
A programação da Assembleia Itinerante na ExpoLondrina 2026 contou, na tarde desta quarta-feira (15), com a realização da palestra “Selo ABNT e políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres”, promovida pela Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Paraná, na Casa do Criador. O encontro, voltado a integrantes e servidores de câmaras municipais da região e à sociedade civil organizada, contou com as falas da secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Mariana Neris, e da chefe de gabinete da pasta, Juliany Santos.
Mobilização e sensibilização
A secretária abriu os trabalhos destacando a importância da consolidação de políticas públicas voltadas às mulheres, com foco na prevenção e no enfrentamento da violência. “Nós estamos aqui consolidando políticas públicas, políticas de Estado e programas de prevenção”, afirmou. Ela também ressaltou a relevância da articulação entre diferentes atores, enfatizando que “o que nos une é exatamente a motivação de transformar um fenômeno tão danoso para nós, mulheres, para as nossas filhas e para as gerações que virão”.
Segundo a secretária, essa transformação passa, sobretudo, pelo conhecimento da realidade. “Como a gente muda uma realidade? Primeiro, conhecendo essa realidade”, pontuou, ao defender o uso de dados e diagnósticos como base para a formulação de políticas públicas. Ela lembrou que a violência contra a mulher se manifesta de diferentes formas e exige compreensão ampla para ser enfrentada de maneira eficaz.
Ao abordar o cenário no Paraná, Mariana Neris destacou o aumento dos registros de violência e o significado desse dado. “Muitas mulheres perceberam que estão em situação de violência e estão buscando ajuda”, afirmou, ressaltando que denúncias e pedidos de socorro têm gerado respostas mais efetivas por parte do poder público e das redes de proteção.
A secretária também enfatizou a importância do fortalecimento das políticas nos municípios. “É no município que a mulher vive, cresce e enfrenta a violência”, disse, ao destacar que a descentralização das ações e a destinação de recursos são fundamentais para garantir atendimento e proteção. Segundo ela, assegurar espaço no orçamento público é essencial para a efetividade dessas políticas.
Por fim, Mariana Neris reforçou que o enfrentamento à violência exige o envolvimento de toda a sociedade. “Não adianta a gente falar que vai viver em um mundo onde só as mulheres lutam”, afirmou, ao destacar a importância da participação dos homens nesse processo. Ela concluiu ressaltando que iniciativas como o selo contribuem para ampliar o alcance das ações: “Nós vamos falar para toda a sociedade, para que cada organização desenvolva boas práticas e se comprometa com essa transformação”.
Selo
A palestra foi conduzida por Juliany Santos, chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, que apresentou os fundamentos e objetivos do Selo ABNT de Boas Práticas de Combate às Violências contra as Mulheres. A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto Nós Por Elas em parceria com a ABNT, estabelece diretrizes e critérios para que instituições públicas e privadas adotem medidas efetivas de enfrentamento à violência de gênero, promovendo uma mudança cultural baseada no respeito e na garantia de direitos.
Durante a apresentação, foram detalhados os requisitos para a certificação, organizados em níveis progressivos que incluem desde a formalização de compromissos institucionais até a implementação de ações educativas, canais de denúncia, parcerias e protocolos de acolhimento às vítimas. A palestrante destacou que a certificação segue parâmetros técnicos definidos pela ABNT, assegurando credibilidade e padronização às práticas adotadas.
“O selo, estabelece quatro categorias — bronze, prata, ouro e platina —, cada uma com requisitos específicos. Entre as exigências estão o compromisso com a proteção das mulheres, a promoção de campanhas internas de conscientização e a criação de mecanismos de acolhimento e identificação de sinais de violência doméstica. Trata-se de uma iniciativa que exige a participação ativa das instituições na implementação de práticas efetivas de prevenção e apoio.”
Juliany Santos também enfatizou a importância da atuação integrada entre poder público, sociedade e setor privado, ressaltando que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige mobilização coletiva. “A conquista do selo ABNT pela Assembleia Legislativa reforça a importância do engajamento de toda a sociedade — poder público, empresas e instituições — no enfrentamento à violência contra as mulheres. No Paraná, esse movimento tem ganhado força, com a Casa Civil também certificada e o estado concentrando cerca de 70% das certificações do país. Esse avanço está diretamente relacionado à atuação da Secretaria de Estado da Mulher, que incentiva e fomenta a adesão de diferentes setores a essa iniciativa.”
Por fim, a chefe de gabinete abordou os impactos práticos da adesão ao selo, destacando que as organizações passam a estruturar mecanismos internos para lidar com situações de violência, tanto no ambiente de trabalho quanto no contexto doméstico. Entre as medidas, estão ações de conscientização, encaminhamento de casos à rede de proteção e iniciativas voltadas à promoção de ambientes mais seguros e inclusivos, contribuindo para a redução das desigualdades e o fortalecimento da cidadania.
Ao total, 85 pessoas prestigiaram as atividades.
Combate à violência
Conquistado em 2026 pela Assembleia Legislativa do Paraná, o selo reconhece instituições comprometidas com a promoção e a defesa dos direitos das mulheres. A certificação é concedida a organizações que adotam boas práticas e assinam um termo de compromisso, em processo auditado pela própria ABNT.
O selo, desenvolvido pela ABNT em parceria com o Instituto Nós Por Elas (NPE), reconhece o comprometimento da Assembleia em garantir os direitos das mulheres, contribuindo para a redução dos índices de desigualdade e de violência de gênero no Brasil.
Para receber o selo, criado em 2024, a Casa de Leis teve de comprovar o cumprimento de uma série de requisitos que demonstram sua atuação na garantia de direitos e na proteção às mulheres no Paraná.
De acordo com a ABNT, a certificação contempla organizações públicas ou privadas que “consigam, de maneira efetiva, combater a violência contra a mulher em várias instâncias”. Trata-se, nesse sentido, de um compromisso organizacional de alto padrão, alinhado às melhores práticas atuais.
Para conquistar o Selo Bronze, a Assembleia Legislativa do Paraná apresentou seu Termo de Compromisso de Combate à Violência contra as Mulheres e de Promoção de seus Direitos, além de outros requisitos.
Entre eles, está a comprovação da realização de ao menos duas ações educacionais anuais voltadas ao combate à violência contra a mulher, destinadas a seus membros e à sociedade. São iniciativas que demonstram o compromisso da Casa de Leis com o enfrentamento da violência contra as mulheres e da discriminação de gênero.
Além disso, a Assembleia Legislativa foi reconhecida pelo uso de suas redes sociais, portal de notícias e TV Assembleia para disseminar e divulgar temas relacionados ao enfrentamento da violência contra as mulheres, ação que demonstra seu compromisso em promover a conscientização e contribuir para a prevenção desse tipo de violência.
Arena da Democracia
Ainda nesta quarta-feira, a programação da Assembleia Itinerante na ExpoLondrina 2026 contou com uma série de atividades voltadas à educação para a cidadania, reunindo estudantes e adolescentes em ações interativas que proporcionaram uma compreensão prática sobre o funcionamento das instituições públicas e do sistema democrático. As iniciativas, promovidas pela Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Paraná, integraram a Arena da Democracia e envolveram alunos do Colégio Estadual Cívico-Militar Tsuro Oguido.
Durante o dia, os participantes assistiram à palestra “Três Poderes”, que apresentou, de forma acessível, as funções do Executivo, Legislativo e Judiciário, destacando a articulação entre essas estruturas na organização do Estado brasileiro. Na sequência, os grupos participaram do Jogo da Democracia, uma atividade dinâmica que simula uma campanha eleitoral, permitindo aos jovens vivenciar etapas do processo político, como debates, entrevistas e estratégias de campanha, além de refletir sobre ética e legislação eleitoral em uma abordagem lúdica e próxima da realidade.
Programação
As atividades da Assembleia Itinerante na ExpoLondrina 2026 continuam nesta quinta e sexta-feira (16 e 17), com ações voltadas tanto à formação cidadã de estudantes quanto à qualificação de agentes públicos. Ao longo dos dois dias, a Arena da Democracia segue com jogos educativos e a palestra “Três Poderes”, reunindo alunos do ensino médio nos períodos da manhã e da tarde.
Na quinta-feira (16), a programação inclui uma ação direcionada a vereadores e servidores das câmaras municipais, com o tema “Aperfeiçoamento de boas práticas no Legislativo: Prolegis e Ouvidoria”, que apresenta ferramentas e estratégias voltadas à modernização, à transparência e à eficiência das atividades legislativas.
Ainda na quinta-feira, a partir das 14h, serão realizadas as palestras do programa Vozes da Experiência, voltadas à escuta e à coleta de propostas para políticas públicas, com foco especial na valorização das vivências e trajetórias de vida.
Já na sexta-feira (17), as atividades da Arena da Democracia continuam com a participação de estudantes, que também acompanham os jogos educativos e a palestra sobre os Três Poderes.
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