
Na quarta-feira (15), a brasileira moradora de Campinas (SP), Célia Maria Cassiano, de 67 anos, morreu após realizar um procedimento de suicídio assistido na Suíça. Ela ingeriu, por conta própria, uma substância prescrita por um médico e morreu entre três e cinco minutos depois, sem dor. O caso seguiu o protocolo local, com comunicação às autoridades e verificação da legalidade do procedimento.
Célia era mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atuou na área acadêmica. Em 2024, recebeu o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa que afeta o segundo neurônio motor, condição que compromete progressivamente os movimentos e a fala, mas preserva a consciência. Com a evolução do quadro, passou a depender de auxílio constante para atividades básicas.
“Eu não queria ficar totalmente dependente, presa numa cama, ligada a aparelhos”, disse em vídeo. Em outro momento, afirmou: “Eu estou no limite da minha dignidade.”
Ela compartilhava a rotina e os desafios impostos pela condição em suas redes sociais, e em um vídeo de despedida, afirmou ter vivido "uma vida deliciosa". Assista abaixo:
Na Suíça, o suicídio assistido é permitido desde que seja auto administrado e que o paciente comprove condição grave, incurável ou irreversível, além de capacidade de decisão. O processo envolve avaliações médicas e psiquiátricas independentes, além da prescrição formal do medicamento.
Após a morte, a polícia verifica a documentação, confirma o consentimento e encaminha o corpo para perícia e cremação. O custo do procedimento gira em torno de R$ 65 mil, sem incluir despesas de viagem e hospedagem.
No Brasil, não há legislação que autorize qualquer forma de morte assistida, incluindo suicídio assistido e eutanásia. Segundo a advogada Luciana Dadalto, a ausência de regulamentação impede a criação de protocolos formais para esse tipo de decisão.
Diante disso, a Suíça se tornou o único país que aceita estrangeiros não residentes para o procedimento, o que exige planejamento, documentação e custos elevados.
Antes da morte, Célia permaneceu no país, realizou passeios e se preparou para o procedimento. “Eu quero uma morte sem dor”, afirmou. Em mensagem final, deixou um apelo: “Lutem por esse direito no Brasil. Não é uma obrigação. É uma escolha.”
Mín. 16° Máx. 29°