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Banco alemão financia duas obras da Sanepar em Londrina: ETE Sul e ETE Norte

Os investimentos em Londrina também viabilizam uma Central de Tratamento de Lodo, que, embora anexa à ETE Sul, vai atender a região metropolitana....

16/04/2026 às 09h25 Atualizada em 16/04/2026 às 10h26
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Cembra
Foto: Cembra

Com recursos de cerca de R$ 300 milhões, o banco de desenvolvimento alemão KfW está financiado cinco obras da Sanepar no Estado, sendo duas delas em Londrina, no Norte. Tratam-se das obras de ampliação e modernização das estações de tratamento de esgoto (ETEs) Norte, localizada no Jardim Eucalipto, e Sul, no Parque Municipal João Milanez.

O aporte que está sendo feito agora se destina à segunda fase do programa Paraná Bem Tratado, mas as obras já estão em andamento com recursos próprios (da Sanepar) aplicados de forma antecipada. “Temos esta parceria com o KfW desde o desenho deste modelo que tem grande impacto no que diz respeito à eficiência operacional e minimização da emissão dos gases de efeito estufa”, explica o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.

“Conseguimos dar início às obras e avançar para além dos 20% de contrapartida, com base na relação de extrema confiança que já havíamos construído. O contrato cumpre uma formalidade para o efetivo envio dos recursos”, acrescenta.

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Os investimentos em Londrina viabilizam uma Central de Tratamento de Lodo, que, embora anexa à ETE Sul, vai atender a região metropolitana. A unidade fará a secagem do lodo de seis ETEs: quatro locais, uma de Cambé e outra de Tamarana. As obras abrangem ainda a implantação das estruturas para coleta, armazenamento e tratamento do biogás gerado na ETE Sul, possibilitando sua utilização como combustível no processo de secagem dos lodos.

“A unidade tem tecnologias inovadoras e sustentáveis, prevendo a utilização dos dois principais subprodutos gerados na ETE como fontes de energia. Atualmente o biogás é queimado e o lodo segue para aterro”, diz o gerente de Convênios e Parcerias da Sanepar, Eduardo Pegorini.

SECAGEM DO LODO– O sistema de secagem térmica do lodo tem como peça principal um tambor de aço, com 18 metros de comprimento, 4,3 metros de diâmetro e pesa 43 toneladas, com capacidade de processar até 5 toneladas por hora. Complementa o sistema, um gerador de gases, que mede 6 metros de comprimento por 3 metros de largura e 40 toneladas.

O gerente-geral da Sanepar na Região Nordeste, Rafael Leite, chama a atenção para o ganho ambiental dos investimentos do KfW, com a conversão daquilo que seria um passivo em ativo energético. “O processo de secagem é capaz de reduzir o volume de quatro caçambas de lodo úmido para uma única caçamba de lodo seco. Aproveitando o gás da estação, deixamos de emitir gases de efeito estufa e mitigamos as mudanças climáticas”, diz.

Leite também indica a redução de custos logísticos. “A Sanepar mantém uma política de alinhamento de suas operações aos conceitos de ETEs Sustentáveis, nesse sentido investimos para aproveitar os subprodutos dos processos e reduzir demandas por aterros e recursos naturais”.

Com um investimento de R$ 58,8 milhões, a obra tem entrega final prevista para novembro, iniciando fases de pré-operação e operação assistida em julho. Ainda em 2026, a ETE Sul passará pela segunda fase de ampliação, incluindo reformas, melhorias em reatores e tratamento preliminar. Segundo Pegorini, isso aumentará a eficiência da unidade e a geração de biogás.

RARIDADE– Os equipamentos que compõem a Central de Tratamento de Lodo da ETE Sul são raros. O tambor secador modelo Bruthus, por exemplo, só é utilizado em outras seis estações no Brasil. Desses, apenas dois operam utilizando biogás e lodo de esgoto como fontes de energia: um em Minas Gerais e o outro na ETE Atuba Sul, na Sanepar, em Curitiba. Os demais estão em ETEs no Rio de Janeiro e Minas.

ENERGIA ELÉTRICA– Na ETE Norte, em Londrina, os investimentos visam além da otimização e confiabilidade dos processos de tratamento de esgoto, o aproveitamento do biogás para geração de energia elétrica para a operação da própria unidade.

A obra está orçada em R$ 62 milhões e vai revitalizar cinco reatores anaeróbios e um digestor existente, além de prever a construção de um novo digestor e aprimorar o tratamento preliminar. A conclusão está prevista para março de 2028.

OUTRAS OBRAS– Recursos do KfW se desdobram em obras nas ETEs Pinhalzinho, em Umuarama, e Padilha, em Curitiba. Na Capital também estão previstas a implantação de uma central de tratamento de lodo e a ampliação da Usina de Tratamento de Lodos e Resíduos Orgânicos (Usbio), anexo à ETE Belém.

MITIGAR GEE– O biogás é um residual do processo que trata o esgoto doméstico de forma anaeróbica, isto é, sem oxigênio. O processo acontece dentro de biodigestores, onde bactérias degradam a matéria orgânica, liberando o gás que é composto principalmente por metano e dióxido de carbono.

A redução de gases de efeito estufa (GEE) a partir do aproveitamento do biogás é o pilar do Programa Paraná Bem Tratado, uma iniciativa da Sanepar na década de 2010, com pesquisa e cooperação técnica envolvendo diversas instituições do Paraná e do Brasil, junto com a agência de cooperação técnica da Alemanha GIZ.

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