
O Oeste do Paraná consolidou sua posição entre as regiões com melhor qualidade de vida do estado no levantamento do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 divulgado neste mês de maio. Das 100 cidades paranaenses mais bem colocadas no ranking estadual, 17 pertencem à região, resultado que reforça o desempenho regional em áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento social e urbano da população.
O estudo, divulgado nacionalmente, analisou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e econômicos, distribuídos em três grandes dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades.
No Paraná, os dados apontaram novamente o estado entre os melhores colocados do país, ocupando a quarta posição nacional, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina.
A metodologia do IPS mede a qualidade de vida da população para além da renda e do desempenho econômico. Para isso, o levantamento considera fatores diretamente ligados às condições reais de vida dos moradores. Entre os indicadores avaliados estão acesso à alimentação, moradia adequada, saneamento básico, abastecimento de água, segurança pública e atendimento em saúde.
Também entram na análise critérios relacionados à educação básica, acesso à informação, conectividade, preservação ambiental, expectativa de vida e inclusão social.
Outro eixo importante do estudo mede o nível de oportunidades oferecidas pelas cidades. Nesse grupo estão indicadores ligados aos direitos individuais, liberdade de escolha, inclusão de minorias, acesso ao ensino superior e capacidade de mobilidade social da população.
Dos 50 municípios da região Oeste, 17 estão na lista das 100+. A cidade de Quatro Pontes lidera o ranking regional e aparece como o município do Oeste do Paraná com melhor qualidade de vida segundo o IPS Brasil 2026, alcançando 70,3 pontos — índice considerado elevado dentro da metodologia do levantamento, que utiliza escala de 0 a 100, em que quanto mais próxima de 100, melhor é a qualidade de vida da população.
Na sequência regional aparecem Toledo, com 68,93 pontos; Cafelândia, com 68,2; Serranópolis do Iguaçu, com 67,3; Palotina, com 67,16; Marechal Cândido Rondon, com 66,99; Cascavel, com 66,7; Matelândia, com 66,33; e Entre Rios do Oeste, com 66,28 pontos.
Também figuram entre as 100 melhores cidades do Paraná Corbélia (65,51), Pato Bragado (65,21), Foz do Iguaçu (65,08), Santa Terezinha de Itaipu (65,03), Nova Santa Rosa (64,76), Céu Azul (64,62), Nova Aurora (64,54) e Anahy, com 64,52 pontos.
“Era algo de se esperar, o Oeste do Paraná aparece com forte presença entre os municípios mais bem avaliados do estado há anos, mas temos visto essa presença aumentar”, destaca o sociólogo e pesquisador regional, Gustavo Alves.
Entre as maiores cidades da região, Toledo aparece como a mais bem posicionada no ranking estadual, ocupando a sexta colocação geral no Paraná. Já Cascavel, um dos principais polos econômicos e urbanos do interior paranaense, aparece entre os municípios com melhor desempenho nos indicadores avaliados e no ranking estadual ocupa a posição de número 29.
Especialistas apontam que o resultado regional está ligado a fatores como elevado índice de urbanização, forte presença do agronegócio, investimentos em infraestrutura urbana, bons indicadores educacionais e ampliação do acesso aos serviços públicos nas últimas décadas. “Há décadas a região vive uma transformação positiva que resulta em qualidade de vida”, completa o economista Marcelo de Almeida.
O economista lembra que a região também se destaca por indicadores de desenvolvimento humano acima da média nacional e por apresentar cidades com alto nível de organização urbana e cobertura de serviços essenciais.
O IPS Brasil é considerado um dos levantamentos mais amplos sobre qualidade de vida no país justamente por reunir dados públicos de diferentes áreas para construir uma visão integrada das condições sociais da população. “Ao contrário de rankings focados exclusivamente em renda ou Produto Interno Bruto (PIB), o índice busca medir como as políticas públicas e as estruturas urbanas impactam efetivamente o cotidiano dos moradores”, avalia Gustavo Alves.
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil é considerado atualmente uma das principais ferramentas de avaliação da qualidade de vida nos municípios brasileiros por adotar uma metodologia que vai além dos indicadores econômicos tradicionais, como Produto Interno Bruto (PIB) e renda per capita. O levantamento busca medir, na prática, como vivem as pessoas em cada cidade, considerando fatores sociais, estruturais, ambientais e de acesso a direitos fundamentais.
A pesquisa é desenvolvida pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em parceria com outras instituições nacionais e internacionais ligadas ao monitoramento de desenvolvimento social. O estudo utiliza uma base ampla de dados públicos e oficiais para construir um panorama detalhado das condições de vida nos 5.570 municípios brasileiros.
Para elaborar o ranking foram analisados 57 indicadores sociais e ambientais divididos em três grandes dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Cada um desses grupos reúne diferentes critérios capazes de medir aspectos concretos da vida cotidiana da população.
Na dimensão das necessidades humanas básicas, o estudo avalia se a população tem acesso adequado a serviços essenciais e condições mínimas de sobrevivência e segurança. Nesse eixo entram indicadores ligados à alimentação, acesso à água potável, saneamento básico, moradia digna, atendimento em saúde e índices de violência. O objetivo é identificar se os municípios conseguem garantir condições básicas de funcionamento social para seus moradores.
Já o eixo dos fundamentos do bem-estar mede fatores relacionados à qualidade de vida de médio e longo prazo. Nesse grupo são analisados indicadores de educação básica, acesso à informação, conectividade digital, qualidade ambiental, expectativa de vida e promoção de hábitos saudáveis. A metodologia considera, por exemplo, o desempenho educacional, a cobertura de internet, a preservação ambiental e condições urbanas que impactam diretamente o bem-estar coletivo.
A terceira dimensão, chamada de oportunidades, avalia o ambiente social e institucional oferecido pelas cidades para o desenvolvimento pessoal da população. Nesse bloco entram indicadores relacionados a direitos individuais, inclusão social, liberdade de escolha, acesso ao ensino superior, igualdade de oportunidades e capacidade de mobilidade social. A proposta é medir se os moradores encontram condições reais para crescer socialmente e ampliar perspectivas de futuro.
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