
Cascavel chegou a 47 mortes no trânsito em 2026. O número foi alcançado na segunda-feira, 28 de setembro, com a morte de Liliane de Carvalho, de 36 anos, vítima de um acidente entre uma motocicleta e um ônibus na Avenida Brasil. Em pouco mais de nove meses, a cidade já registra o mesmo número de mortes contabilizado durante todo o ano passado.
O dado ganha outra dimensão quando colocado ao lado da violência letal registrada no município. Até setembro, Cascavel havia contabilizado 30 mortes em homicídios, incluindo casos de mortes em confronto. O trânsito, portanto, já havia provocado 17 mortes a mais.
Não são apenas números em uma tabela. São 47 histórias interrompidas em ruas, avenidas e rodovias que fazem parte da rotina de quem vive em Cascavel ou passa pelo município.
Entre as vítimas estão crianças, adolescentes, jovens e idosos. Carlos Eduardo Camargo dos Santos tinha 12 anos. Jhuliany Aparecida Gomes Ferreira e João Victor Costa Farias tinham 17 anos. Davi Henrique Vargas Daldin tinha 20. Mateus Brito de Oliveira tinha 23. Do outro lado da faixa etária, Jorge Sebastião dos Santos tinha 89 anos e Itamaro Soares da Silva, 79.
O levantamento considera acidentes registrados tanto dentro da área urbana quanto nas rodovias que passam pelo município, entre elas BR-163, BR-277, BR-369, PR-180 e PRC-467.
O dado mais recente também carrega um peso simbólico. Setembro é marcado por ações de conscientização e atenção ao trânsito, mas terminou em Cascavel com uma sequência de mortes.
Pelo menos seis vítimas foram acrescentadas ao levantamento ao longo do mês.
No dia 4, morreu Itamaro Soares da Silva, de 79 anos, depois de um acidente envolvendo uma bicicleta e uma motocicleta na Rua Europa, no bairro Periolo.
Oito dias depois, Lourdes Brito, de 66 anos, morreu após um capotamento na PR-180. Em 17 de setembro, Cacilda Monteiro, de 73 anos, morreu após um acidente na BR-369.
No dia 23, a vítima foi João Victor Costa Farias, de 17 anos, em um acidente envolvendo uma moto elétrica e outro veículo. Quatro dias depois, Wando Moraes de Oliveira Branco, de 41 anos, morreu após uma colisão entre motocicletas na Avenida Tancredo Neves.
Então veio a segunda-feira, 28 de setembro. Na Avenida Brasil, uma motocicleta foi atingida por um ônibus do transporte coletivo. Liliane de Carvalho, de 36 anos, morreu.
Se setembro deveria servir para reforçar a necessidade de cuidado, o fechamento do mês deixa uma conta difícil de ignorar: seis vidas perdidas em acidentes de trânsito.
O ano começou com uma morte em 2 de janeiro. Allan Cristian, de 36 anos, morreu depois de um acidente na PR-180, na região de Juvinópolis.
Quatro dias depois, Cascavel registrou a primeira morte no perímetro urbano de 2026. Luiz Paulo da Costa, de 60 anos, morreu após uma colisão envolvendo uma Volkswagen Saveiro e um micro-ônibus no cruzamento das ruas Salgado Filho e São Paulo.
A partir dali, os registros se espalharam pelos meses seguintes.
Até 31 de agosto, eram 38 mortes, sendo 20 no perímetro urbano e 18 em rodovias. Naquele levantamento, BR-163, PRC-467 e BR-277 apareciam entre os trechos com registros de mortes.
É exatamente o mesmo número registrado em todo o ano de 2025. A diferença é que, no ano passado, foram necessários 12 meses para chegar a esse total. Em 2026, o número foi alcançado até 28 de setembro, deixando ainda mais de três meses no calendário para o encerramento do ano.
Os acidentes envolvendo motocicletas aparecem repetidamente no levantamento.
Até o fim de agosto, 13 das 38 vítimas estavam em motocicletas. No mesmo período, oito pedestres haviam morrido atropelados.
Os registros posteriores mantiveram a presença das motos entre as ocorrências fatais. João Victor morreu após um acidente envolvendo uma moto elétrica. Wando morreu em uma colisão entre motocicletas. Liliane estava na garupa de uma moto atingida por um ônibus.
Os atropelamentos também aparecem em diferentes pontos do município. Jorge Sebastião dos Santos morreu após ser atropelado na região da Rua Jacarezinho. Luciane Moreira Azarias foi vítima de atropelamento na Avenida das Pombas. Alessandro José Prestes e Richard Gonzalles morreram após atropelamentos na BR-277.
A lista mostra que não existe um único cenário para as mortes. Elas acontecem em rodovias, avenidas movimentadas, ruas de bairros e cruzamentos.
O aumento das mortes não surgiu apenas no fim de setembro.
Em fevereiro, quando Cascavel contabilizava 12 mortes no trânsito, a coordenadora de Educação de Trânsito da Transitar, Luciane de Moura, já havia chamado atenção para o crescimento dos registros. Naquele momento, eram seis mortes em rodovias e marginais e outras seis no perímetro urbano. No mesmo período de 2025, eram quatro mortes.
Na ocasião, Luciane citou comportamentos relacionados aos acidentes e à segurança viária, como pressa, falta de atenção, álcool associado à direção e uso de celular.
A fiscalização também continuou durante o ano. Em 25 de setembro, Polícia Militar, Guarda Municipal e Transitar realizaram uma Operação Lei Seca em Cascavel. Foram abordados 136 veículos e 156 pessoas. A ação resultou em 200 autos de infração, além do recolhimento de seis motocicletas e cinco automóveis.
As equipes identificaram 35 condutores em situações relacionadas à embriaguez e 18 motoristas inabilitados. Um motorista foi preso por embriaguez ao volante.
Mesmo com fiscalização, orientação e campanhas, o número de mortes continua subindo.
E é justamente aí que os 47 mortos deixam de ser apenas uma estatística. Quando o trânsito mata mais pessoas do que os homicídios e confrontos registrados na cidade, o problema deixa de ser apenas uma questão de mobilidade. Passa a ser também uma questão de segurança e de preservação da vida.
Setembro termina. O calendário muda. Mas as 47 vítimas permanecem na conta de 2026.