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CCJ inicia análise de recursos contra suspensão de prerrogativas do deputado Renato Freitas (PT)

Parecer do relator manteve a decisão do Conselho de Ética; matérias receberam pedidos de vista e voltam à pauta na próxima reunião do Colegiado.

16/06/2026 às 15h50
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
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Reunião ocorreu no início da tarde desta terça-feira (16), no Auditório Legislativo. - Foto: Valdir Amaral/Alep
Reunião ocorreu no início da tarde desta terça-feira (16), no Auditório Legislativo. - Foto: Valdir Amaral/Alep

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná, em reunião nesta terça-feira (16), analisou os pareceres do deputado Ney Leprevost (Republicanos) aos recursos apresentados pelo deputado Renato Freitas (PT) contra a decisão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, que decidiu pela suspensão de suas prerrogativas regimentais por 30 dias. A penalidade aplicada pelo Conselho de Ética refere-se a dois processos ético-disciplinares (nº 24178-41.2025 e nº 03457-12.2025) contra Freitas.

O relator, em seus dois pareceres, votou tecnicamente pela manutenção da decisão do Conselho de Ética. "O voto aqui foi a favor de duas suspensões de 30 dias ao deputado Renato Freitas por quebra do decoro parlamentar, lembrando que a pena não sou eu que estabeleço — foi o próprio Conselho de Ética. Na verdade, é o Conselho de Ética que toma a decisão sobre punições de deputados. Ressalto que, na Comissão de Constituição e Justiça, o meu papel é apenas técnico e legal. Pela lei, cabe a mim avaliar se o que o Conselho de Ética decidiu está dentro do que preveem a Constituição Federal, a Lei Orgânica, o Regimento Interno da Assembleia e as legislações vigentes no Paraná. É uma decisão puramente técnica e jurídica", afirmou. O relator fez questão de frisar que a "CCJ não define a pena; nossa função é atestar se o processo conduzido pelo Conselho de Ética observou os preceitos legais. Portanto, não cabe a esta comissão a inserção de juízos de valor ou posições ideológicas, que deverão ser debatidos oportunamente no Plenário", disse.

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As representações acusam Freitas de quebra de decoro parlamentar em razão de sua atuação em um protesto realizado em um supermercado de Curitiba e de seu envolvimento em uma briga registrada na CCJ, respectivamente. As decisões foram confirmadas em reunião no dia 26 de maio pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que recusou os pedidos de reconsideração apresentados pelo parlamentar, acatando os pareceres dos relatores após a conclusão da apuração dos fatos.

A matéria recebeu pedido de vista feito pelos deputados Ana Júlia (PT) e Arilson Chiorato (PT) e volta a ser discutida na próxima reunião da Comissão, prevista para o dia 23 de junho, a partir das 13h30.

Resumo das denúncias e tramitação no Conselho de Ética

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A denúncia nº 24178.41.2025 acusa Freitas de perturbar o funcionamento de uma unidade da rede Super Muffato, em Curitiba, durante uma manifestação ocorrida em junho do ano passado. Ela foi apresentada pelos deputados Tito Barichello (PL) e Ricardo Arruda (PL) e pelos vereadores de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) e Bruno Secco (Novo). Os denunciantes acusam Freitas e apoiadores de impedir o regular funcionamento do estabelecimento. Segundo a representação, ele retirou cestas de compras das mãos de clientes e criou um ambiente de tensão e insegurança. As ações foram registradas em vídeo. O ato, no qual as supostas irregularidades teriam ocorrido, foi realizado no dia 25 de junho do ano passado. A manifestação de Freitas foi motivada pela morte de Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, que teria furtado uma barra de chocolate. Um funcionário e o segurança da rede foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP/PR) como autores do crime.

Durante a tramitação no Conselho de Ética, cinco testemunhas prestaram depoimento e Renato Freitas apresentou sua defesa pessoal nos dias 9 de fevereiro e 16 de março, respectivamente. Concluídas as investigações, o relator do caso, deputado Artagão Júnior (PSD), entendeu que houve quebra de decoro e orientou pela suspensão do mandato de Freitas por 30 dias. No entanto, o colegiado acatou o parecer divergente da deputada secretária Márcia Huçulak (PSD), que considerou mais adequada a suspensão das prerrogativas regimentais de Freitas pelo mesmo período.

Já a denúncia nº 03457.12.2025 acusa Freitas de quebra de decoro em razão de uma briga registrada em fevereiro de 2025, durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia. A confusão envolveu Freitas, o deputado estadual Márcio Pacheco (Republicanos) e o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz, do gabinete de Pacheco. A representação é assinada pelo deputado Tito Barichello (PL). De acordo com a denúncia, Freitas teria quebrado o decoro parlamentar ao proferir ofensas contra os dois, chamando Pacheco de "coronelzinho de meia pataca" e o assessor de "idiota". Além disso, Barichello afirma que Freitas "desferiu um golpe violento contra o assessor" após o encerramento da reunião.

No Conselho de Ética, a apresentação da defesa pessoal de Freitas ocorreu no dia 16 de março, sustentando que a crítica que realizou na ocasião foi restrita à postura do funcionário e que em nenhum momento se aproximou dele. No dia 10 de fevereiro, foram ouvidas testemunhas do caso: o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz e dois integrantes do Gabinete Militar da Assembleia Legislativa do Paraná. No dia 11, o colegiado acatou o parecer do relator, deputado Dr. Leônidas (PP), que manteve seu voto inicial pela aplicação da pena suspensiva.

Defesa e medidas disciplinares

O advogado de Freitas, Edson Vieira Abdala, apresentou recursos apontando que, nos dois processos, não houve admissibilidade prévia das denúncias pela Comissão Executiva da Assembleia, o que feriria previsão regimental. O advogado sustentou que a suposta irregularidade anularia os processos, que houve cerceamento de defesa nos casos e que as atitudes de Freitas estão protegidas pelas garantias da imunidade parlamentar e da liberdade de expressão. Entre outros argumentos, Abdala questionou o fato de Artagão ter atuado como relator do processo ao mesmo tempo em que exerce a função de corregedor do Conselho de Ética.

As medidas disciplinares preveem a suspensão das seguintes prerrogativas regimentais: uso da palavra em sessão, no horário destinado ao pequeno ou ao grande expediente; candidatura ou exercício de cargo de membro da Mesa ou de presidente ou vice-presidente de comissão; e designação como relator de proposição. Elas estão previstas no artigo 276 do Regimento Interno da Assembleia, vigente à época dos fatos apurados.

Fomento Paraná e Parque Estadual

Ainda na mesma reunião, os integrantes da CCJ também analisaram o Projeto de Lei 500/2026, que promove alterações na Lei nº 11.741/1997, responsável por instituir a Agência de Fomento do Paraná S.A. Entre as principais mudanças, o texto eleva o capital social autorizado da Agência para até R$ 6 bilhões, ampliando sua capacidade de alavancagem financeira e expansão das operações de crédito. O projeto também altera a composição societária da instituição, autorizando a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) a integrar o quadro de acionistas como participante minoritária. O Estado do Paraná continuará como acionista controlador, mantendo a maioria absoluta do capital com direito a voto.

O texto recebeu uma emenda de autoria do líder do Governo, deputado Hussein Bakri (PSD), que autoriza a conversão de títulos de potencial construtivo usados como garantia em crédito destinado diretamente ao FDE para amortizar financiamentos, mediante pagamento por precatórios emitidos pelos municípios envolvidos. A matéria foi aprovada com votos contrários dos deputados Luiz Fernando Guerra (Novo), Ana Júlia Ribeiro (PT), Arilson Chiorato (PT) e Paulo Gomes (PL). Na Comissão de Finanças e Tributação, contudo, a matéria recebeu pedido de vista feito pelos deputados Luiz Fernando Guerra (Novo) e Professor Lemos (PT).

A CCJ também aprovou o Projeto de Lei 237/2026, do deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), que institui o Parque Estadual da Costa Rica no Paraná. O objetivo é criar o parque abrangendo áreas insulares situadas nos municípios de Porto Rico, Marilena e São Pedro do Paraná, com a finalidade de assegurar proteção integral a ecossistemas fluviais de elevada relevância ambiental no território paranaense.

REUNIÃO DA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA/CCJ

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