
A Prefeitura de Cascavel deu mais um passo para enfrentar uma situação que impacta diretamente a segurança da população e a organização urbana: o excesso de cabos irregulares nos postes. Em reunião realizada ontem (31), com a participação da Copel, operadoras de telefonia e internet e representantes da Câmara de Vereadores, foram definidas novas estratégias para intensificar a fiscalização.

Entre as principais medidas está a criação de uma comissão técnica municipal, que vai acompanhar de forma contínua a situação dos cabeamentos nas vias públicas. O grupo terá como função organizar o fluxo de informações, propor ações práticas e fortalecer a integração entre os órgãos envolvidos.
Atualmente, 42 empresas de telefonia e internet utilizam os postes da Copel em Cascavel, sendo, a fiscalização responsabilidade da mesma. Uma das propostas em discussão para solução do problema é a realização de um mutirão com todas as operadoras para identificar e remover fios já desativados.
Também foi sugerida a revisão da Lei Municipal nº 7.528/2023, que trata da organização do cabeamento urbano, com o objetivo de dar mais fluidez aos processos e reforçar a responsabilização de empresas que descumprem a legislação.
Outra medida que deve ser adotada é o envio de relatórios mensais da Copel para o município, com a lista de empresas notificadas por irregularidades. Isso deve dar mais agilidade, possibilitando a abertura de ações administrativas via Procon para cobrar a atuação das operadoras.
O chefe da Casa Civil, Carlos Xavier, destacou que o município atuará como parceiro na fiscalização: “O município vai fazer a sua parte com base nos relatórios enviados pela Copel. As empresas que não atenderem às notificações poderão ser acionadas conforme a legislação. Embora a responsabilidade pela fiscalização desses cabos seja da Copel, a Prefeitura assume seu papel de parceira e articuladora institucional, porque estamos falando da segurança da população e da organização do espaço urbano”.
Dados da Copel mostram a dimensão do desafio: Cascavel possui 65.576 postes, sendo 41.531 na área urbana e 24.045 na zona rural. Mais de 83% dessas estruturas já passaram por inventário técnico, com análise dos contratos de compartilhamento e processos de regularização em andamento.
Nos próximos dias, uma nova reunião deve ser realizada com a comissão já formalizada para alinhar o cronograma de fiscalização. A população pode contribuir para o mapeamento de pontos de risco registrando denúncias pelo 156.
A nova etapa ocorre após uma série de ações iniciadas no ano passado. Em maio de 2025, uma audiência pública reuniu autoridades e empresas para discutir soluções para o problema. Desde então, cerca de 10 toneladas de cabos em desuso já foram retiradas dos postes. Ainda assim, o cenário segue desafiador.
Segundo a Copel, na prática, a identificação dos fios irregulares nem sempre é simples. Cabos ainda fixados podem estar ativos, o que impede a retirada imediata. Já fios soltos, rompidos ou clandestinos são removidos com prioridade, especialmente quando representam risco. Outro fator que agrava a situação são os furtos de cabos, que frequentemente deixam estruturas expostas e aumentam o perigo, principalmente para motociclistas.
Além disso, segundo empresários, a dinâmica do setor também contribui para o acúmulo, já que quando o consumidor troca de operadora, é comum que os fios da antiga prestadora de serviço permaneçam no poste, gerando sobrecarga e impacto visual.
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