
Quando o Museu Histórico Celso Formighieri Sperança foi aberto, em 26 de setembro de 1976, tinha uma sede, localizada na Rua Barão do Cerro Azul, 355, endereço de uma futura agência local do Sicoob. Nesse local, acomodou com facilidade suas primeiras 92 peças, mas ao completar 50 anos nesta semana, o acervo já passa de 1,5 mil peças e a instituição não tem mais um espaço próprio.
Com apenas poucas peças expostas, a maioria está oculta nos caixotes de uma “reserva técnica” em um espaço compartilhado com o Museu da Imagem e do Som no Centro Cultural Gilberto Mayer. O MIS, na verdade, deveria ser um componente do Museu Histórico e não mais uma instituição sem espaço adequado.
A proposta inicial para a formação do Museu partiu do professor Alexandre Câmpara. No início dos anos 1970 ele coletava em casa objetos representando aspectos históricos de Cascavel, como as ferramentas utilizadas por tropeiros, ervateiros e madeireiros presentes na região desde o início do século XX.
O foco central do interesse de Câmpara estava nos objetos remanescentes da colonização do Oeste trazidos pelas famílias vindas do Sul. Sem mais espaço para manter o acervo crescente, a residência do professor era confundida com a de um catador de lixo, pois ele juntava os objetos no quintal para estudá-los.
Alexandre Câmpara nasceu em Antonio Prado (RS) em 14 de dezembro de 1914. Fez os primeiros estudos na terra natal e o Ginásio em Porto Alegre. Em 1931, com 17 anos, já lecionava no Colégio Nossa Senhora do Rosário.
Câmpara fez os estudos superiores na Pontifícia Universidade Católica da capital gaúcha e um curso de especialização em Curitiba em 1943, já integrando o Colégio Marista com o nome de “Irmão Diogo”.
Ele se dedicava a atividades comunitárias agregadoras, e estimava particularmente o escotismo. Criou o primeiro grupo dessa prática em 1946, na capital gaúcha. Passou à história, na verdade, por sua dedicação ao escotismo no Sul do Brasil, especialmente a partir de Caçador (SC), cidade natal de Celso Sperança, o jornalista que ao falecer, em março de 1977, teve seu nome dado ao MH (https://x.gd/799So).
Câmpara cumpriu em 1956 mais um curso de especialização, em Campinas (SP), além de outros em Caçador (SC), em 1960, Rio de Janeiro (1962) e Blumenau (1968).
Em 1972, já sem espaço para guardar os objetos coletados em Cascavel, Câmpara propôs a criação do Museu Histórico para preservar o que fosse possível do patrimônio histórico da região, segundo ele “rapidamente dilapidado pelo progresso vertiginoso”.
O primeiro resultado prático do esforço pela formação do Museu Histórico só vem dois anos depois, em 31 de maio de 1974, quando o secretário municipal da Educação e Cultura, professor Paulo Marques, anunciou o propósito da Prefeitura de fundar a instituição.
Mas Marques logo foi para a política federal e só mais um ano depois, a 13 de junho de 1975, atendendo a uma solicitação do persistente professor Câmpara, o vereador André Wypych propôs oficialmente à Prefeitura a organização do Museu Histórico, que já nasceria com um expressivo número de peças.
A conjuntura era difícil, ainda em plena crise econômica da ditadura, que minguava os recursos das prefeituras, mas a proposta estava madura e em 14 de junho de 1976 projeto de lei do vereador Luiz Picoli nesse sentido foi aprovado pela Câmara.
A essa altura, Câmpara também se tornara o precursor do Museu de História Natural Augusto Ruschi, criado anexo ao zoológico em 1986, pois mantinha no quintal animais da fauna local, dentre os quais cobras que estudava para servir ao Instituto Butantã e depois também foram para o quintal do Museu.
Sancionada a lei pelo prefeito Pedro Muffato, o Museu Histórico de Cascavel ainda precisava de uma sede para o armazenamento e exposição de um acervo ainda modesto, inferior a cem peças. Definido o local na Rua Barão do Cerro Azul, a instalação oficial se deu em 26 de setembro.
A sede própria do Museu foi transferida em 4 de abril de 1977 para a Rua Rio de Janeiro, 218, quando o acervo já contava com 228 peças catalogadas. O MH passou a denominar-se Museu Histórico Celso Sperança a partir de 19 de abril de 1977, por iniciativa dos vereadores José Marcos Formighieri, José de Oliveira e Osmar Xiquinho Zimmermann com a sanção do prefeito Jacy Miguel Scanagatta.
Em 1985, confiante de ter dado sua contribuição para a cultura cascavelense, o professor Alexandre Câmpara se transferiu para Marmeleiro e faleceu pouco depois. Ao deixar Cascavel, ele disse: “Para a cultura e para um povo, o prefeito é como uma lâmpada. Se o prefeito se preocupar com a cultura de sua população, a lâmpada acende. Mas se isso não ocorre, a escuridão toma conta”.
O prefeito de Cascavel, Renato Silva, particularmente ligado ao desenvolvimento cultural, está com o interruptor da lâmpada à mão: seu Plano Municipal de Cultura (item XXI) prevê a construção, finalmente, de um prédio próprio para o Museu Histórico.
Nascida em Cascavel em 14 de abril de 1926, Maria Balbina Schiels veio ampliar para três filhos a família que o casal Ernesto e Laurentina trouxe de Cantagalo.
A criança Maria Balbina cresceu e chegou à mocidade acompanhando os trabalhos dos pais, do primogênito Joaquim e da primeira filha, Maria Francisca, nas atividades rurais do Cascavel Velho.
O nascimento de Maria Balbina depois de tantas angústias passadas pela família foi simultaneamente um sinal de paz e de novos tempos: com o fim da Revolução, cessaram os acampamentos de mensus transportando erva-mate e acampando na Encruzilhada dos Gomes.
Os mensus carregavam os fardos de erva-mate nas costas ou em muares, os cargueiros, mas agora já havia caminhos carroçáveis.
Os carroções se multiplicavam, levando erva-mate e gêneros alimentícios para a população dos portos fronteiriços. Com Balbina, assim, também começava a surgir uma nova Cascavel