afirmou.
Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural de Cambará e integrante de uma família de cotonicultores, também destaca a importância do contato com pesquisas desenvolvidas em outras regiões produtoras.
Entre os temas acompanhados pela delegação está o controle do bicudo-do-algodoeiro. Especialistas apresentaram programas de manejo adotados na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
“Eles têm estratégias bastante firmes. A gente pode fazer uma adaptação no Paraná”, disse Sakamoto.
O Paraná já teve participação muito maior na produção nacional de algodão. Na safra 1991/92, o Estado era o maior produtor do país, com 709 mil hectares cultivados, o equivalente a 36% da área nacional.
A infestação do bicudo-do-algodoeiro, a expansão da soja e as dificuldades econômicas enfrentadas na década de 1990 contribuíram para a redução da área de algodão no Paraná.
Atualmente, o Estado possui 1,7 mil hectares cultivados com algodão, o equivalente a 0,2% da área registrada na safra 1991/92.
Com avanços em tecnologia e manejo, produtores e entidades do setor trabalham para ampliar novamente a presença da cultura no Estado. A Acopar atua nesse processo com suporte técnico e incentivo aos agricultores interessados em investir no algodão.
Segundo o diretor-presidente da entidade, Almir Montecelli, o trabalho começa com uma avaliação das condições da propriedade para implantação da lavoura e segue com assistência técnica.
Para Montecelli, a participação no Congresso Brasileiro do Algodão também permite aos produtores conhecer a dimensão da cadeia produtiva e identificar oportunidades de crescimento.
Durante a abertura do congresso, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, destacou os impactos de conflitos internacionais, tensões comerciais, questões geopolíticas e incertezas climáticas sobre a atividade.
Piccoli afirmou que, diante de fatores que não estão sob controle dos produtores, é necessário concentrar esforços na gestão, no acompanhamento de custos, nos investimentos e no planejamento de diferentes cenários.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também participou da abertura e destacou os avanços da produção brasileira de algodão, atribuídos a investimentos em genética, manejo, defesa, agricultura de precisão e rastreabilidade.
Segundo o ministro, a produção brasileira ultrapassou 4 milhões de toneladas de pluma na atual safra, enquanto as exportações superaram pela primeira vez a marca de 3 milhões de toneladas no último ano.