
Eleito governador do Paraná no primeiro turno, Sergio Moro atribui a vitória à proposta apresentada ao eleitor e à credibilidade construída ao longo da trajetória política. Em entrevista ao Preto no Branco, ele afirma que a eleição não foi sobre o governador Ratinho Junior e que o recado das urnas mostrou que o paranaense tem orgulho da Lava Jato.
Nesta quinta-feira (15), Moro e Ratinho Junior tiveram o primeiro encontro após a eleição para alinhar a transição. O governador eleito diz que vai participar pessoalmente da equipe de transição e que a meta é evitar que os paranaenses sejam prejudicados por falta de continuidade de serviços ou de obras.
Na conversa, Moro fala sobre a intenção de reduzir as 24 secretarias do Estado, sobre a escolha de secretários técnicos, a Tabela SUS Paranaense e a segurança pública. Ele também detalha o projeto do presídio estadual de segurança máxima El Salvador, que pretende iniciar já no começo do governo.
Preto no Branco: Na sua avaliação, o que foi determinante para garantir a vitória já no primeiro turno?
Sergio Moro: Acredito que houve uma combinação de fatores. Primeiro, nós apresentamos uma proposta clara para o Paraná e construímos credibilidade ao longo da nossa trajetória política. Houve até uma análise equivocada de que essa eleição seria sobre o governador Ratinho Junior. Não era. A eleição era sobre Sergio Moro, sobre a nossa proposta e sobre a credibilidade que construímos ao longo da nossa carreira política.
O recado que veio das urnas foi muito claro: o paranaense tem orgulho da Lava Jato e quer um governo honesto e eficiente. Além disso, tivemos uma onda no país inteiro que fortaleceu a direita e políticos que têm posições claras, que não ficam em cima do muro.
Preto no Branco: Como será conduzida a transição com o governo Ratinho Junior e quais áreas o senhor quer conhecer primeiro em profundidade?
Sergio Moro: O governador Ratinho me ligou logo após a eleição e já nos encontramos. Ele informou que está à disposição para que a transição seja o mais harmoniosa possível. O governo vai montar uma equipe e nós vamos montar a nossa equipe aqui do nosso lado. Eu vou estar pessoalmente envolvido na equipe de transição, sem prejuízo de termos outras pessoas que também vão conduzir esse processo.
Nós precisamos olhar para frente e garantir que os paranaenses não sejam prejudicados por falta de continuidade de serviços ou de obras por questões políticas.
Entre as prioridades, está a saúde. Nós vamos fazer um mapeamento das demandas de saúde de cada região, identificando aquelas mais importantes para que possamos focar o complemento do pagamento nessas demandas específicas. Também vamos trabalhar desde o início na segurança e na reestruturação da máquina pública.
Preto no Branco: Nesta quinta-feira (15), o senhor e o governador Ratinho Junior tiveram o primeiro encontro para alinhar a transição. Como foi a conversa?
Sergio Moro: Foi uma reunião importante e produtiva com o governador Ratinho Junior, a primeira após a eleição. Nosso objetivo é conduzir esse processo com diálogo, responsabilidade e transparência, garantindo todas as informações necessárias para preparar o novo governo e assegurar a continuidade dos serviços à população paranaense. Agradeço ao governador pela disposição em colaborar.
Preto no Branco: Qual será a principal diferença entre o seu governo e o governo Ratinho Junior?
Sergio Moro: Eu sempre deixei muito claro que não sou adversário do governador Ratinho Junior. O que eu entendo é que nós podemos fazer mais e fazer melhor pelo Paraná.
Nós vamos buscar um governo mais enxuto, mais eficiente e eminentemente técnico. Meu compromisso é ter secretários habilitados para exercer as funções das respectivas pastas. A Secretaria de Infraestrutura, por exemplo, precisa ser comandada por um engenheiro. A Secretaria da Saúde precisa ser comandada por um médico.
Nós queremos um governo honesto, eficiente e que dê ainda mais orgulho ao paranaense.
Preto no Branco: Quantas secretarias o senhor pretende manter e quanto espera economizar com a redução da máquina?
Sergio Moro: Hoje existem 24 secretarias, e eu considero esse número excessivo. Nós vamos fazer um enxugamento para reduzir a burocracia e fazer sobrar recursos para o cidadão, principalmente nas áreas de saúde e educação.
Eu ainda não vou estabelecer um número definitivo de secretarias nem uma estimativa de economia porque vamos fazer primeiro um mapeamento. Precisamos colocar as ideias no papel e definir a melhor estrutura. Quando assumi o Ministério da Justiça e Segurança Pública, fizemos uma reestruturação semelhante: unimos ministérios, redistribuímos funções, criamos secretarias que não existiam e eliminamos outras que eram desnecessárias.
A ideia agora é fazer uma reestruturação para buscar eficiência.
Preto no Branco: Durante a campanha, adversários disseram que uma vitória sua poderia levar o Paraná a uma moratória. Existe algum risco de o Estado deixar de honrar seus compromissos financeiros?
Sergio Moro: Nunca disse isso. Vamos conhecer a situação real das contas do Estado durante a transição.
Preto no Branco: Quando a Tabela SUS Paranaense começa a valer e qual a meta para reduzir as filas da saúde?
Sergio Moro: Nós vamos começar fazendo um mapeamento das demandas de saúde de cada região, identificando aquelas mais importantes, para que possamos focar o complemento do pagamento nessas demandas específicas.
É importante que as pessoas entendam que governo não é mágica. Não existe um coelho que você tira da cartola e resolve uma coisa da noite para o dia. Nós temos que fazer o trabalho de forma organizada.
A saúde é uma das nossas principais preocupações. Hoje os indicadores de saúde do Paraná estão ruins, e nós queremos melhorar.
Preto no Branco: Qual será a principal meta do seu governo para a segurança pública e para as regiões de fronteira?
Sergio Moro: Nós precisamos melhorar nossos indicadores de segurança, que ainda são os piores da região Sul. O principal problema que vejo hoje é a falta de integração entre as forças policiais.
Precisamos ter mais operações conjuntas entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica, com compartilhamento de dados e de inteligência.
Também vamos trabalhar com centros integrados, por exemplo, colocando Polícia Militar e Guarda Municipal trabalhando conjuntamente, com câmeras de vigilância, inteligência artificial e reconhecimento facial.
Além disso, vamos começar já no início do governo o projeto do presídio estadual de segurança máxima El Salvador. Quero que ele tenha um efeito dissuasório, para que o criminoso tenha medo de praticar crimes no Paraná pela certeza de que haverá aplicação severa da lei.
Devem ser destinados para lá líderes e membros relevantes de facções criminosas, assassinos de policiais e feminicidas.