
Gaurama (RS) era apenas um modesto distrito de Erechim – a Colônia Barro – quando ali nasceu Élio Willy Fauth, em 25 de outubro de 1926, há um século, portanto, mas iniciava nessa época um rápido desenvolvimento com a exploração da madeira e o movimento ferroviário.
Os pais, Arno Willy Fauth e Frida, aproveitaram a ocasião para abrir um curtume, setor que viveu intensa concorrência até se esgotar em 1935. A família então se viu na contingência de abandonar os negócios antes prósperos de curtir couro e fabricar chinelos e se mudou para Caçador (SC), onde abriu uma pequena casa de comércio.
“Começou como um boteco e em 1946 se tornava um grande estabelecimento comercial”, lembrou Fauth. Lá ele conheceu Celso Sperança e passou a trabalhar com o setor madeireiro em Curitibanos (SC) até que no final da década de 1950 o setor também mergulhou na crise, pelo esgotamento dos pinheiros.
Em Cascavel, porém, a área madeireira estava no auge e Élio veio para o Oeste em fevereiro de 1960. “E como eu vivi dentro de indústrias madeireiras, trabalhando em contabilidade e departamento de pessoal, eu vim pra cá e acabei ficando por aqui mesmo”, lembrou ele para a memória histórica de Cascavel.
Élio recebeu convite da tradicional firma Tozo & Bilibio, mas não chegou a trabalhar ali porque em outubro de 1960 foi convidado para trabalhar na expansão da Comercial Oeste Paraná Ltda (Copal), empresa do Grupo Dalcanale e Ruaro da qual Itasyr Luchesa era o gerente.
Fauth substituía Victorino Sartori, na época o guarda-livros mais requisitado de Cascavel. Mesmo com poucos meses vivendo em Cascavel, Fauth não chegou a se surpreender com o incêndio da Prefeitura, em dezembro de 1960, pois era voz corrente que a eleição do prefeito Octacílio Mion sofreria retaliação dos derrotados.
Foi uma desgraça para a cidade, mas uma oportunidade para Fauth, que abriu um escritório próprio e passou a servir à Prefeitura em seu processo total de reconstrução física e administrativa.
Foi a serviço da Prefeitura que Fauth se deparou com o trabalho mais difícil de sua vida: cobrar a dívida ativa. “A cobrança ia muito bem até que eu pisei nos calos dos parentes e amigos do prefeito”, disse ele. Depois viu que era comum a qualquer prefeito privilegiar impunemente parentes e apoiadores eleitorais.
Certo dia, o impertinente Fauth bateu à porta de José Neves Formighieri, o primeiro prefeito, que nunca pagou impostos municipais. Neves pediu que Fauth esperasse um minuto e voltou com uma pilha de notas e recibos – compra de trator, pagamentos de salários de professores, manutenção, serviços de carpintaria para construção de escolas etc.
Neves pagava as despesas da Prefeitura do próprio bolso e só não pagou impostos e taxas porque o Município lhe devia.
Fauth esteve na base do fortalecimento de várias das primeiras grandes empresas cascavelenses. Em 1973 prestou serviços à empresa Maschio & Cia e Industrial Agrícola Cachoeira. Em 1978, à Loja e Imobiliária Gaúcha.
De volta à Prefeitura em 1983, na primeira gestão Tolentino, trabalhou com o secretário Algacyr Biazetto na Secretaria Municipal das Finanças. Já era o processo de redemocratização do país e ele participou das ações nesse sentido na região como assessor legislativo em 1991, a convite do então vereador Hermes Parcianello.
Em 1993 voltou Prefeitura, na nova gestão de Tolentino e se atritou com vereadores que pretendiam criar leis para revogar as já existentes, inclusive as inscritas nas constituições federal, estadual e lei orgânica dos municípios.
“Não há absoluta necessidade de que o vereador seja um ‘doutor’, mas deve ter no mínimo conhecimento do terreno em que está pisando”, escreveu Fauth aos vereadores. Também se preocupava com os conflitos sociais: “Tiroteios entre jagunços e posseiros eram quase que diários. Nunca entre pistoleiros e policiais, pois os primeiros eram como que auxiliares dos segundos”.
Cobrador intransigente, Fauth reuniu contra si inimigos poderosos que chegaram a acusá-lo de “anticristão” por professar uma religião evangélica. Nesse baixo nível, também foi hostilizado por ser, segundo seus detratores, um burocrata alemão perseguindo empresários italianos.Fauth venceu preconceitos, racismo e calúnias exercendo, além de suas atividades profissionais no serviço público e na iniciativa privada, um papel de liderança e vanguarda em atividades esportivas e culturais, sobretudo na área do cinema.
Escrevendo livros e colaborando intensamente com a imprensa, Fauth se tornou um “oráculo” para todo assunto que precisasse de conhecimento técnico e opinião abalizada.
Casado com Adilha Gonçalves da Silva, teve dez filhos com ela. Morreu em 3 de julho de 1995 e não foi esquecido: o Município o imortalizou dando seu nome a uma rua no bairro XIV de Novembro, perto da BR-277.
Enquanto as meninas da família Lopes Schiels cresciam e ajudavam o irmão mais velho, Joaquim, mais famílias chegavam para fazer posses em busca das melhores terras para se estabelecer. Águas e proximidade de trilhas viáveis para carroças determinavam as preferências.
Já plenamente superado o temor das desagradáveis visitas de surpresa ora de solados legalistas, ora de rebeldes, um novo receio cresceu como consequência das roçadas para abertura de lavouras e derrubada de árvores para comércio: aumentou muito a presença de cobras, vistas nos arredores dos ranchos e nas plantações. Até nos lares elas eram encontradas, fugindo das derrubadas e do fogo.
Laurentina estava grávida do quarto filho, Sebastião, quando no habitual serviço da lavoura foi picada por uma jararaca. Não havia assistência médica nem soro antiofídico à disposição, mas um milagre parece ter acontecido: Laurentina era apaixonada por gatos e a jararaca que a picou instantes antes havia também atacado um dos gatos da pioneira.
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LEGENDA Sebastião Lopes Schiels