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Produtores rurais têm até 12 de novembro para renegociar dívidas

Programa federal disponibiliza recursos para renegociação de débitos do agronegócio, mas entidades apontam demora dos bancos, burocracia e limites insuficientes.

Tissiane Merlak
Por: Tissiane Merlak Fonte: Assessoria
03/11/2026 às 09h50
Produtores rurais têm até 12 de novembro para renegociar dívidas
Produtores rurais têm até 12 de novembro para solicitar renegociação de dívidas pelo programa federal.

Produtores rurais têm até 12 de novembro para solicitar a renegociação de dívidas por meio do programa criado pelo governo federal com a Medida Provisória (MP) 1.376/2026. O prazo é considerado curto pelo Sistema FAEP, que também aponta dificuldades na contratação e insuficiência dos recursos disponibilizados.

Até 27 de outubro, os bancos haviam utilizado R$ 14,3 bilhões dos R$ 25,8 bilhões autorizados para as operações subsidiadas, o equivalente a aproximadamente 55% do montante disponível.

Desde o início da vigência da medida, em julho, foram registradas 27,2 mil novas operações e 45,4 mil renegociações.

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No Paraná, as contratações somaram R$ 800 milhões, o equivalente a 3,1% do total nacional. O Estado aparece na quarta posição entre os que mais utilizaram o programa, atrás do Rio Grande do Sul, com R$ 7 bilhões, e de Minas Gerais e São Paulo, com R$ 900 milhões cada.

Paraná tem R$ 14 bilhões em saldo problemático

Apesar dos R$ 800 milhões contratados, o valor representa uma parcela pequena diante do endividamento do setor no Estado. Segundo dados do Banco Central, o Paraná acumulava R$ 14 bilhões em saldo problemático nos empréstimos rurais em agosto.

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O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a demora na implementação do programa e o prazo reduzido dificultam o acesso dos produtores à renegociação.

“O prazo é curto e o recurso insuficiente. Os bancos levaram semanas para começar a analisar os pedidos, e agora o produtor corre contra o relógio para tentar entrar num programa que já nasceu pequeno para o tamanho da dívida rural”, afirma.

Meneguette também critica a possibilidade de produtores ficarem de fora por causa de entraves burocráticos ou da demora das instituições financeiras em responder às solicitações.

Sistema FAEP aponta dificuldades na contratação

A implementação das medidas também enfrentou atrasos após a publicação da MP. Somente em 13 de agosto, o Ministério da Fazenda editou a Portaria 2.423, considerada necessária para que os bancos pudessem começar a operar.

Em setembro, um levantamento realizado pelo Sistema FAEP junto aos sindicatos rurais identificou solicitações sem andamento, exigências de novas garantias e taxas de juros que inviabilizavam a renegociação.

Para a entidade, o endividamento rural exige uma política de crédito mais estruturada, em vez de medidas pontuais.

“A solução exige urgentemente uma política estruturada de crédito para resolver o endividamento rural. Os produtores rurais esperam mais empenho do governo federal em relação a esse tema. O setor agropecuário não aguenta mais soluções parciais, com prazo apertado e limite curto”, destaca Meneguette.

 

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