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Na minha cor

Por Viviane dos Santos Rodrigues*

14/04/2026 às 13h11
Por: Redação
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Viviane dos Santos Rodrigues
Viviane dos Santos Rodrigues

Ao discutirmos os efeitos do racismo além da violência física, a violência psicológica não
pode ser negligenciada. Nos últimos dias, tivemos três incidentes que ilustram essa
gravidade: uma médica morta a tiros por engano, já que as balas perdidas sempre atingem
corpos negros.

Uma mãe de cinco filhos foi cruelmente morta pela ação policial violenta e despreparada,
que constantemente recorre ao uso da força e do preconceito para vitimizar pessoas pobres,
periféricas e negras. Por fim, uma mulher negra é presa diante de sua filha, sob gritos
ensurdecedores.

O racismo, como um sistema de opressão, vai além do preconceito individual, funcionando
como um sistema de poder que marginaliza grupos raciais específicos e limita seu acesso a
direitos, recursos e oportunidades.

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Adotei uma postura de ativista racial há alguns anos e confesso que, a cada dia, percebo o
quão longe estamos de alcançar a igualdade racial.

Muitas serão as batalhas necessárias para essa conquista. Infelizmente, gostaria de ser mais
otimista, mas a cada episódio percebo o quanto regredimos nessa luta. Meus medos se
intensificam ao considerar que estou criando um menino negro de 7 anos.

Eu adoraria ensiná-lo apenas os desafios típicos da vida adulta, mas isso não é suficiente.
Como mãe, preciso começar a sua educação sobre questões raciais.

Que são impostas às crianças negras desde a primeira infância, momento em que somos
moldados para enfrentar um mundo repleto de preconceito e desigualdade, no qual não
podemos nos permitir a mediocridade em nenhum momento. Mesmo quando estamos
certos, somos algemados e tratados com desprezo por uma força policial que, em caso de
dúvida, sempre considera o negro culpado.

Em que as viaturas policiais se tornam os novos navios negreiros, e nossos gritos e apelos
são silenciados por um estado que anseia por nossa morte.

Como afirma a respeitada escritora Conceição Evaristo: “Combinaram de nós matar, mas
nós combinamos de não morrer”. E acrescento que continuaremos lutando por uma
sociedade mais justa e igualitária, onde o respeito e a dignidade humana sejam garantidos
para todos.

A luta contra o racismo estrutural envolve uma série de elementos, pois está incorporada nas
normas, nos costumes e nas escolhas coletivas.

Estamos em um ano eleitoral e este texto visa incentivar uma reflexão entre a população
negra sobre como podemos combater o racismo sem realmente elegermos políticos
comprometidos com a defesa dessa causa.

A batalha contra o racismo precisa deixar de ser individual e se tornar urgentemente
coletiva; talvez assim possamos vislumbrar a tão almejada igualdade racial e de direitos
institucionais.

*Viviane dos Santos Rodrigues - Formada em Tecnologia em Agroindústria, Pós Graduada
em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Pós Graduada em Gestão Industrial e
Manufatura Enxuta. Mestranda em Engenharia Industrial, feminista negra, escritora e
palestrante. 

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