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Canetas emagrecedoras ampliam mercado para proteínas no Paraná

Popularização das canetas emagrecedoras reduz o consumo de ultraprocessados e aumenta a procura por proteínas, movimento que já chega ao agronegócio paranaense.

Tissiane Merlak
Por: Tissiane Merlak Fonte: Assessoria
18/09/2026 às 10h09
Canetas emagrecedoras ampliam mercado para proteínas no Paraná
Mudança no consumo aumenta a procura por alimentos ricos em proteínas e abre espaço para produtores rurais.

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, está provocando mudanças nos hábitos alimentares e abrindo novas oportunidades para o agronegócio.

A procura maior por alimentos naturais e fontes de proteína já é percebida em diferentes cadeias produtivas do Paraná, incluindo leite, carne, frango, ovos e grãos.

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Uma pesquisa realizada pela Pluxee com 1,2 mil usuários mostra que 84% dos entrevistados que utilizam as canetas reduziram o consumo de industrializados. Outros 83% diminuíram a ingestão de ultraprocessados e 57% passaram a priorizar fontes de proteína.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a mudança acelera uma transformação que já estava em curso no consumo de alimentos.

“De queijarias a aviários, de pastagens a lavouras de cereais, as canetas emagrecedoras aceleram a transformação e a busca por uma alimentação saudável, que já vinha se desenhando nos últimos anos”, afirma.

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Leite ganha espaço com o whey

Na pecuária leiteira, um dos reflexos aparece no aumento do valor do soro do leite, utilizado na fabricação do whey protein. O produto, antes tratado como subproduto da fabricação de queijos, passou a ter maior valor comercial.

Roger van der Vinne, produtor de Carambeí, nos Campos Gerais, e vice-presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, afirma que o preço do soro praticamente triplicou nos últimos dois anos.

Vinne mantém cerca de 450 vacas em lactação e produz 18 mil litros de leite por dia. Segundo ele, porém, a valorização ainda precisa avançar até chegar de forma mais significativa ao produtor rural.

“Essa mudança do consumo atinge primeiro a indústria para, só depois, chegar ao nível do produtor”, explica.

O movimento também influencia a seleção genética dos rebanhos. Canadá e Estados Unidos passaram a dar maior peso à proteína em seus índices de seleção de touros, em relação à gordura.

Como parte dos touros utilizados no Brasil é selecionada com base nesses índices internacionais, a mudança também começa a alcançar a genética dos rebanhos nacionais.

Carne busca mais valor agregado

Na pecuária de corte, a maior procura por proteína abre espaço para sistemas de produção que agreguem qualidade ao produto.

O pecuarista Rodolpho Botelho, presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP e do Sindicato Rural de Guarapuava, trabalha com animais Angus em Guarapuava, Turvo e Candói.

A produção utiliza integração lavoura-pecuária, com foco na recria e terminação de bezerros, além de características como marmoreio e qualidade da carne.

Segundo Botelho, frigoríficos já oferecem preços diferenciados por animais produzidos com práticas como bem-estar animal, integração lavoura-pecuária e precocidade.

Outro mercado apontado pelo produtor é o da carne grass-fed, produzida com alimentação baseada exclusivamente em capim e forragens naturais.

Frango e ovos acompanham tendência

No Oeste do Paraná, a mudança no comportamento do consumidor também é observada na avicultura. O produtor Marcos Junges, de Missal, trabalha com frangos de corte em sistema de integração e produz 37 mil aves por lote em dois aviários.

Segundo Junges, a diversificação da produção já vinha acompanhando a procura por alimentos associados à saúde e à qualidade nutricional.

Entre os exemplos estão ovos enriquecidos com ômega 3, vitamina D e selênio, ovos orgânicos e linhas premium de frango com alimentação 100% vegetal e sem uso de antibióticos.

“A questão das canetas emagrecedoras chegou quando a avicultura já estava preparada. Isso foi muito bom”, afirma.

Para o produtor, frango e ovos ganharam espaço por serem fontes de proteína de alto valor biológico e apresentarem custo-benefício considerado competitivo.

Aveia e soja entram no movimento

Nas lavouras, os efeitos ainda aparecem de forma mais discreta, mas produtores já identificam aumento da procura por determinados produtos.

É o caso de Ivo Arnt, que cultiva aveia, cevada, milho, soja e trigo mourisco em Tibagi. Segundo ele, a procura por aveia e proteína de soja aumentou neste ano, embora o movimento ainda não tenha impacto significativo nas estatísticas.

A aveia, que tradicionalmente era associada ao consumo de idosos e à alimentação infantil, passou a aparecer com maior frequência em produtos como barras de cereais e preparações voltadas ao público que busca alimentos com maior teor proteico.

Arnt também relata redução na procura por trigo para produtos como pão, macarrão e bolachas entre consumidores que estão emagrecendo.

Para o produtor, a oportunidade está na diversificação, na profissionalização e na aproximação com a indústria de alimentos. A propriedade possui certificação internacional para produção de alimentos e mantém parcerias com empresas como Nestlé e Mãe Terra.

Segundo ele, produtos certificados e produzidos com práticas sustentáveis conseguem alcançar mercados que oferecem remuneração diferenciada, especialmente no exterior.

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