
Faltando mais de dois meses para o fim do ano, Cascavel já superou a triste marca de feminicídios registrada durante todo o ano passado. Até 21 de outubro, a Delegacia de Homicídios contabilizava cinco casos em 2026, contra quatro em 2025. O caso mais recente é o de Dirlei Rodrigues da Silva, de 52 anos, encontrada morta na terça-feira (20), no bairro Floresta.
A mulher foi encontrada com um ferimento profundo no pescoço, provocado por arma branca, dentro de uma residência na Rua Altemar Dutra, em um imóvel anexo a um brechó. O corpo foi localizado pelo filho da vítima.
Um homem de 46 anos, suspeito de envolvimento no crime, foi preso na noite de terça-feira, em uma propriedade rural de Assis Chateaubriand. A prisão ocorreu após diligências das equipes policiais de Cascavel e da região.
Durante as buscas, os policiais apreenderam objetos que podem contribuir para a investigação, entre eles roupas, bolsas, cartões e uma caminhonete que teria sido utilizada pelo suspeito. A Polícia Civil também apura se houve subtração de bens da vítima e se o crime foi premeditado.
Conforme o delegado Ian Leão, da Delegacia de Homicídios, o suspeito foi ouvido, mas permaneceu em silêncio durante o interrogatório.
Ao comentar a possibilidade de premeditação, Leão citou a saída do suspeito da residência após o filho da vítima deixar o imóvel como um dos elementos que serão analisados.
“Uma pessoa que sai da residência após a saída do filho, provavelmente não foi algo que surgiu no momento. Talvez seja algo premeditado, isso vai ser avaliado a partir das demais diligências”, disse o delegado.
A Polícia Civil também investiga informações relatadas por pessoas próximas à vítima sobre possíveis desgastes no relacionamento.
Apesar dos números, a Delegacia de Homicídios traz um alento às famílias das vítimas. Segundo o delegado Ian Leão, todos os feminicídios registrados em Cascavel neste ano foram sido solucionados pela Polícia Civil.
“Estamos com cinco casos em tese e cinco casos solucionados. 100% de resolução dos feminicídios”, declarou.
O primeiro caso de feminicídio, de Ana Rosa Pereira da Silva, o suspeito foi condenado em agosto deste ano há mais de 29 anos de prisão pelo crime.
Ana Rosa Pereira da Silva, 32 anos
O primeiro caso do ano foi registrado na noite de 3 de fevereiro, na Rua Serra de Santana, no Loteamento Belmonte, região do bairro Morumbi. Ana Rosa estava em uma caminhonete com o companheiro quando os dois discutiram. Durante a ocorrência, ela foi retirada do veículo e atingida por disparos de arma de fogo. A mulher morreu antes da chegada do socorro.
O suspeito, de 48 anos, fugiu de Cascavel e foi localizado horas depois em um hotel em Jesuítas. Ele confessou o crime durante o depoimento, segundo a Polícia Civil. Durante as buscas, os policiais apreenderam armas e munições em endereços ligados ao investigado. Em agosto, o Tribunal do Júri de Cascavel condenou o réu a 29 anos e seis meses de prisão pelo feminicídio.
Mayara Araújo Krupiniski Rodrigues, 30 anos
Mayara foi morta a facadas na noite de 18 de fevereiro, no bairro Riviera, região norte de Cascavel. O ataque ocorreu na residência onde ela morava e foi presenciado pelo filho da vítima, uma criança de cinco anos. Após o crime, o suspeito, companheiro de Mayara, fugiu em um carro.
A Polícia Civil iniciou as buscas e divulgou a imagem do investigado, que utilizava tornozeleira eletrônica. O veículo usado na fuga foi localizado, e o equipamento de monitoramento foi encontrado rompido. O homem foi preso no dia 21 de fevereiro, após três dias de buscas, e ficou à disposição da Justiça.
Clereni Maria Menegassi, 68 anos
Clereni foi encontrada morta dentro da própria casa, na Rua Três Barras, no bairro Universitário, em 4 de março. Familiares estranharam a falta de contato com a idosa desde o domingo anterior. Ao ir até a residência, um familiar encontrou a mulher sem vida e acionou as autoridades.
A vítima apresentava ferimentos na região do pescoço, provocados possivelmente por arma branca. Durante as investigações, a Polícia Civil identificou um homem argentino de 65 anos como suspeito. Ele foi localizado e preso preventivamente em São Miguel do Iguaçu, no dia 22 de março. A investigação busca esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime.
Vanessa Marty, 45 anos
A escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty foi encontrada morta na noite de 24 de junho, dentro de um carro estacionado no pátio da residência da família, na Rua Adoniran Barbosa, no bairro Brasília. Ela havia sido atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça.
Inicialmente, o caso foi tratado como possível suicídio. Durante a perícia, porém, os investigadores identificaram inconsistências na versão apresentada pelo marido, um subtenente da reserva do Exército. A Polícia Civil também apurou informações sobre uma discussão entre o casal antes da morte. O homem foi preso em flagrante e passou a ser investigado por feminicídio.
Dirlei Rodrigues da Silva, 52 anos
Dirlei foi encontrada morta na terça-feira (20 de outubro), em uma residência anexa a um brechó, no bairro Floresta. O corpo apresentava um ferimento profundo no pescoço, provocado por arma branca, e foi localizado pelo filho da vítima. Um homem de 46 anos, suspeito do crime, foi preso em uma propriedade rural de Assis Chateaubriand. A Polícia Civil apura as circunstâncias e a possível premeditação do assassinato.