
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. A prisão ocorreu em meio às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, escândalo financeiro que atingiu quase 3 milhões de clientes e provocou uma crise política no país. A informação da prisão foi confirmada pela agência Reuters, com base em relatos da imprensa paraguaia.
Peña foi localizado em sua residência, em Assunção, após o Ministério Público determinar sua detenção imediata. Segundo a Associated Press, o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar enquanto responde à investigação por suspeita de lesão de confiança.
A ordem também atingiu Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Os dois são investigados por possíveis irregularidades relacionadas à fiscalização do Ueno Bank e à utilização de recursos públicos na instituição financeira.
A determinação de prisão foi expedida pelos promotores Elena Fiore, Christian Benítez, Silvia González Véster e Ruth Karina Benítez, responsáveis pelas investigações. A ordem foi encaminhada diretamente à Comandância da Polícia Nacional.
A prisão ocorreu após o Senado paraguaio aprovar, nesta sexta-feira, a destituição de Santiago Peña por meio de um processo de impeachment.
O então presidente havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso deu continuidade ao julgamento político. Peña não compareceu pessoalmente à sessão e foi representado por seus advogados.
Com a aprovação do impeachment, ele perdeu o cargo que ocupava desde agosto de 2023. O mandato presidencial estava previsto para terminar em agosto de 2028.
A destituição também impediu que Peña assumisse a condição de senador vitalício, prevista na legislação paraguaia para ex-presidentes em determinadas circunstâncias.
A crise que resultou na prisão de Santiago Peña começou a se agravar na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai anunciou a intervenção no Ueno Bank por problemas financeiros.
A medida deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e aos cartões bancários. A instituição também mantinha depósitos de órgãos públicos paraguaios.
As investigações apuram suspeitas de conflitos de interesses, falhas na fiscalização bancária e possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos.
Peña possuía participação acionária em uma empresa ligada ao grupo controlador do Ueno Bank. O ex-presidente nega ter cometido irregularidades.
O colapso da instituição provocou manifestações em Assunção, onde milhares de pessoas foram às ruas para cobrar a devolução de depósitos e a responsabilização dos envolvidos.
Outros dirigentes ligados ao banco também foram detidos no decorrer das investigações.
Com a destituição e a prisão de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai nesta sexta-feira.
Alliana deverá completar o mandato até agosto de 2028. O novo presidente também é alvo de investigações relacionadas ao escândalo bancário, segundo a Associated Press.
O governo paraguaio iniciou medidas para devolver recursos aos clientes atingidos pelo fechamento do Ueno Bank. Enquanto isso, o Ministério Público prossegue com a apuração das responsabilidades criminais de Peña e dos demais investigados.